Carnaval 2022: Viradouro relembra folia histórica após fim de epidemia em 1919
Desfile é assinado pelos carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon, responsáveis por consagrar a Vermelha e Branca campeã do Grupo Especial em 2020
Rio de Janeiro 15/01/2019 - Os carnavalescos da Viradouro Tarcisio Zanon e Marcus Ferreira. Foto: Luciano Belford/Agência O Dia - Luciano Belford/Agência O Dia
Rio de Janeiro 15/01/2019 - Os carnavalescos da Viradouro Tarcisio Zanon e Marcus Ferreira. Foto: Luciano Belford/Agência O DiaLuciano Belford/Agência O Dia
Rio - A Unidos do Viradouro mostrará na Marquês de Sapucaí a certeza de que, apesar dos dois anos distante da folia por causa da covid-19, o Carnaval está vivo. Com o enredo "Não há tristeza que possa suportar tanta alegria", a agremiação de Niterói vai relembrar o Carnaval de 1919, logo após o fim da epidemia da Gripe Espanhola. O desfile é assinado pelos carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon, responsáveis por consagrar a Vermelha e Branca campeã do Grupo Especial em 2020.
Parecida com a covid-19, a Gripe Espanhola foi uma doença que infectou milhares de pessoas ao redor do planeta. Conhecida como a gripe de 1918, há a estimativa de que vitimou um quarto da população mundial da época.
"O Carnaval da Viradouro é inspirado no de 1919, quando a sociedade carioca se utilizou da folia para retomar a vida, retomar a liberdade social que a pandemia [da gripe espanhola] tirou. Enfrentaremos com muita alegria esse Carnaval de abril, que é um momento de celebrar a vida. Todos esses sentimentos que os cariocas tiveram em 1919, vão ser revividos agora em 2022", explicou Marcus Ferreira, ao DIA.
Trabalhando ao lado do marido, o carnavalesco Tarcísio Zanon, pela segunda vez, Marcus Ferreira enxerga a possibilidade do bicampeonato da agremiação de Niterói. "É claro que o titulo de 2020 nos dá um amadurecimento, um enfrentamento melhor sobre a competição. Ele nos dá a segurança para criarmos esse Carnaval e lutarmos por esse bicampeonato. É algo que nos torna mais maduros para conquistarmos, quem sabe, a vitória do título", disse o carnavalesco, que elogiou:
"As expectativas são as melhores. Todo mundo sabe o quanto a Viradouro trabalha, o quanto a Viradouro ensaia. É uma diretoria e uma gestão que motivada pelo trabalho, é motivada em fazer o melhor pela escola".
Apesar da perda de milhares de pessoas durante os períodos mais restritivos da pandemia da covid-19, Marcus tenta enxergar o momento de uma ótica positiva. "Tivemos o tempo total de criação, que, às vezes, em um ano normal, não teríamos. Então acho que a pandemia deixou isso de positivo. Do lado negativo, ficamos sem Carnaval por dois anos e a nossa maior preocupação foi com os profissionais que trabalham conosco, os colaboradores e artistas do barracão, que precisam do trabalho do Carnaval. Dura um ano e as pessoas não imaginam que motivamos muitas familias que dependem exclusivamente do Carnaval", lembrou.
De autoria de Felipe Filósofo, Fabio Borges, Ademir Ribeiro, Devid Gonçalves, Lucas Marques e Porkinho, o samba "Não há tristeza que não possa suportar tanta alegria" é interpretado por Zé Paulo Sierra. Ganhadora do segundo título em 2020, a Unidos do Viradouro será a quinta escola a desfilar na Marquês de Sapucaí na madrugada de sexta-feira, 24 de abril.
No último Carnaval, a agremiação de Niterói se tornou campeã do Grupo Especial com o enredo "Viradouro de Alma Lavada", assinado pelos carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon.
Confira o samba-enredo:
Confira a letra:
Amor, escrevi esta carta sincera Virei noites à sua espera Por te querer, quase enlouqueci Pintei o rosto de saudade e andei por aí
Segui seu olhar numa luz tão linda Conduziu meu corpo, ainda O coração é passageiro do talvez Alegoria ironizando a lucidez
Senti lirismo, estado de graça Eu fico assim quando você passa A Avenida ganha cor, perfuma o desejo Sozinho te ouço se ao longe te vejo
Te procurei nos compassos e pude Aos pés da cruz agradecer à saúde Choram cordas da nostalgia Pra eternidade, um samba nascia
Não perdi a fé, preciso te rever Fui ao terreiro, clamei: Obaluaê! Se afastou o mal que nos separou Já posso sonhar nas bênçãos do tambor
Amanheceu! num instante já Os raios de sol foram testemunhar O desembarque do afeto vindouro Acordes virão da Viradouro
Tirei a máscara no clima envolvente Encostei os lábios suavemente E te beijei na alegria sem fim Carnaval, te amo, na vida és tudo pra mim
Assinado: um Pierrot apaixonado Que além do infinito o amor se renove Rio de Janeiro, 5 de março de 1919
Ficha técnica:
Nome: Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Viradouro Cores: Vermelho e branco Presidente: Marcelo Calil Petrus Filho Presidente de Honra: José Carlos Monassa Bessil (em memória) e Marcelo Calil Petrus Carnavalescos: Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Julinho Nascimento e Rute Alves Intérprete: Zé Paulo Sierra Composição: Felipe Filósofo, Fabio Borges, Ademir Ribeiro, Devid Gonçalves, Lucas Marques e Porkinho
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