Lockdown: em dia com quatro mortos, Rafael Diniz anuncia bloqueio total de Campos

Ocupação de leitos de UTI, atraso no hospital de campanha e desrespeito da população levam à medida mais rigorosa da quarentena, que vale a partir de segunda

Por Leonardo Maia

A partir de segunda, Campos entra em bloqueio total contra a pandemia do coronavírus
A partir de segunda, Campos entra em bloqueio total contra a pandemia do coronavírus -
Campos — O prefeito de Campos, Rafael Diniz, anunciou agora à noite que vai decretar o lockdown no município a partir de segunda, para interromper a curva ascendente da pandemia do coronavírus. O decreto, com todos os detalhes, deve ser publicado extraordinariamente amanhã. Apenas nesta sexta, foram mais quatro mortes confirmadas pela doença. São ao todo 16 vítimas fatais, e mais oito prováveis que aguardam o exame. Também hoje foram registrados 19 novos casos.
"O momento é de alerta. Atingimos 100% nos leitos de UTI do Centro de Controle e Combate ao Coronavírus e dobramos o número de casos de Covid-19 em uma semana. Para proteger vidas, decretamos lockdown em Campos a partir de segunda-feira, dia 18, até o dia 24. Precisamos intensificar essa luta, que é de todos nós", conclamou Diniz.
O bloqueio total tem sido adotado por várias cidades e estados do país, e é o nível mais rigoroso do isolamento social, em que ficam proibidos o funcionamento de qualquer serviço ou atividade não essenciais e a circulação de pessoas sem justificativa.
Em entrevista na semana passada ao O Dia Campos, os secretários de Desenvolvimento Econômico, Felipe Quintanilha, e de Segurança Pública, Darcileu Amaral, diziam que a prefeitura ainda não projetava o lockdown, mas seria inevitável caso os números de infectados pela covid-19 continuassem a subir e a baixa adesão da população à quarentena persistisse.
“A quarentena foi fundamental para dar tempo de nos prepararmos”, disse Quintanilha, na ocasião. “Ela foi eficaz. Seguramos a curva, mas infelizmente as pessoas não a respeitaram num patamar que nos permitisse frear a pandemia”.
Foi determinante para a decisão de Diniz a ocupação de 100% dos leitos de UTI do Centro de Combate ao Coronavírus (e de 86% dos leitos clínicos) e o atraso na entrega do hospital de campanha prometido pelo governador Wilson Witzel, previsto incialmente para o mês passado, e agora com prazo de abertura no dia 23. A princípio, o trancamento geral da cidade deve perdurar até o dia 24, um domingo.
Com o avanço da pandemia do coronavírus pelo país, e a falta de comando e liderança do governo federal, governadores e prefeitos se viram forçados a aumentar o rigor da quarentena, uma vez que as primeiras medidas restritivas não deram conta de achatar a curva de propagação da covid.
A partir de segunda, só será permitido ir às ruas para questões urgentes ou essenciais, como ir a farmácias, supermercados ou para atendimento médico. Cada cidade tem adotado suas regras de punições e multas. As de Campos devem ser especificadas no decreto a ser publicado no sábado.

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