Advogado é morto a tiros em tentativa de assalto na Zona Norte

Nelson Weinstein demorou para retirar o cinto de segurança e criminosos entenderam como uma possível reação da vítima

Por RAFAEL NASCIMENTO

Nelson Weinstein foi morto depois que saiu do trabalho e voltava para casa
Nelson Weinstein foi morto depois que saiu do trabalho e voltava para casa -

Rio - Um advogado foi morto a tiros durante uma tentativa de assalto, na noite desta segunda-feira, na Avenida Meriti, em Jardim América, Zona Norte do Rio. De acordo com relatos de testemunhas, Nelson José Castro Weinstein, 51 anos, demorou para retirar o cinto de segurança e os criminosos entenderam como uma possível reação da vítima. Os bandidos fugiram sem levar um pertence do homem.

Muito abalados, familiares estiveram no Instituto Médico Legal (IML), na manhã desta terça-feira, para reconhecer o corpo. Luciana Cristina Weinstein, 36, esposa de Nelson, conta que no local onde o advogado foi morto era um caminho obrigatório para o marido chegar na empresa de materiais elétricos, onde ele atuava na área trabalhista.

“Ele saía de casa todo dia as 7h30 e chegava, normalmente, por volta das 19h, na nossa casa na Tijuca. E ontem não foi diferente. Saiu às 18h da empresa. Não estranhei sua demora. Só depois que me ligaram e disseram o que tinha acontecido”, lembra a mulher.

Cristina diz que o esposo procurava rotas diferentes para evitar a violência. “Nelson nunca havia sido assaltado. Mas, como todo mundo, ele evitava alguns caminhos. No entanto, para sair do trabalho ele era obrigado a passar por algumas comunidades”, afirma.

Luciana Cristina Weinstein, esposa de Nelson - Estefan Radovicz / Agência O D

“O momento mais difícil vai ser quando eu for dar a notícia para o meu filho de 5 anos. Agora, ele está lá em casa brincando com o jogo que o pai o ajudou a montar no fim de semana. Nelson sempre foi um pai presente e muito brincalhão”, conta Luciana, bastante emocionada. Além do pequeno, o advogado deixa dois filhos de 27 e 17 anos. 

Sobre a violência, a mulher é enfática: “É muito difícil a gente ouvir falar na TV que a violência está atingindo essa cidade. Mais difícil ainda é ter que passar por ela. É doloroso. Eu ainda não reconhecido o corpo do meu marido e por isso eu não estou acreditando. Não caiu a ficha”, diz.

“A partir de agora vou ter que criar o meu filho com a ajuda dos parentes. Vamos tentar tocar a vida”, completa Luciana.

Nelson Weinstein havia terminado uma pós-graduação no último sábado e iria receber o diploma no próximo dia 8. Nesta quarta-feira, o advogado iria começar uma nova especialização.

Os pais do advogado trabalhista estão vindo do sul do estado para o sepultamento do filho que deve acontecer amanhã. A família ainda não escolheu o cemitério. 

A irmão do advogado - Estefan Radovicz / Agência O

Para a irmã do advogado, Cátia Weinstein, 58 anos, as pessoas banalizaram a vida. "Meu irmão era mais novo, correto e trabalhador. Ele estudou muito e era avesso à violência. Nelson foi morto porque as pessoas pensaram que ele estava armado, meu irmão só queria tirar o cinto", chora.

"Eu não consigo ter raiva da pessoa que atirou, eu só consigo ter pena. Eu tenho raiva do sistema. Quem fez isso com o meu irmão não valoriza a própria vida, a gente tem que repensar e ser mais humano. A sociedade precisa ser menos egoísta e ter mais empatia. Hoje falta empatia no ser humano. Eu sou a irmã mais velha dele eu ajudei a criá-lo, hoje eu tive que vir aqui reconhecer o corpo", conclui Cátia.

A Delegacia de Homicídios (DH) da Capital instaurou um inquérito policial para apurar as circunstâncias de Nelson. Agentes realizaram uma perícia no local e as investigações estão em andamento para identificar a autoria do crime.

Nelson trabalhava há cinco anos em uma loja do Jardim América. Ele foi abordado pelos criminosos em outro veículo, quando tentava acessar a Avenida Brasil para seguir para Tijuca, também na Zona Norte, onde morava. 

De acordo com o delegado Willians Batista, duas pessoas já prestaram depoimento. "Elas disseram que o carro foi cortado por um Gol branco e eles pararam em frente ao carro, para anunciar o roubo do veículo", diz. "Nós já temos toda a ação filmada, estamos em busca de mais imagens para identificar esses criminosos", completa. 

Nelson Weinstein - Reprodução redes sociais

Ainda segundo o delegado, tinha pelo menos cinco suspeitos e eles estavam fazendo arrastão. Eles viram o carro do advogado, um Toyota Prius, e quiseram roubar.  O laudo do IML diz que o tiro acertou o lado esquerdo do peito, atingindo aorta torácica e o pulmão do advogado. A bala saiu na região lombar.

Nas redes sociais, familiares e amigos lamentaram a morte do advogado

"Estamos muito abalados. Ele era muito querido por todos", escreveu uma sobrinha. "Era uma pessoa excelente", comentou um amigo. "Meu Deus, perdemos um excelente profissional e um grande amigo de trabalho", declarou outro. Não há informações sobre o sepultamento de Nelson. A família aguarda a liberação do corpo. 

Na noite deste domingo, Luanna Alves, foi morta durante um assalto em Itaguaí, na Região Metropolitana. De acordo com testemunhas, a mulher, de 25 anos, teria ficado nervosa na hora de entregar seus pertences pessoais e foi esfaqueada com a filha de sete meses no colo.

Galeria de Fotos

Nelson Weinstein foi morto depois que saiu do trabalho e voltava para casa Arquivo Pessoal
Nelson Weinstein Reprodução redes sociais
Luciana Cristina Weinstein, esposa de Nelson Estefan Radovicz / Agência O D
A irmão do advogado Estefan Radovicz / Agência O

Últimas de Rio de Janeiro