Farmácias vendem até chinelos e alimentos para aumentar as vendas - Francisco Edson Alves
Farmácias vendem até chinelos e alimentos para aumentar as vendasFrancisco Edson Alves
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Rio - Farmácias de mais, farmacêuticos de menos. O quadro do setor no estado do Rio preocupa, já que, conforme dados do Conselho Regional de Farmácia do Estado (CRF-RJ), pelo menos 30% dos 7 mil estabelecimentos (o equivalente a 2,1 mil) descumprem as leis federais 5.991/73 e 13.021/14, que determinam a presença obrigatória de farmacêutico habilitado durante todo o expediente. O problema é grave, pois coloca a saúde da população em risco, segundo especialistas.

Cerca de 17,8 mil farmacêuticos, segundo o CRF, estão em atividade, mas o número é insuficiente. Entre as 134 funções desse profissional, conferir a receita do médico, orientar horários e prescrever remédios que não exijam receitas, estão entre as mais importantes. "A interpretação equivocada de uma receita pode matar", adverte o consultor em saúde, Thomázio Silva.

De acordo com a presidente do CRF-RJ, Tânia Mouço, o assunto é um dos desafios da entidade. "A precariedade maior é no interior, onde a proporção é de 0,6 farmacêutico por estabelecimento, contra 1,8 na capital. A solução é promover ações de interiorização e esperar novos formandos".

Levantamento do Conselho revela que capital detém 37% do total de estabelecimentos, seguida de 20 cidades da Região Metropolitana (30%) e 71 do interior (33%). Só o Sul Fluminense tem mais de 500: 150 em Volta Redonda, um dos municípios que mais têm farmácias, como Itaocara, no Noroeste, e Búzios, na Região dos Lagos. Em Volta Redonda, o número aparentemente exagerado chama a atenção na esquina da Avenida Amaral Peixoto com Rua São João: seis estabelecimentos em 100 metros.

"Mas não têm diferença significante de preços", lamentou a cabeleireira Janethe Percival, 50 anos. Por solicitação do DIA, ela pediu para falar com farmacêuticos de plantão. "Nas seis disseram que havia (assim como informado à reportagem por funcionários), mas eu não sei quem é farmacêutico ou balconista", argumentou. Essa questão também foi detectada na pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, em que mais da metade dos entrevistados, 54%, não consegue diferenciar farmacêutico de atendente de balcão.

Aumento de 9% nas vendas no passado
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De acordo com a Federação Brasileira de Farmácias (Febrafar), no Brasil há mais de 77 mil estabelecimentos do ramo. As distribuidoras de medicamentos tiveram alta de 9% nas vendas em 2017, em comparação com 2016, quando o setor movimentou R$ 50 bilhões, colocando o país em oitavo lugar no mercado mundial. A estimativa é que em 2021 chegue ao quinto.
Tânia Mouço, presidente do CRF-RJ, lembra que não há número ideal de unidades. "A afirmação de que a Organização Mundial da Saúde recomenda uma farmácia por 10 mil habitantes não procede. A OMS recomenda distância mínima".
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A diversidade de produtos, como perfumaria, alimentos, cosméticos e até calçados, incentivam a expansão. "Nossa missão é fiscalizar e exigir a obrigatoriedade e valorização do farmacêutico inscrito no CRF, em todos os estabelecimentos", completa Tânia Mouço.
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