'Está doendo muito. Tiraram um pedaço de mim', diz mãe de funkeiro morto na Baixada

Paulo Cesar da Silva, conhecido como MC G3, foi morto em sua casa em Vila São Luiz, em Duque de Caxias, com três marcas de tiros, segundo a mãe Luísa da Silva, de 51 anos, que encontrou o corpo

Por GUSTAVO RIBEIRO

MC G3 foi encontrado morto em sua casa, na Baixada
MC G3 foi encontrado morto em sua casa, na Baixada -

Rio - A mãe de Paulo Cesar da Silva, conhecido como MC G3, morto dentro de casa por criminosos na quarta-feira, esteve junto com outros familiares no Instituto Médico Legal (IML) de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na manhã desta quinta-feira. Foi ela que encontrou o corpo do filho, após várias tentativas de falar com ele e não conseguir.

Quando chegou da igreja, muito preocupada com a falta de notícias do filho, decidiu pegar um mototáxi e foi à casa dele, onde ele morava há pouco mais de um ano sozinho. "Quando eu cheguei lá, o portão da escada estava aberto. A casa estava toda apagada e a porta aberta. Quando eu acendi a luz, me deparei com o meu filho deitado de costas na porta do quarto, a sala cheia de sangue, aquele rastro. Eu gritei e os vizinhos vieram me socorrer, porque eu pensei que meu filho estava com vida", detalhou. 

A família foi procurada ontem à tarde por amigos que buscavam informações sobre o cantor, estranhando porque ele estava muito tempo offline nas redes sociais. "Está doendo muito. Tiraram um pedaço de mim. Podiam levar o que quisessem, mas deixava o meu filho. Meu filho era muito bom. Pergunta aos vizinhos, a todo mundo. Ele era uma alegria. Não tinha necessidade de fazer essa maldade com ele. Criei meu filho pobre, mas dei educação", disse a mãe.

"Quer roubar? Rouba. Mas deixa a vida da pessoa. Eu só tinha ele, ele tinha uma filha de 11 anos. Por que essa maldade? Acabou comigo. Acabou porque eu só tinha ele. Meu filho único. Muito bom pra mim. Nunca fez nada de ruim pra eu falar que ele era mau", desabafou a artesã.

Segundo um primo do funkeiro, que não quis se identificar, disse que vizinhos escutaram alguém pedindo "socorro" ainda na madrugada de quarta-feira, mas acharam que seria um morador de rua que costuma gritar na rua. Ele acredita que algum conhecido pode ter ajudar no crime, já que não houve arrombamento.

Dia dos Pais com a filha e a mãe

MC G3 deixou uma filha de 11 anos, que morava com a mãe em Cordovil, na Zona Norte do Rio. O cantor passou o último domingo, o Dia dos Pais, com a menina e a mãe. Segundo ela, Paulo Cesar estava muito feliz. 

"Ele almoçou comigo no domingo, feliz, me beijou, beijou a filha. Os dois brincaram. Eu fiz e ele comeu o manjar que ele gostava. A filha fez salada de frutas pra ele. Saiu de casa numa alegria, foi a última vez que eu vi meu filho, entrando no carro. Ele disse: 'Mamãe, tchau'. E foi, meu Deus", falou. 

O pai de G3, Carlos Henrique Batista Veloso, 52 anos, disse que o filho sempre cantou. "Ele era trabalhador desde que nasceu. Pequeno, trabalhava como camelô e era artista desde criança. Quando eu estava na igreja, senti uma angústia no peito, mas não sabia que meu filho já estava morto", contou o autônomo.

De acordo com os familiares, o nome artístico era uma referência ao grupo evangélico Oficina G3, do qual o funkeiro era fã. Antes, ele era conhecido como MC PC (Paulo Cesar). O corpo dele será enterrado no Cemitério de Irajá nesta sexta-feira, às 13h30. 

 

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