Linda Rojas relembra diagnóstico de câncer de mama antes dos 30 anosArquivo pessoal

Rio - A cor é rosa! A chegada do mês de outubro traz a campanha de conscientização sobre o câncer de mama. Pensando nisso, O DIA procurou um profissional da saúde para dar detalhes sobre o diagnóstico da doença, falar sobre as formas de prevenção, tratamento e contar qual a faixa etária com mais incidência de casos. A influenciadora digital Linda Rojas também relembra quando descobriu o câncer de mama, por duas vezes, antes dos 30 anos, e vibra com sua cura.
"Todo câncer é genético, porque aparece devido a uma desordem no nosso material genético, do nosso DNA. Entretanto, nem todo câncer é hereditário, que passa de pais para filhos. De uma forma geral, apenas 5% a 10% dos cânceres de mama têm caraterística hereditária", começa o oncologista Dr. Wesley Pereira Andrade, que lista os principais sintomas da doença. "Consiste na presença de nódulo mamário em crescimento, podendo estar associado a secreção sanguinolenta pelo bico do seio, retração da pele, do bico, presença de gânglios na axila, engrossamento da pele, feridas na pele e na mama". 
Os cuidados com alimentação e a prática de exercícios físicos podem minimizar os riscos da doença, sendo assim uma forma de prevenção. "Quando falamos em prevenção do câncer precisamos separar em primária e secundária. A primária consiste em medidas para reduzirmos os riscos de ter câncer de mama, como perder peso, praticar atividades físicas, se manter saudável e quando estiver na menopausa não usar reposição hormonal ou usar pelo menor tempo possível. Já a mamografia existe na nomenclatura de prevenção secundária, que são as estratégias médicas de tentar diagnosticar o câncer em sua fase inicial. Ou seja, fazer mamografia não impede a mulher de ter câncer de mama, mas permite que ele seja identificado em sua fase inicial. E quanto antes diagnosticado melhor, pois maiores são suas chances de cura", ressalta.
De acordo com Dr. Wesley, o tratamento mais indicado é o cirúrgico. "É fundamentalmente cirúrgico. A cirurgia oncológica mamária é o principal tratamento e o que mais agrega valor na cura da paciente. A cirurgia pode ser do tipo de quadrantectomia e também mastectomia. Em geral, elas podem ser complementadas com a radioterapia e ocasionalmente com a quimioterapia. A quimioterapia é relacionada com o risco da doença poder se espalhar pelo corpo. A grosso modo, quando o câncer de mama é diagnosticado abaixo de 2cm as chances de quimio são bem baixas, entretanto, quando passa desse tamanho ou quando se tem gânglios contaminados nas axilas a chance da quimio aumenta. Além da cirurgia, quimio e radioterapia, temos a hormonioterapia, imunoterapia e terapia alvo como estratégias pra esse tratamento". 
A faixa etária com maior incidência de casos é acima dos 50 anos. "O câncer de mama, assim como os outros, é 'idade dependente'. Quanto mais velha é a pessoa, maior risco de ter câncer de mama. A idade de mais risco está entre 50 e 70 anos. Podemos ter câncer de mama antes dos 40? Podemos, mas a doença é predominante na faixa de 50 a 70", ressalta o médico.
Fora da 'média' de casos, a influenciadora digital Linda Rojas, por exemplo, enfrentou dois diagnósticos da doença antes dos 30 anos: em 2012 e em 2017. Curada, ela relembra como se sentiu ao saber que tinha câncer de mama. "Descobrir a doença foi descobrir que as grandes angústias e tragédias da vida também acontecem com a gente. A gente sempre acha que está ileso a tudo isso, que é superpoderoso, mas não. Descobri que ia viver a maior insegurança e tristeza da vida e que precisava acessar todo o conhecimento e colocar minha vida na mão de outras pessoas, que são os médicos. Foi um processo imersivo, de criar segurança em outras pessoas e, ao mesmo tempo, se sentir inseguro", comenta.
O processo de cura além de físico também foi mental. "É um momento bem antagônico, porque no momento que a gente está se curando a gente também se sente muito doente. O câncer de mama não é uma doença que traz muitos efeitos físicos, sintomas, antes de descobrir a doença. Quando você está fazendo o tratamento, você se sente humilhado, com muitos efeitos colaterais por conta da quimioterapia, muita náusea, vômitos. A radioterapia pode causar queimadura. É um desgaste físico grande, mas a gente passa pela cura emocional. Neste momento, a gente está no limbo enorme, mas percebe coisas que nos causavam danos emocionais. Hoje a saúde pra mim tem um peso enorme, é algo que faz diferença na minha qualidade de vida e paz interior. Sabe aquela frase: 'Eu posso ter tudo, mas se eu não tiver saúde...'? Entendi o verdadeiro significado dela". 
Após a cura da doença, Linda vive um grande momento pessoal, com o nascimento do filho, Martín, no ano passado. "O sonho de ser mãe depois de passar pelo diagnóstico de câncer de mama tem sido mágico. Vi que as coisas podem dar certo, que as coisas acontecem além do diagnóstico, que sonhos podem ser ressignificados e realizados, desde quando pensamos neles durante o tratamento. O sonho de ser mãe deu esperança a muitas outras pessoas, porque a vida continua. O período que a gente fica em tratamento é menor que o que temos para frente. Ser mãe é a maior e melhor experiência da humanidade", vibra.