Ministério Público irá investigar denúncias sobre abuso policial na Maré

Órgão ouviu ONG e moradores da comunidade durante uma reunião nesta quarta-feira

Por O Dia

Blindado da PM em operação no Complexo da Maré
Blindado da PM em operação no Complexo da Maré -
Rio - O Ministério Público do Estado do Rio informou, nesta quinta-feira, que vai apurar e investigar relatos de abusos de policiais contra moradores do Complexo da Maré durante operações da PM no conjunto de favelas. Representantes da Redes da Maré participaram de uma reunião com a Auditoria Militar e com o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ) para relatar os casos. O encontro foi realizado nesta quarta-feira.
O MP informou ainda que existe um contato permanente com os comandos envolvidos na operação para obter esclarecimento. "Como em todas as operações anteriores, o Ministério Publico fluminense irá apurar todas as eventuais notícias de abusos e violações", completou o órgão.
Em uma postagem em seu perfil oficial nas redes sociais, a ONG Redes da Maré informou que tem recebido diversas denúncias de casas invadidas e celulares revistados sem mandado judicial. Além disso, a organização diz que 16 mil crianças ficaram sem aulas durante os três dias de operação e que o atendimento médico foi impossibilitado.
Denúncias de casas arrombadas e roubadas por PMs

Moradores do Complexo da Maré denunciam que foram vítimas de abuso de poder por PMs que realizam uma operação policial na comunidade da Zona Norte do Rio desde segunda-feira (10).

"A casa da vizinha estava só com o cadeado. Eles arrombaram o cadeado e entraram. Como não encontraram nada, já que a casa está vazia para ser alugada, deixaram a porta aberta e foram embora", conta um morador do Parque União, que prefere não se identificar.

O morador avisa que, no início da operação, no fim da madrugada, como "precaução", trancou seu portão. Ele afirma também que os moradores da região já ficam com receio quando há algum tipo de ação da PM na comunidade.

Procurada pelo DIA, a PM não havia comentado sobre as denúncias de violações até a publicação desta reportagem. No entanto, em nota divulgada nesta terça-feira (11), a corporação disse que "como tem demonstrado ao longo de sua história, a corporação não coaduna e pune com o máximo rigor qualquer desvio de conduta em seus quadros, conduzindo os processos apuratórios com base na legislação vigente".

"Vale ressaltar que a Corregedoria da Polícia Militar disponibiliza canais para receber denúncias de ações ilícitas envolvendo policiais militares, garantindo o anonimato do denunciante. As denúncias podem ser encaminhadas pelo WhatsApp através do número (21) 97598-4593; pelo telefone (21) 2725-9098 ou ainda pelo e-mail denuncia@cintpm.rj.gov.br", completou a PM, em nota.
Ação deixa uma mulher morta

Nesta quarta-feira, uma mulher, identificada com Sheila Machado de Oliveira, 28 anos, foi morta após ser atingida por uma balada perdida. Ela chegou a ser socorrida para a UPA da Vila Pinheiro mas, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, já deu entrada sem vida na unidade. Além dela, outras quatro pessoas ficaram feridas durante a operação, incluindo um policial militar.
 

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