Após manobra, Alerj adia votação de proposta que abre dados de gabinetes

Resistentes à ideia de divulgação de nomes de assessores e seus salários, alguns deputados conseguiram impedir análise de emenda

Por PALOMA SAVEDRA

Assembleia Legislativa do Rio
Assembleia Legislativa do Rio -
Após manobra de deputados, a Alerj adiou a votação do projeto que prevê a divulgação da lista de presença dos parlamentares às sessões — e de emenda que abre os dados dos gabinetes —, que seria realizada hoje. Ainda não há data para que a proposta volte ao plenário.
Nos bastidores, o que se fala é de uma forte resistência dos parlamentares em relação à emenda que pede a publicação dos nomes de assessores nomeados em cada gabinete, bem como seus cargos e salários. Já o projeto de resolução, que trata apenas das faltas às sessões, tem apoio da maioria dos parlamentares. 
Verificação de quórum
O adiamento ocorreu depois de os deputados Renato Cozzolino (PRP) e Jorge Felippe Neto (DEM) pedirem verificação de quórum minutos antes de o plenário — que já não estava cheio — analisar o projeto de Eliomar Coelho (Psol) e o aditivo ao texto, proposto por Alexandre Freitas (Novo).
Na prática, quando se pede a verificação, é preciso que haja pelo menos 36 deputados presentes. E a Casa registrou, naquele momento, apenas 19.
Houve bate-boca na sessão, que estava sendo presidida por Chico Machado (PSD). Eliomar Coelho criticou a postura de alguns parlamentares, dizendo que havia clara intenção de não votar a proposta. O psolista ressaltou ainda que "conhece o Parlamento".
Freitas disse que sua emenda "não está inventando a roda", pois a Câmara dos Deputados, por exemplo, disponibiliza os dados de cada gabinete em sua página na internet. 
Deputado alega que não havia ambiente para continuar sessão
Após a publicação da Coluna, o deputado Jorge Felippe Neto disse, por meio de nota, que é favorável à proposta de Eliomar para a divulgação da lista de presença no plenário. Afirmou ainda que "é um dos poucos na atual legislatura que não possui nenhuma falta, logo, não há motivo para se opor ao projeto de resolução do deputado Eliomar Coelho".
Segundo Neto, ele pediu a verificação de quórum porque, em meio a uma discussão entre "esquerda e direita", não havia ambiente nem parlamentar suficiente no plenário para analisar propostas.
"Ocorre que, após mais de uma hora de confusão e bate-boca entre parlamentares do Psol e do PSL, restando pouco mais de uma dúzia de deputados presentes dos 70 que compõem a Alerj, ainda restavam uma dezena de projetos a serem discutidos e votados. Com projetos igualmente importantes em pauta, não havia ambiente nem número para deliberação, o que motivou o pedido de verificação de quórum. Nada relacionado ao projeto do deputado Eliomar", disse em trecho da nota.

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