'Estamos à mercê', diz moradora de Copacabana após tiroteio na Ladeira dos Tabajaras

Operação da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) e do Grupamento de Intervenção Tática (GIT) da UPP local tem o objetivo de reforçar o patrulhamento na favela. Quem mora na região diz que projeto de pacificação 'faliu'

Por RAFAEL NASCIMENTO

Morador registra tiroteio no Tabajaras, em Copacabana
Morador registra tiroteio no Tabajaras, em Copacabana -

Rio - A Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, na Zona Sul, que possui uma Unidade de Polícia Pacificadora, (UPP) é foi alvo de operação nesta terça-feira. A ação da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) e do Grupamento de Intervenção Tática (GIT) da UPP local tem o objetivo de reforçar o patrulhamento na favela. Muitos tiros foram ouvidos logo nas primeiras horas da manhã e moradores relataram o pânico provocado pelo confronto. 

A Polícia Militar disse que os policiais foram recebidos a tiros pelos criminosos e houve confronto. Até 10h, não havia registro de feridos, presos ou apreensões durante a operação na Ladeira dos Tabajaras. Por lá, os tiros foram ouvidos antes das 6h. "Tabajaras em guerra desde cedo só tiros de fuzil", relatou um morador da região. "Acordei com o barulho daqui da (Rua) Figueiredo (de Magalhães)", avisou outro. "Também acordei com um imenso tiroteio. Estou ouvindo aqui na (Rua) Santa Clara", disse uma terceira.

O DIA conversou com moradores do bairro, que contaram os momentos de horror, que duraram pelo menos duas horas. Para eles, é consenso que os confrontos são "reflexo da falência das Unidades de Polícia Pacificadoras do Rio".

"Tudo começou antes das 6h da manhã. Muito tiro e com intensas rajadas”, lembra a bióloga Rita Maria Figueiredo, de 65 anos, que mora no bairro há mais de 20 anos. Segundo Rita, há quase um ano ela não escutava um confronto tão intenso como o desta terça-feira. "Estamos à mercê. Tiroteios frequentes (em várias partes da cidade), assaltos a pedestres, roubos de celulares e tudo aqui em Copacabana. Tenho tanto medo da violência que estou saindo do Rio e estou indo morar em São João Del Rey (MG)”, completou.

"É terrível acordar e ver que estamos largados. Ver o Rio assim é lamentável. Não temos mais a quem recorrer”, disse Maria José Alvarez, 60, professora aposentada. "Pensei que a intervenção na segurança do Rio iria ajudar em alguma coisa. No entanto, me enganei", afirmou.

 

 

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