Caçadores de sonhos olímpicos: a obstinação de Bruninho

Jogador deseja a medalha de ouro depois de duas pratas nas últimas olimpíadas

Por bernardo.argento

Bruno vai ser o levantador da Seleção em 2016Divulgação

Rio - Bruninho procura manter a cautela e pensar em um campeonato de cada vez, mas o grande sonho de sua carreira está mesmo traçado para daqui a dois anos. Aos 28 anos, reconhecido como uma das principais lideranças da seleção brasileira de vôlei, o levantador é um obstinado na luta pela consagração como campeão olímpico. Após as pratas nos Jogos de Pequim (2008) e de Londres (2012), ele só tem na cabeça o lugar mais alto do pódio na Olimpíada do Rio, em 2016.

“Meu sonho como carreira é conquistar a Olimpíada. É o título que me falta. Não só para mim, como para alguns jogadores. A única coisa que vem à cabeça para 2016 é a medalha de ouro”, admite o capitão da Seleção, que está na briga pelo tetracampeonato mundial na Polônia sob o comando do pai, o técnico Bernardinho.

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Dos três títulos mundiais conquistados pelo Brasil, Bruninho participou do último, em 2010, na Itália. Em Olimpíadas, ele saiu com duas pratas e a sensação de que poderia ter conquistado a medalha de ouro. Em Londres, há dois anos, o Brasil chegou a ter dois match points no terceiro set da final contra a seleção da Rússia, mas acabou perdendo, de virada, por 3 a 2.
No pódio, ele foi consolado pelo experiente Giba, campeão olímpico nos Jogos de Atenas (2004).

“Ele tem o sangue do pai e da mãe, tanto do Bernardo quanto da Vera (a ex-jogadora Vera Mossa), de querer ganhar sempre. E tem que ser assim. Se não tiver esse sangue nos olhos, é difícil alcançar o objetivo”, afirma Giba. Ele elogia a trajetória do levantador: “Fico feliz por estar no caminho certo, ter se tornado o capitão e ser um líder na Seleção.”

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Bruninho quer a medalha de ouro em 2016 depois de duas pratas na últimas duas olimpíadas Divulgação

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Depois de dois anos, a derrota em Londres é usada como aprendizado para 2016. “Ainda passam filmes na cabeça. De algum maneira, essa cicatriz pode ser importante para motivar para o futuro. É uma derrota que faz com que mexa a nossa cabeça. Mas a vida é feita disso e a gente tem que saber lidar e tirar o melhor proveito”, diz Bruninho.

Para realizar o sonho em 2016, o levantador já se controla, desde agora, para conter a expectativa. “É lógico que a gente se prepara para o fim do ciclo, que é a Olimpíada em casa. Mas temos o Mundial agora, a Liga no ano que vem. Tem que pensar em cada passo para não criar essa ansiedade, que pode atrapalhar”, adverte.

Como você lida com a responsabilidade de ser campeão em casa em 2016?

Não é fácil jogar em casa. A gente viu a emoção de todos no futebol. O país esperava por isso. Criou-se uma expectativa muito grande, ainda mais depois que o Brasil ganhou a Copa das Confederações. O principal é tentar ficar um pouco alheio a isso. A gente sabe que o brasileiro não está acostumado a perder. Não tem segundo lugar, não tem semifinal. O negócio é ganhar. Nós somos assim. Jogando em casa, tem que tirar o lado positivo, que é ter a torcida a nosso favor.

Como torcedor, qual é a sua recordação dos Jogos de Atenas (2004)?

Acompanhei muito aquela final olímpica. Era o título que faltava para aquela geração. Foi maravilhoso. De 2004 a 2006, o Brasil sobrou. Lembro muito bem. O time estava voando tanto física quanto tecnicamente. Foi um título que marcou aquela geração.

Qual é a sua lembrança dos Jogos de Pequim (2008)?

A gente sofreu muito, principalmente porque alguns jogadores daquela geração estavam se aposentando. Eu vi a luta de cada um deles em busca daquela medalha de ouro. Foi uma tristeza, ainda mais da maneira como a gente jogou a final. Jogamos bem, vencendo o primeiro set. Fica uma tristeza das duas (Londres e Pequim). Mas espero que essas duas derrotas sejam esquecidas em 2016 com o ouro.

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