Por RAFAEL NASCIMENTO

Rio - As investigações da Polícia Civil revelaram que as três milícias — alvos da operação realizada, na manhã desta segunda-feira, com o apoio do Ministério Público (MP) — são as responsáveis por mais de 50% dos homicídios entre 2016 e 2018, nas localidades de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, na Região Metropolitana. Até o momento, 19 integrantes dos grupos paramilitares foram presos. 

Os milicianos, de acordo com as investigações, disseminavam "o terror e exercia domínio sobre os moradores"."Muitas vezes não conseguíamos elucidar esses crimes pela forma de atuação desses grupos. As pessoas conhecem os criminosos, matam sem qualquer disfarce, à luz do dia”, explicou Bárbara Lomba, delegada titular da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG). 

Ainda segundo a delegada, as investigações começaram em janeiro deste ano a partir de informações de inquéritos de homicídios no bairro de Neves, em São Gonçalo. A apuração levou os investigadores à identificação de Felipe Raoni da Silva, conhecido como Mineirinho, como autor dos crimes e integrante do grupo paramilitar. A arrecadação da organização gira em torno de R$ 100 mil por mês, podendo chegar até R$ 1,2 milhão ao ano, já que os valores exigidos podiam chegar até R$ 12 mil por estabelecimento para fazer a "segurança", ainda de acordo com Bárbara Lomba.

Anderson Cabral Pereira, conhecido como Sassa, foi flagrado em diversas escutas da Justiça conversando sobre extorsões, arrecadações de dinheiro e exigindo que pessoas do seu grupo pagassem policiais corruptos do 7º BPM (São Gonçalo). Ele, que foi um dos alvos da ação, está preso desde 2009 em Bangu 9, no Complexo de Gericinó.

O homem foi flagrado dando ordens de dentro do presídio. A Polícia Civil pedirá a transferência de Sassa para uma unidade prisional federal. 

Milicianos e 7º BPM (São Gonçalo) 

Os investigadores descobriram que os milicianos usavam armas de policiais militares do 7° BPM. A polícia agora apura quem alugava o armamento. "Policiais do batalhão alugavam armas para que milicianos tomassem áreas do trafico de drogas. Inclusive, em uma escuta, o Sassa mandou que o morro do Castelar fosse invadido e tomado pela milícia", contou a delegada. 

O sargento da Polícia Militar Wainer de Teixeira Júnior foi um dos presos da operação. Ele é acusado de ser miliciano em Maricá, na Região Metropolitana do Rio, e já foi lotado no 7º BPM (São Gonçalo). Em 2012 ele foi candidato a vereador pela cidade que mora, mas acabou não sendo eleito. O policial tentou concorrer novamente quatro anos mais tarde, mas foi considerado “inapto” pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma vez que não prestou contas de sua campanha anterior, e desistiu da disputa em 2012.

Segundo o promotor Sérgio Lopes Pereira, eles tomavam imóveis de famílias de traficantes e de pessoas que não pagavam a mesada, que tinha o valor de R$ 70. "Pessoas pobres, que tinham dificuldades para comer, e mesmo assim eles tomavam a casa. Ou então, na maioria das vezes, a dívida ia crescendo e as famílias entregavam a casa para os milicianos para quitar a dívida. Eles corrompiam policiais civis e militares", comentou o promotor da Vara de Maricá

 

 

 

 

 

 

 
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