Professora acusa agentes do Metrô de 'perseguição política' por causa de bótons com dizeres 'Ele Não'

Educadora alega que estava carregando acessórios para um evento no CCBB quando seguranças a trataram com 'truculência'

Por O Dia

Passageira alega que tema político dos acessórios foi motivo de ação dos agentes
Passageira alega que tema político dos acessórios foi motivo de ação dos agentes -

Rio - Uma professora de Cachoeiras de Macacu, na Região Metropolitana do estado, afirma que foi vítima de "perseguição política" em um caso que envolveu agentes do Metrô, na tarde desta quarta-feira. De acordo com a educadora, ela carregava cerca de 200 bótons que iria vender no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Centro do Rio. Quando estava a caminho do espaço cultural, via metrô, na altura da estação Glória, ela teria sido acusada com "truculência" pelos agentes da concessionária de estar vendendo-os em um vagão.

"Estou muito abalada. Com uma tristeza que não sei se é maior que a revolta. Isto se chama perseguição política. Truculência. Já conhecemos as práticas dos seguranças do Metrô Rio violentando artistas ", ela postou, em uma rede social. "Estou nervosa e tentando não entrar em pânico. Agora é tentar reaver meus bótons e tomar as providências cabíveis", completa.

Uma outra passageira, que também esteve envolvida no episódio, disse que estava no metrô quando viu a professora e seus bótons em uma espécie de mostruário de grade. "Eu fiquei olhando os bótons curiosa e vi muitos pelos quais me interessei. Mas a moça estava na dela, não estava vendendo. Mas por conta dos eventos que costumo frequentar percebi que ela iria vendê-los em algum evento", a passageira relata, também nas redes sociais.

Ela continua dizendo que se interessou pelos acessórios e perguntou se a professora iria vendê-los. Diante da resposta afirmativa, a passageira pediu um com os dizeres "Ele Não". "Na dúvida se pegava um outro da Marielle (Franco) ou dos Panteras Negras fui catando o dinheiro que eu sabia que tinha colocado em um dos bolsos da calça. Quando eu escolhi e peguei o dos Panteras Negras e dei o dinheiro na mão dela, do nada apareceram cinco seguranças do metrô", a passageira relata. "Eles olharam os bótons, foram super ignorantes com ela e comigo e levaram ela para fora do vagão e a cercaram tentando tirar os bótons da mão dela na base da força".

'Deboche'

A passageira disse que teria ficado sem reação ao ver a cena, até que as portas do vagão se fecharam. Ela diz ter descido na estação seguinte, Glória, e retornado para a estação onde a professora tinha sido retirada do metrô. "Explicamos inúmeras vezes que ela não estava vendendo, que ela não era ambulante, que eu que puxei assunto com ela. E eles nos destrataram e deslegitimavam a todo momento enquanto uma mulher retirava todos os bótons dela do mostruário dentro da cabine", relata.

Ela continua dizendo que teria sido tratada com "deboche" pelos agentes do metrô. "Sabemos que eles estavam 'fazendo o trabalho deles', mas tanto eu, quanto ela, quanto a pessoa que me acompanhava sentimos que a situação não teve um desfecho positivo pelo fato dos bótons terem conotação política de esquerda. Nós percebemos a raiva com que eles olhavam para os bóttons e para a gente. E ficaram com mais raiva ainda ao verem que eu tinha saído do metrô e voltado para ir ajudá-la", lamenta a passageira, que está em contato com a professora.

Confira abaixo o posicionamento na íntegra do MetrôRio:

O MetrôRio informa que, na última quarta-feira (24/10), por volta das 16h, uma mulher foi flagrada vendendo botons dentro de um trem na estação Glória. Os agentes de segurança abordaram a vendedora, explicaram o motivo do recolhimento e apreenderam a mercadoria.

O MetrôRio ressalta que a venda de produtos dentro das composições é proibida, conforme determinam a Lei Federal nº 6.149/74, Decreto nº 2.522/79 e a Resolução nº 1.264/2017, da Secretaria de Estado de Transportes (Setrans). Para cumprimento do que determina a Lei, os agentes de segurança são orientados a retirar os ambulantes do sistema metroviário, de forma pacífica, com o objetivo de manter a ordem no sistema e a qualidade do serviço prestado aos clientes.

Nossos agentes de segurança, ao serem contratados, realizam treinamento específico de técnicas de segurança e atendimento ao público, com duração de cinco meses, e periodicamente são submetidos a cursos de reciclagem para melhor atender os clientes.

O MetrôRio realiza campanha educacional nos trens para conscientizar seus clientes sobre o comércio ilegal, a origem e a qualidade dos produtos ofertados irregularmente dentro das composições. A Concessionária também solicita aos clientes que, sempre que possível, informem a presença de ambulantes nos carros no telefone de atendimento ao cliente, 0800 595 1111, e nas redes sociais.

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