Micropigmentação pode ser usada para situações pós-cirúrgicas
Técnica é cada vez mais usada em tratamentos em quem sofreu queimaduras, tem lábio leporino ou passou por reconstrução da mama – e é possível conseguir o procedimento de graça: Vivi Assad faz trabalho voluntário em casos específicos
Resultado após micropigmentação (esq.): procediemento pode recuperar traços faciais - Divulgação
Resultado após micropigmentação (esq.): procediemento pode recuperar traços faciais Divulgação
A micropigmentação ficou muito conhecida no Brasil por desenhar sobrancelhas permanentes. Mas seu uso vai muito além disso. A técnica vem sendo cada vez mais utilizada em tratamentos de lábio leporino, reconstrução de mamas e em cicatrizes de queimadura. E a boa notícia é que, em alguns casos, é possível conseguir esse tipo de reparo estético de graça. Ao perceber essa nova tendência de uso no procedimento, a especialista Vivi Assad resolveu dedicar parte de seu tempo para um trabalho voluntário e gratuito com vítimas de queimaduras e em pessoas com lábio leporino para disfarçar as cicatrizes do rosto e reconstruir a aparência dos lábios.
“Fazemos um novo desenho de lábios, usamos um pouco da pele, pois geralmente eles têm um lábio menor. A ‘micro’ é a última tentativa para melhorar a aparência e de fato ela melhora”, explica Vivi, destacando que muitos destes pacientes passam, antes da micropigmentação, por diversas cirurgias reparadoras sem obter a aparência desejada.
Em vítimas de queimadura, a técnica é usada para uniformizar a cor da pele. “Geralmente, a pele queimada fica mais branca em algumas regiões, principalmente no rosto. Com a micropigmentação, conseguimos uniformizar a cor, cobrindo as áreas mais claras”, diz Vivi.
Violência doméstica Muitas vezes, as histórias são tão dolorosas que a pessoa procura o tratamento, mas é discreta com relação ao que a levou àquele estado. A profissional conta que percebe que algumas mulheres apresentam possíveis sinais de que foram vítimas de violência doméstica.
“Acredito que haja muitas mulheres vítimas de parceiros que colocaram fogo nelas, mas elas não falam sobre isso. Quando são queimaduras decorrentes de acidentes ou de fatos da infância, elas se abrem e contam toda a história, mas vejo que, quando a queimadura foi na fase adulta, muitas não se abrem, não querem falar o que houve.”
Amor-próprio A reconstrução de aréola em mulheres que precisaram tirar a mama é mais um uso da técnica. “Acredito que o maior símbolo da feminilidade é o seio. Sei por causa da minha mãe, que teve a doença e precisou reconstruir a aréola, eu vi o quanto isso foi importante na autoestima dela”, revela.
Vivi Assad explica que, nos casos em que a mama é removida, é necessário desenhar o mamilo. Neste caso, é aplicada uma técnica de micropigmentação hiper-realista. “É um trabalho em 3D, que fica muito parecido com a mama, um trabalho muito delicado que dá um efeito muito próximo ao real”.
Para a especialista, em todos os casos, a técnica ajuda a resgatar o amor-próprio. “Isso melhora muito a autoestima delas, ainda mais quando são vítimas de violência. Muitas voltam a sorrir depois do procedimento”.
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