Por leandro.eiro

Rio - Dirigir por ruas e estradas significa risco constante a motoristas e pedestres. Uma constatação que faz parte do levantamento feito pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), que apontou uma morte a cada 12 minutos no trânsito brasileiro. O estudo foi feito com base nos dados registrados entre 2010 e 2014. Nesse período, ocorreram 215 mil óbitos, média de 43 mil mortes por ano nas estradas e ruas do país. Os dados foram divulgados em meio à campanha Maio Amarelo, que busca conscientizar a sociedade e o poder público em relação aos danos causados pelos acidentes de trânsito.

ONU aponta 1%2C3 milhão de mortes em um ano em 178 paísesErick Bello / Agência O Dia

Os acidentes também provocam um prejuízo milionário aos cofres públicos, segundo o levantamento, que usou como base informações do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). No período analisado, foram gastos, R$ 49,5 milhões por ano no atendimento às vítimas de acidentes de trânsito e no custo de reparos em vias públicas danificadas pelas ocorrências. A pesquisa também levou em consideração o prejuízo causado pela perda de pessoas em idade economicamente ativa. No Maio Amarelo, a ONSV destaca que o Brasil tem, hoje, uma frota de 91 milhões de veículos, um aumento de 205% nos últimos 15 anos — em 2000, a frota era de 30 milhões. No período, os registros de acidentes avançaram 50,9%.

Problema mundial

Detran-RJ fez ação de conscientização do Maio Amarelo na estação Ricardo Marinho%2C na Barra da Tijuca Divulgação

Uma resolução da ONU decreta, até 2020, a ‘Década de Ações para a Segurança no Trânsito’. A iniciativa é baseada em um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), indicando que só em 2009, cerca de 1,3 milhão de pessoas morreram em acidentes de trânsito em 178 países, além de outras 50 milhões de pessoas que ficaram com sequelas. Segundo o movimento Maio Amarelo, o cenário global de trânsito mata 3 mil pessoas diariamente, sendo a 9ª maior causa de morte no mundo.

“É necessário despertar essa consciência na sociedade com ações como mudança na legislação, punição para quem comete infrações e investimento em educação”, comenta a especialista em segurança e educação no trânsito, Roberta Torres.

Atenção com os jovens

O jovem, entre 19 e 29 anos, é a principal vítima fatal dos acidentes de trânsito, alcançando 33,35% no total de óbitos por Acidentes de Transporte Terrestres (ATT), dado que tem como referência o ano de 2012, conforme o Datasus — 2013, mencionado em estudo elaborado por Roberta. “Esse cenário mostra o quanto é importante trabalhar a formação do futuro motorista para começar a mudança dessa realidade. O caminho é modernizar a formação do condutor, aproveitando-se, inclusive, dos recursos oferecidos pela tecnologia”, completou a especialista no tema.

Uma pesquisa do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) revela que em 2015, dos candidatos que iniciaram o processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), 13,6% tinham entre 18 e 25 anos. Entre as modificações na formação do condutor voltadas para mais segurança está a inserção do simulador de direção veicular. As autoescolas devem garantir ao candidato um mínimo de 5 horas/aulas, das 25 aulas práticas que são exigidas. “O simulador permite o treino da mente para reagir de forma correta e segura em situações extremas, como dirigir sob neblina e em dias chuvosos. Ainda possibilita que o cérebro reaja como se estivesse na vida real, pois trabalha todos os sentidos”, diz a especialista em simuladores de direção, Sheila Borges.

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