Fachada da 67ª DP, em GuapimirimImagem: Izaias França - O DIA

Guapimirim – Um homem de 32 anos, identificado pelas iniciais V. S. T., foi preso em flagrante em Guapimirim, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, nesse sábado (23/4), por crimes de lesão corporal, ameaça, cárcere privado e coação no curso do processo contra a esposa, de 30 anos. A captura foi feita por policiais civis da 67º DP (Guapimirim).
A vítima pediu ajuda ao Centro de Referência de Atendimento à Mulher Vítima de Violência (CRAM) de Guapimirim, na última sexta-feira (22), depois de ter sido agredida pelo marido durante a madrugada. O órgão, então, acionou a delegacia para que ela pudesse denunciar as agressões sofridas.
A vítima viveu com V. S. T. por 12 anos e ao longo desse tempo já era agredida. Os atos se intensificaram depois que ela descobriu que ele a traía. Na delegacia, ela relatou que além das agressões físicas, o então companheiro a ameaçava constantemente, exigia que ela saísse de casa e cuspia em seu rosto. Ela calcula ter sido agredida umas 50 vezes pelo esposo. Foi feito um registro de ocorrência com pedido de medida protetiva de urgência.
Sem ter para onde ir, a mulher retornou para a residência. Após contar ao marido que o denunciou na delegacia, ele a agrediu outra vez e a trancou em casa junto com dois filhos do casal, um adolescente de 12 anos e uma criança de 4 anos, o que configurou o crime de cárcere privado.
V. S. T. ficou dando voltas do lado de fora de casa. Três horas depois, ao perceber que o então companheiro não estava por perto, a vítima conseguiu pular uma janela com os dois filhos e foi novamente a 67ª DP (Guapimirim), por volta das 2h da manhã desse sábado (23), para denunciar as novas agressões sofridas.
A vítima foi para a casa de uma tia junto com os filhos, mas teve de voltar para a residência onde mora depois que um tio a mandou embora. O agressor havia provocado tumulto no portão dos parentes. A atitude do tio poderia ter contribuído para um possível feminicídio e precisa ser investigada.
Já na manhã de ontem (23), a vítima retornou à delegacia, pedindo para retirar a queixa e que precisava filmar a conversa com os policiais civis, pois estava sendo ameaçada de morte pelo marido, que a aguardava numa rua próxima à unidade policial com os dois filhos. Foi, então, feita a prisão em flagrante.
Guapimirim tem altos registros de crimes de violência doméstica. Nessa cidade, é possível pedir ajuda a 67ª DP, ao CRAM, à Polícia Militar e também pelo Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) e Disque 100 (Disque Direitos Humanos). Ambos os telefones são vinculados ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e a ligação é gratuita.