Cirurgia robótica se expande e se prepara para desafios

Dos 39 robôs que operam no país, oito estão no Rio de Janeiro

Por FRANCISCO EDSON ALVES

Cirurgia robótica já tem o triplo de robôs que operavam há uma década atrás
Cirurgia robótica já tem o triplo de robôs que operavam há uma década atrás -

Rio - Dez anos depois de chegar ao Brasil cinco no Rio de Janeiro , a cirurgia robótica já conta com 39 robôs-cirurgiões, o triplo de dois anos atrás. A técnica revolucionária, que evita hemorragias e grandes incisões, se expande com rapidez e se prepara para dois desafios: estender o atendimento à rede pública e oferecer operações à distância, inclusive a partir de outros países.

"Minha cirurgia, através de quatro furinhos na pele, sem dor, durou duas horas. Em 13 dias já estava trabalhando", conta o cirurgião Gastão Santos, de 66 anos, curado de câncer de próstata.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica do Rio (SOBRACIL-RJ), a capital fluminense já tem oito robôs-cirurgiões. Dois pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no Hospital Naval Marcílio Dias, destinado a militares, e no Instituto Nacional do Câncer (Inca), pioneiro no estado.

Segundo o médico Maurício Rubinstein, presidente da entidade, hoje o estado é o segundo, atrás de São Paulo, em números de cirurgias robóticas, que chegaram a 6,3 mil intervenções em 2017. "Este ano, vamos passar de 8 mil", prevê.

Só o Inca, desde 2012, já fez 758 cirurgias de cabeça e pescoço, ginecológicas, de abdome e urológicas. Há também robôs-cirurgiões nos seguintes hospitais privados: Samaritano, Copa Star, Quinta D'Or, São Lucas, Barra D'Or e Américas. Na rede particular, as cirurgias ainda são muito caras, podendo variar de R$ 5 mil e R$ 30 mil.

Para Maurício, os ganhos para a medicina, com diagnósticos mais rápidos e descobertas de doenças ainda na fase inicial, fazem da tecnologia robótica o sonho de dez entre dez estabelecimentos em saúde.

"O aumento do número de robôs ocorrerá gradualmente, com a elevação do número de fabricantes de equipamentos (setor dominado pelos EUA e redução de custos (um robô pode custar até R$ 35 milhões)", diz o médico.

Pedro Romanelli, urologista e professor do Instituto de Treinamento em Técnicas Minimamente Invasivas e Cirurgia Robótica (IRCAD), maior do gênero na América Latina, também aposta na popularização das `médicos-robôs. "É uma tendência sem volta". A SOBRACIL tem investido em cursos de iniciação à cirurgia robótica, técnica já dominada por 50 médicos fluminenses.

Capacitação de médicos é prioridade hoje

A cirurgia robótica é sucesso atualmente em diversas especialidades, como urologia, ginecologia, e cirurgias geral, torácica, entre outras. As cirurgias mais comumente realizadas no mundo por robôs são as que combatem o câncer de próstata e a retirada do útero. Cerca de 95% das cirurgias para câncer de próstata nos Estados Unidos são realizadas por robôs. Números do setor mostram crescimento de até 500% no número de procedimentos operatórios por máquinas nos últimos cinco anos no Brasil.

Maurício Rubinstein lembra que a capacitação de médicos para operarem robôs cirúrgicos é prioridade da SOBRACIL. "O sistema robótico não elimina erros humanos", justifica.

EUA já têm 3 mil cirurgiões-robôs

O cirurgião robótico Nilo Jorge Leão, que atende em diversos hospitais do país, também torce pela expansão do sistema, presente em sete estados. "Nos EUA já existem mais de 3 mil plataformas de cirurgias por robôs", compara.

No Brasil, a urologia é a especialidade que mais utiliza robôs. A primeira cirurgia robótica brasileira se deu no Hospital Sírio-Libanês, em 2008. O cirurgião controla braços mecânicos com câmeras, pinças e outros instrumentos cirúrgicos. Devido à sua precisão, o médico zera qualquer tipo de tremor e alcança cavidades impossíveis de se chegar com as mãos.

O médico opera por meio de um painel, que lembra um fliperama antigo, mas com comandos de última geração. Tudo em imagens 3D, ampliadas entre 10 e 15 vezes.

Galeria de Fotos

Cirurgia robótica já tem o triplo de robôs que operavam há uma década atrás FOTOS Divulgação
Maurício Rubinstein acredita que popularização da cirurgia robótica seja breve Divulgação
Cirurgia robôs Kiko

Comentários

Últimas de Rio de Janeiro