Matheus Silva dançava em bailes - Reprodução / Facebook
Matheus Silva dançava em bailesReprodução / Facebook
Por Aline Cavalcanti e Jonathan Ferreira

Rio - Parentes e amigos de dois mortos neste sábado em troca de tiros na Favela da Rocinha dizem que as vítimas não tinham envolvimento com o tráfico de drogas. O tiroteio deixou ao todo oito vítimas fatais. A mãe de Matheus da Silva Duarte de Oliveira, de 19 anos, disse que o filho estava em um baile funk quando foi baleado. "Eles (policiais) chegaram atirando. Ele foi morto pelas costas, não teve chance. Meu filho tinha família, só Deus sabe o que eu estou sentindo, dói muito. O Matheus teve a vida interrompida, os planos. Isso tem que acabar, esta situação precisa dar um basta".

Matheus fazia parte de um grupo de valsa que dançava em festa de debutantes. Ele participou de um evento ontem em São Gonçalo. "Matheus era um menino do bem, alegre, brincalhão, que nunca teve envolvimento com drogas. Era muito querido pelos amigos, que estão tristes e revoltados com a morte dele. Vamos buscar justiça para provar que Matheus é inocente", disse Alexander Izaias, responsável pelo grupo de dança.

Outra vítima é Júlio Morais de Lima, de 23 anos. A irmã do rapaz não quis se identificar, mas garante que ele não tem envolvimento com o tráfico. Segundo ela, Júlio trabalhava como auxiliar de serviços gerais em uma churrascaria. "Meu irmão não era envolvido com o crime. Ainda não sabemos se ele foi morto quando saía ou chegava em casa. Mas, vamos atrás de Justiça para provar a inocência do meu irmão", disse.

Segundo a irmã, Júlio Morais de Lima, de 23 anos, não tem envolvimento com o crime - Reprodução

Segundo a polícia, as vítimas teriam ligação com o crime organizado. Os baleados chegaram a ser levados para o Hospital Miguel Couto, na Gávea. Os policiais informaram que com os suspeitos foram apreendidos um fuzil, sete pistolas e uma granada. O grupamento Aeromóvel (GAM) realiza monitoramento aéreo na região e o cerco foi reforçado.

O tiroteio começou quando policiais do Batalhão de Choque, que realizavam patrulhamento nas localidades conhecidas como Rua 2 e Roupa Suja, foram atacados por criminosos. A ação aconteceu pouco mais de um mês após a assinatura do decreto que determinou a intervenção federal na área de segurança pública do estado do Rio de Janeiro.

Apreensões feitas pela polícia na ação deste sábado - Divulgação / Pmerj

Os oito mortos no confronto deste sábado engrossam as estatísticas de violência na Rocinha. Em seis meses de ocupação, 47 criminosos foram mortos. Além deles, uma turista espanhola, um morador e dois policiais morreram.

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