Taxa de ocupação de leitos de UTI está em 92% no estado do Rio
Taxa de ocupação de leitos de UTI está em 92% no estado do RioRovena Rosa/Agência Brasil
Por Thiago Gomide
Desde os primeiros momentos dessa loucura que estamos atravessando ficou claro que cientistas e médicos diariamente pesquisam os males e buscam as saídas. Com raras exceções, os capítulos foram (e vão, em certa medida) ganhando novas linhas com a passagem do tempo. O novo pode ficar velho rapidinho. Se antes, por exemplo, a máscara não era bem obrigatório, hoje é impensável ignorar essa proteção. Em alguns países europeus já é indicado máscaras específicas, entendendo que os modelos vistos por aqui não servem para o esperado.
Apesar de previamente calculado, tal qual aconteceu historicamente em outras pandemias, as temidas variantes chegaram ofertando mais incertezas aos enfrentamentos. Em julho, um hospital particular rico da Zona Sul propagou que não tinha mais pacientes com Covid-19. Na semana passada, o mesmo hospital berrou que não havia mais leitos disponíveis. Só o mais individualista de todos não consegue entender que a fila de espera é real e angustiante.
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Parecia que as informações foram (e são, em certa medida) tratadas como derrubar peças de dominós em sequência. Há um surto na China. Chegou na Europa. Uma epidemia está em curso. Em março de 2020, depois do Carnaval, ficamos certos que era uma pandemia. A doença arrebatava especialmente os idosos, com comorbidades. Alguns chegaram a promover listas com pontuações, de forma que o diabético estava em primeiro, o hipertenso em segundo e por aí caminhava. Naquele começo, a taxa de mortalidade disparou entre a turma que já cortou a faixa dos 60.
É atleta. É garoto. É sarada. É gente sem internação por mal qualquer. É rico. É pobre. Nesse instante, todos os hospitais, em qualquer buraco, estão sofrendo de super lotação. Dependendo da circunstância financeira, faltam bens elementares para o funcionamento, como oxigênio. Em uma semana pode faltar kit intubação em mais de 1000 municípios, diz a Confederação Nacional de Municípios. Nessa macabra situação, perdemos cotidianamente alguém ou algumas pessoas que estão em busca de UTI. Na fila. No chão do hospital. É jovem. É trabalhador. É amigo. É.
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Esse novo cenário puxa para o baile da verdade. Não dá para fugir. Independente da sua idade e saúde, pode dar ruim. Se tiver dinheiro, a chance, como sempre, aumenta de um ar extra – se vaga encontrar, evidente. Não adianta pensar que um jatinho salva. São Paulo tá lotado. Em Miami não entra. Pouco vale se garantir com carteiradas – muitos outros também estão usando e vão disputar contigo um lugar ao leito. Adianto: estar no hospital não é 100% garantia de sobrevivência. Os números assinam embaixo, infelizmente.
Quem não está no grupo de risco? Quem? “A vida não pode parar”, defendem para mim. “A vida não pode acabar”, costumo responder. Ou pensamos e agimos em parceria ou, do outro lado, há um inimigo que aproveita letalmente da nossa desorganização. Quem não está no grupo de risco?