Funcionalismo denuncia Paulo Guedes na Comissão de Ética da Presidência da República

Comparação de servidor a um parasita feita pelo ministro da Economia, na última sexta-feira, gerou reação das categorias; titular da pasta se desculpou e disse que frase foi retirada do contexto

Por PALOMA SAVEDRA

Ministro Paulo Guedes criticou reajustes salariais ao funcionalismo em evento realizado na FGV
Ministro Paulo Guedes criticou reajustes salariais ao funcionalismo em evento realizado na FGV -
O Fórum Nacional Permanente das Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) - composto por 32 entidades que representam mais de 200 mil servidores públicos - protocolou, no início da tarde desta terça-feira, denúncia na Comissão de Ética da Presidência da República contra o ministro da Economia, Paulo Guedes. No documento, o funcionalismo pede que seja instaurado inquérito para apuração de "violações" do ministro ao Código de Conduta da Alta Administração Pública e ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal.
A recente declaração dada por Guedes, na última sexta-feira, em que comparou o servidor a um parasita, foi o estopim para a denúncia. Para representantes das categorias houve ofensa moral aos servidores de todo o país e violação ética. Eles se queixam também de outras críticas do titular da pasta direcionadas ao funcionalismo. 
A denúncia diz que "um discurso que compare servidores públicos a parasitas não tem nenhum contexto justificável, a fortiori quando emanado do Ministro
de Estado de pasta central do funcionalismo público brasileiro". "Nesse cenário, imperiosa a atuação da Comissão de Ética Pública da Presidência da República para reprimir o descumprimento de compromisso ético que coloca sob risco os padrões qualitativos estabelecidos para a conduta da Alta Administração Pública Federal", escreveram os advogados do escritório Torreão Braz Advogados (que representa o Fonacate). 
Guedes fez o comentário durante seu discurso no encerramento do seminário pacto federativo, na FGV-RJ, em Botafogo, Zona Sul do Rio. "O governo está quebrado. Gasta 90% da receita toda com salário e é obrigado a dar aumento de salário. O funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação, tem estabilidade de emprego, tem aposentadoria generosa, tem tudo. O hospedeiro está morrendo, o cara virou um parasita, o dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático, não dá mais", declarou o ministro.
A frase repercutiu e gerou inúmeras manifestações de repúdio das categorias federais. Depois, o Ministério da Economia emitiu uma nota informando que a frase de Paulo Guedes foi retirada de contexto, e que o ministro reconhece o valor dos funcionários públicos. Ontem, Guedes voltou a se desculpar, em mensagem enviada a alguns jornalistas.
No documento em que apresentam a denúncia, os servidores argumentam que o ministro "declarou expressamente que direitos resguardados constitucionalmente a todo trabalhador brasileiro, inclusive para agentes públicos, como o direito à aposentadoria e ao salário digno, seriam as razões para a falta de recursos públicos". 
Afirmam ainda que a declaração de Guedes "sugeriu que a estabilidade conferida pela Constituição da República aos servidores públicos para a atuação independente e livre de pressões políticas seria desarrazoada". "Essas afirmações configuram desrespeito gratuito e desmedido a 12 milhões de servidores públicos, que buscam  diuturnamente prestar serviço de qualidade à população brasileira, além de não condizerem com o decoro do Chefe de pasta que hoje congrega funções pertinentes à organização dos quadros de pessoal da Administração Pública", diz a denúncia. 
 
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