Passageiros dão calotes no BRT no primeiro dia de funcionamento de nova fiscalização
Multa para quem for flagrado sem ter pago a passagem será de R$ 170
O diretor de Operações BRT, Andre Ormond, explica o novo sistema de fiscalizaçãoReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Por RAFAEL NASCIMENTO
Rio - Várias pessoas foram flagradas pelo DIA dando calotes no BRT no primeiro dia de funcionamento das máquinas eletrônicas de fiscalização. A partir desta segunda-feira, agentes do sistema e guardas municipais vão trabalhar em conjunto no interior dos articulados e das estações para verificar se os passageiros pagaram a passagem. O sistema é similar ao que é feito pelo VLT e a multa é de R$ 170.
Os flagrantes feitos pela reportagem aconteceram na estação Salvador Allende, no corretor Transoeste. Em menos de cinco minutos, pelo menos 10 pessoas entraram pelas laterais da estação. Os agentes também estiveram em outras três estação — que não foram informadas por questões de segurança.
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Homens, mulheres e até um adolescente foram flagrados. Todos foram autuados por guardas municipais. Alguns pagaram passagem e embarcaram. Os que não tinham dinheiro foram retirados da estação.
"O guarda municipal presente só consegue multar presencialmente. Ou seja, se a pessoa invadiu naquela estação ele pega. Com a maquininha o agente consegue verificar se ele fez a verificação na estação. Então, se a pessoa cometeu o calote em Madureira e desceu na Barra da Tijuca, o agente consegue identificar", o diretor de operações do BRT, André Ormond, detalha o novo sistema de fiscalização. "Ao invés de pegar só uma pessoa, com a máquina, o agente vai conseguir identificar mais pessoas. Isso amplia um leque de pessoas que serão flagradas".
A Guarda Municipal avisa que, na nova fiscalização, se um menor for flagrado invadindo a estação, os pais serão informados da infração e a multa vai para o CPF do pai, caso a criança ou adolescente não tenha o documento. Caso tenha, a multa é aplicada no documento do infrator.
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"A fiscalização será volante ao longo de todos os corredores. Caso a pessoa seja flagrada, ela será multada em R$ 170. Toda vez que ela for flagrada será autuada nesse valor. Caso ela não pague, o nome será incluído na Dívida Ativa do Município", Ormond destaca.
Máquina que será usada na nova fiscalizaçãoReginaldo Pimenta / Agência O Dia
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MAIS DE 70 MIL CALOTES
O BRT estima um prejuízo de R$ 5 milhões por mês por causa dos cerca de 74 mil calotes que são dados por dias nas 121 estações do sistema que estão funcionando. Os três corredores transportam 450 mil passageiros todos os dias.
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"Não queremos penalizar ninguém. Apenas queremos que as pessoas paguem, pois isso é uma melhoria e progresso para a população. Podemos usar o dinheiro da passagem para a nova frota, já que a frota está muito deficitária. Com o combate do calote, evitamos os problemas graves e crônicos", defende o diretor de operações do BRT.
Antes da aplicação do novo sistema de fiscalização, foram feitos testes ao longo da última sexta-feira. O BRT reforça que caso a pessoa não mostre o RioCard para ser validado na maquininha pode ser levado para a delegacia.
"O BRT tem uma rede muito grande. Ter que fiscalizar 122 estações é muito difícil e seria impossível ter agentes em todas. Com as máquinas ampliamos essa gama de fiscalização. Não vamos dizer onde vamos atuar e a quantidade de agentes que atuaram. O elemento surpresa é fundamental para a ação dar certo. Isso vai ser volante e vai mudar de hora e dia. Se o público saber, vai conseguir burlar a ação", Ormond reforça.
Agente confere se passageiro pagou a passagemReginaldo Pimenta / Agência O Dia
CAMPEÃS DE CALOTE
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Dados do BRT mostram que as estações com mais calotes praticados são a General Olímpio (Santa Cruz), Maré, Recanto das Palmeiras (Jacarepaguá), Ipase (Praça Seca) e Vicente de Carvalho, durante a manhã; e as da Barra da Tijuca, à noite.
"Essa fiscalização é importante. Pagamos passagens e enfrentamos ônibus lotados por conta de caloteiros", disse o desenvolver de sistemas Lucas Tonon, de 29 anos. Ele foi abordado pelos agentes do BRT, que constatou o pagamento da passagem.
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A pessoa autuada tem 10 dias para recorrer da multa e 30 dias para pagar a multa.
GUARDA MUNICIPAL AGREDIDA DURANTE ABORDAGEM
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Durante a abordagem de um ambulante, na estação do BRT Taquara, na Zona Oeste do Rio, uma guarda municipal foi agredida a vassouradas pelo homem, que entrou na estação sem pagar a passagem. A agente Letícia Ferreira, de 29 anos, que integra a equipe de fiscalização, foi atacada na cabeça e nos braços. Outros guardas que estavam no local tentaram imobilizar o agressor, que conseguiu fugir com o apoio de outros ambulantes. O homem já havia sido detido outra vez por resistência na fiscalização, mas conseguiu fugir ao chegar a delegacia. A ocorrência de agressão foi registrada na 32ª DP (Taquara).
ATUAÇÃO NO BRT
A Guarda Municipal vem atuando diariamente com 116 agentes nas estações e nos horários com maior índice de evasão de passagem, atendendo ao que foi solicitado e orientado pela equipe de intervenção do Sistema BRT. O serviço de fiscalização inicia às 5h em estações do corredor Transoeste, variando em outros corredores de acordo com a incidência. Há equipes ainda destinadas ao ordenamento urbano no entorno das estações e na fiscalização do vagão feminino.
Até ontem, os GMs já aplicaram 3.452 multas durante a fiscalização nas estações, que começou em outubro de 2018. Em nove meses de atuação, os agentes também registraram 13 ocorrências com prisões por crimes como furto, roubo e importunação sexual, além de prestarem diversos tipos de auxílios ao público, como em casos de queda de usuários e idosos perdidos.