Moradores procuram por corpos na mata do Complexo da Penha

Buscas acontecem após dois dias de operações nos complexos da Penha, Alemão e da Maré

Por O Dia

Imagens divulgadas no início da noite de ontem em redes sociais e coletivos mostram moradores seguindo para a mata no Complexo da Penha
Imagens divulgadas no início da noite de ontem em redes sociais e coletivos mostram moradores seguindo para a mata no Complexo da Penha -

Rio - Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, procuraram por corpos na mata da comunidade, na tarde desta terça-feira. Segundo relatos, corpos estariam espalhados pela mata e militares não estariam permitindo o acesso. As buscas acontecem após dois dias de operações nos complexos da Penha, Alemão e da Maré, para o combate do crime organizado.

"Lideranças (comunitárias), moradores e moto táxis foram resgatar os corpos. Mas, o Exército não quer deixar a família enterrar (...) Estamos unidos para que acabe esse absurdo de intervenção, que só serve para colocar pobre contra o pobre, porque o social dentro das comunidades até agora não chegou. Somente banho de sangue", desabafou um representante da comunidade em relato publicado no Facebook.

Em nota, o Comando Militar do Leste informou que não há confirmação oficial de corpos encontrados hoje na área em que as operações estão sendo conduzidas. "O acesso de pessoas a qualquer parte da área de operações é livre, exceto se houver riscos à integridade física da população, das forças de segurança ou comprometimento da eficácia da própria operação", diz um trecho do comunicado. 

Suposto resgate

Segundo relatos, mais cedo, dois corpos teriam sido retirados da mata na Chatuba, na Vila Cruzeiro, favela do Complexo da Penha, segundo moradores. Vídeos feitos mostram corpos sendo carregados em dois lençóis. Quem os leva, corre, pois tiros são ouvidos. Agentes da sala de polícia do Hospital Getúlio Vargas confirmaram a chegada dos corpos. Somente os primeiros nomes foram divulgados: Vanderson e Vinícius, ambos maiores de idade. Eles tinham marcas de tiros no peito e nas pernas.

O promotor Jorge Melgaço, do Ministério Público Militar, disse que irá averiguar as informações. "Ainda não recebi nenhum relato oficial a respeito. É necessário ter cautela pois o tráfico também usa boatos para jogar a opinião pública contra a tropa", disse.

A Defensoria Pública do Estado do Rio disse que vai novamente ouvir os moradores sobre as operações e o ouvidor-geral da Defensoria, Pedro Strozenberg, afirmou que acompanha com preocupação os relatos.

O Coletivo Papo Reto e a ONG Redes da Maré denunciaram truculência por parte dos agentes. Além de invasões a residências, crianças teriam sido revistadas. O CML disse que todas as denúncias devem ser formalizadas para averiguação.

Jovens presos 

No início da noite desta terça-feira, moradores do Complexo da Penha realizaram um protesto contra o desaparecimento de cinco jovens identificados apenas como Rael, Patrick, Marcio, Douglas e Vinicius. Segundo a tia de um deles relatou, em uma live feita pela página Voz das Comunidades, os rapazes teriam sido levados por militares e, desde então, os parentes não tiveram mais notícias.

"Prenderam meu sobrinho, meu genro, dentro de casa. E até agora não tivemos notícias de onde eles estão. A gente já tá cansada de tanta injustiça. Não é porque tinham cinco homens dentro de casa que são traficantes", contou.  

Ainda de acordo com a mulher, outra familiar está na Cidade da Polícia em busca de informações sobre os jovens. "Eles não podem entrar na casa de um cidadão e sair arrombando e quebrando tudo, bater no meu sobrinho, bater em trabalhador. A gente está indignado", continuou. 

Procurado, o Comando Militar do Leste (CML) não se pronunciou sobre o caso.  

 

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