Muzema: Família vive impasse sobre local de enterro de vítima de desabamento

Mãe de Raimundo Nonato do Nascimento quer que o filho seja enterrado no Ceará, seu estado natal, enquanto a mulher da vítima quer que o sepultamento ocorra no Rio. Além de Raimundo, também morreram três filhos do casal e um dos corpos foi achado hoje

Por LUIZ PORTILHO

Roã Carlos, irmão de Paloma Paes Leme, sobrevivente do desabamento no Muzema, comparece ao IML para reconhecer o corpo do sobrinho Isac. O cunhado, Raimundo Nonato do Nascimento, e outro sobrinho, Pedro Lucas, já tinham sido reconhecidos
Roã Carlos, irmão de Paloma Paes Leme, sobrevivente do desabamento no Muzema, comparece ao IML para reconhecer o corpo do sobrinho Isac. O cunhado, Raimundo Nonato do Nascimento, e outro sobrinho, Pedro Lucas, já tinham sido reconhecidos -

Rio - Roã Carlos Neves Barroso trava uma luta para enterrar os corpos de familiares que perdeu no desabamento de dois prédios na Muzema, Zona Oeste do Rio, na sexta-feira. O pedreiro, de 50 anos, perdeu o cunhado, Raimundo Nonato do Nascimento, os sobrinhos Pedro Lucas Paes Leme, 7 anos, Lauane, 15 anos, achada nos escombros nesta terça, e ainda reconheceu hoje um terceiro sobrinho, Isaque Paes Leme, 9, que faltava ser identificado no Instituto Médico Legal (IML).

A dificuldade de Roã está em liberar o corpo de Raimundo. A mãe da vítima deseja levar o corpo para ser enterrado no Ceará. Já a mulher, Paloma, que está hospitalizada no Hospital Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul, já manifestou o desejo de enterrá-lo no Rio, o que prevaleceria, segundo a Defensoria Pública.

"Eu consegui, através da Defensoria Pública, uma manifestação favorável para enterrar o Nonato no Rio. Um defensor foi ouvir a Paloma no hospital e ouviu dela esse desejo. Eu faço até um apelo. Se algum advogado puder me ajudar nisso", disse Roã.

O corpo do outro sobrinho , Isac, foi reconhecido na manhã desta terça-feira, através de um sinal de nascença. "Eu fiquei sabendo que havia um corpo a ser identificado e pedi ao pessoal do IML para ver. Ele tem uma mancha de nascença no ombro direito e o rapaz me mostrou uma foto com essa mancha. Então, foi feito esse reconhecimento", disse Roã Carlos.

Na família, seis pessoas foram vítimas do desabamento. Paloma, irmã Roã, o marido dela, Raimundo, e os filhos do casal, Rafael, Isac, Pedro Lucas e Lauane. Deles, sobreviveram Paloma e Rafael. Lauane, 16 anos, ainda está desaparecida.

Família nega pedidos de doação

O irmão de Paloma ainda reclamou que pessoas estranhas estão pedindo, sem autorização da família, doações para a irmã.

"Não estamos precisando de dinheiro agora. Não depositem nada para nós. Só queremos cuidar das vidas do Rafael e da Paloma. Quando minha irmã se recuperar, pensaremos nisso", afirmou o pedreiro.

Parentes de vítimas achadas hoje vão ao IML

Familiares das quatro vítimas encontradas em óbito sob os escombros nesta terça-feira já estão no Instituto Médico Legal (IML). Muito abalados, eles, porém, não quiseram falar com a imprensa. Com eles, subiu para 17 o número de mortos nos desabamentos. Ainda há nove desaparecidos sendo procurados.

Outras três pessoas seguem internadas. Evaldo Vieira Silva, 46 anos, recebeu alta na segunda-feira do Miguel Couto, na Gávea, onde seguem hospitalizados Paloma Paes Leme, 44 anos, no CTI e com estado de saúde delicado, mas estável, e o filho dela, Rafael Paes Leme, de 4 anos, com o mesmo quadro. No Lourenço Jorge, segue em estado grave Adilma Rodrigues, de 35 anos. 

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