Obstetra dá dicas de como passar por esta fase sem grandes complicações e cita os principais sintomas; Mamãe de Diana, de dois meses, Carol Borba fala sobre o período
Rio - Dar à luz é um dos momentos mais emocionantes na vida de uma mulher. No entanto, muitas delas não sabem que após o nascimento do bebê há uma fase que pode ser desafiadora: o puerpério, como é chamado o pós-parto. É que com a chegada do neném há várias mudanças hormonais, no corpo e até mesmo nas relações conjugais, familiares e profissionais. Há quem tire o período de letra, no entanto, outras mamães necessitam de uma maior atenção e auxílio.
"O puerpério é o período que sucede o parto. Embora o puerpério seja um período de demarcação temporal imprecisa, é aceitável dividi-lo em: pós-parto imediato, do 1° ao 10° dia; pós-parto tardio, do 10° ao 45° dia; e pós-parto remoto, além do 45° dia. Muitos estudos assumem como pós-parto os 12 ou 24 meses que sucedem o parto", explica o dr. Jadson Lener, obstetra especialista em saúde da mulher. "O puerpério é também caracterizado por marcantes mudanças em diversos outros aspectos, sejam eles conjugais, familiares, sociais ou profissionais. Nesse sentido, há de se compreender a importância de uma assistência materno-infantil multidisciplinar e integrada, projetada no sentido de favorecer uma experiência materna efetivamente saudável e de bem-estar", completa ele.
Segundo o médico, a experiência do puerpério varia de mulher para mulher. "Algumas relatam não ter nenhum problema e outras podem chegar a passar pela depressão. Então não existe uma fórmula pronta para uma maternidade perfeita! É na vivência que a maternidade se faz. Mas é claro que há pontos muito importantes para serem levado em conta ao se preparar para este momento especial como: ler e se informar sobre maternidade real; ter momentos de descanso e relaxamento; buscar estar próxima de mães que estão passando pela mesma fase; ir percebendo como são os cuidados com o bebê; contar com a consulta de pré-natal psicológico que é complementar ao pré-natal obstétrico; incluir o pai nos cuidados do bebê, é importante dividir tarefas; se tiver outros filhos, inclua-os nas tarefas com o bebê".
Em alguns casos, o período pós-parto pode ser marcado por alguns sintomas. "A mulher irá por uma série de transformações físicas, hormonais e psíquicas, e consequentemente essas alterações causam alguns sintomas, os principais deles são: loquiação que é a eliminação de lóquios, que são tecidos residuais do endométrio e placenta, juntamente com sangue e coágulos; alterações urinárias, aparecimento de estrias nas mamas e abdome, perda de peso. Além desses ainda podemos citar: mamas endurecidas (devido a produção do leite), cólicas, constipação, desconforto na região íntima (até a devida recuperação), e sintomas psicológicos como o baby blues e depressão pós-parto", alerta dr. Jadson.
E por falar em saúde mental, o obstetra dá mais detalhes sobre as doenças psicológicas mais comuns nesta fase. "Uma das mais conhecidas é a depressão pós-parto. Seus principais sintomas são tristeza intensa, falta de interesse por atividades diárias, que anteriormente eram prazerosas, choro frequente, sentimento de desamparo, desânimo, dificuldade para se concentrar e executar todas as rotinas, perda ou ganho de peso rápido, vontade de prejudicar ou fazer mal ao bebê ou a si própria, e geralmente isso acontece nos primeiros 30 dias de puerpério, mas pode acontecer até certo tempo depois pois depende de vários fatores. Já o baby blues são oscilações hormonais que podem desencadear mudança de humor da mãe, geralmente aparece logo após o nascimento do bebê e dura em torno de duas a três semanas. A oscilação é maior: momentos de tristeza, às vezes momentos mais intensos de ansiedade. Em algumas ocasiões, a mãe tende a melhorar quando dorme ou quando se alimenta bem", detalha.
Para quem está passando pelo puerpério, o médico dá algumas dicas: "Existe um ditado que fala que quando nasce um bebê também nasce uma mãe, então é importante que essa mulher saiba que ela vai passar por um processo de aprendizado, de mudanças corporais e de humor e que nem tudo são flores, mas que com a orientação correta. Então, o apoio necessário da rede de apoio essa fase será mais tranquila. Cada mulher tem uma necessidade diferente, portanto é bem interessante perguntar a recém-mãe qual a ajuda que ela necessita mais. Algumas dicas são: auxiliar com as atividades práticas da casa, preparar refeições saudáveis para a puérpera, nunca compará-la com outras mãe e lembrar que ela não precisa dar conta de tudo sozinha".
Mamãe de Diana, de dois meses, Carol Borba revela como tem lidado com o pós-parto. "Tem sido um período sensível, mas tem sido tranquilo. Talvez pela minha idade, tenho 37 anos, pela fase da minha vida que está mais organizada, estabilizada, tanto no trabalho quanto no casamento. Não tenho sentido tanto como vejo alguns relatos. Fiquei muito mais sensível, tenho sentido mais vontade de chorar, mas de alegria, de amor por pela minha filha. Eu tenho uma rede de apoio grande, me estruturei pra ter essa neném. Isso ajuda muito no nosso psicológico. Tenho tentado também me exercitar com frequência, pois faz bem para a mente", destaca a influenciadora digital.
Ela, que é casada com o nutricionista Rafael Aismoto, ainda cita algumas dificuldades do momento. "O relacionamento com o marido (risos). É o primeiro filho, a gente vem de famílias diferentes, por mais que a gente tente se entender, as crianças são diferentes, aquilo que a gente pensa e a forma com que você quer lidar com situações que são completamente novas, elas muitas vezes divergem. Então, a gente precisa de maturidade. Outro ponto que pega é que são muitas tarefas. As vezes você não consegue ter sucesso nessas tarefas. Por exemplo, o neném com cólica, você faz de tudo e nada soluciona. Bate um momento que você fica desesperado, bate o estresse. A falta de sono também gera estresse", enumera.