
Rio - Farmácias de mais, farmacêuticos de menos. O quadro do setor no estado do Rio preocupa, já que, conforme dados do Conselho Regional de Farmácia do Estado (CRF-RJ), pelo menos 30% dos 7 mil estabelecimentos (o equivalente a 2,1 mil) descumprem as leis federais 5.991/73 e 13.021/14, que determinam a presença obrigatória de farmacêutico habilitado durante todo o expediente. O problema é grave, pois coloca a saúde da população em risco, segundo especialistas.
Cerca de 17,8 mil farmacêuticos, segundo o CRF, estão em atividade, mas o número é insuficiente. Entre as 134 funções desse profissional, conferir a receita do médico, orientar horários e prescrever remédios que não exijam receitas, estão entre as mais importantes. "A interpretação equivocada de uma receita pode matar", adverte o consultor em saúde, Thomázio Silva.
De acordo com a presidente do CRF-RJ, Tânia Mouço, o assunto é um dos desafios da entidade. "A precariedade maior é no interior, onde a proporção é de 0,6 farmacêutico por estabelecimento, contra 1,8 na capital. A solução é promover ações de interiorização e esperar novos formandos".
Levantamento do Conselho revela que capital detém 37% do total de estabelecimentos, seguida de 20 cidades da Região Metropolitana (30%) e 71 do interior (33%). Só o Sul Fluminense tem mais de 500: 150 em Volta Redonda, um dos municípios que mais têm farmácias, como Itaocara, no Noroeste, e Búzios, na Região dos Lagos. Em Volta Redonda, o número aparentemente exagerado chama a atenção na esquina da Avenida Amaral Peixoto com Rua São João: seis estabelecimentos em 100 metros.
"Mas não têm diferença significante de preços", lamentou a cabeleireira Janethe Percival, 50 anos. Por solicitação do DIA, ela pediu para falar com farmacêuticos de plantão. "Nas seis disseram que havia (assim como informado à reportagem por funcionários), mas eu não sei quem é farmacêutico ou balconista", argumentou. Essa questão também foi detectada na pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, em que mais da metade dos entrevistados, 54%, não consegue diferenciar farmacêutico de atendente de balcão.






