Justiça condena três pessoas pela morte de mulher durante aborto em 2014

Rosemere, considerada a chefe da quadrilha, foi condenada a 35 anos e meio de prisão. Falso médico responsável pelo procedimento foi condenado a 26 anos e meio

Por O Dia

Jandira morreu durante um aborto em uma clínica clandestina, em agosto de 2014. Envolvidos no procedimento carbonizaram o corpo da vítima
Jandira morreu durante um aborto em uma clínica clandestina, em agosto de 2014. Envolvidos no procedimento carbonizaram o corpo da vítima -

Rio - O Tribunal de Justiça (TJ) condenou os trés acusados pela morte de Jandira Magdalena dos Santos Cruz, após um aborto clandestino realizado em Campo Grande, na Zona Oeste da cidade, em agosto de 2014. A sentença foi publicada na madrugada desta sexta-feira. Além da morte no procedimento ilegal, os criminosos cometeram outro crime: carbonizaram o corpo da vítima, que foi encontrado semanas depois em Mangaratiba, na Costa Verde.

De acordo com as investigações, Carlos Augusto Graça de Oliveira, que realizava os abortos e se apresentava como médico, apesar de não ter concluído o curso de Medicina; Rosemere Aparecida Ferreira, acusada de ser a chefe da quadrilha, responsável por organizar e dirigir a clínica clandestina; Vanusa Vais Baldacine, que era responsável pelo transporte das “pacientes” do local de encontro até a “clínica” – que, na verdade, era uma residência - e que buscou Jandira na rodoviária de Campo Grande para levá-la para a cirurgia.

Rosemere foi condenada a 35 anos e seis meses de prisão. Já Carlos Augusto a 26 anos e 6 meses de prisão, e Vanusa a 15 anos e 6 meses de prisão. Quatro testemunhas foram ouvidas: dois policiais civis que participaram das investigações; uma mulher que foi à clínica no mesmo dia em que Jandira morreu, porém desistiu de fazer o aborto e o frentista que teria vendido a gasolina - supostamente usada para destruir o corpo de Jandira.

Dos três acusados, apenas Rosemere aceitou ser interrogada. Ela confirmou a formação de quadrilha para a prática de aborto, assim como o trabalho na clínica clandestina. Contou que, após ser constatada a morte de Jandira, todos os que estavam no local abandonaram a casa. Ela teria, então, ido até um sítio procurar o réu Luciano Pacheco, apontado como sendo miliciano, que aceitou se desfazer do cadáver. De acordo com Rosemere, ela teria deixado o corpo de Jandira no sítio e não teve nenhuma participação na ocultação e destruição de seu cadáver.

Carlos Augusto e Vanusa usaram o direito de se manterem calados durante o interrogatório. O Ministério Público, no entanto, exibiu um vídeo com o primeiro depoimento do “médico”, onde ele confirmava que realizava abortos na clínica clandestina e que recebia R$ 600, 00 por cada procedimento. Ele também afirmou que abandonou o local quando constatou a morte de Jandira.

Na decisão, o juiz destacou que o grupo era uma quadrilha "organizada e sofisticada", que operou durante anos em toda a cidade. "Valeram-se da vulnerabilidade de mulheres que, muitas vezes em situação de desespero, como é o caso aqui retratado, submeteram-se à clínica", disse o magistrado. 

Relembre o caso

No dia 26 de agosto de 2014, Jandira, então grávida de cinco meses, saiu de casa para realizar o procedimento de aborto em uma clínica ilegal em Campo Grande e não voltou mais. Segundo a investigação, ela entrou em um carro na Rodoviária do bairro da Zona Oeste do Rio em direção a uma clínica ilegal. O procedimento teve complicações e ela acabou morrendo.

Para ocultar vestígios da morte, o grupo envolvido no crime carbonizou o corpo de Jandira em um carro, que foi encontrado em Mangaratiba. Após exames de DNA com material genético da mãe da vítima, foi confirmada que o corpo encontrado, sem os membros, era de Jandira.

 

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