Witzel deixa UFF após exame de doutorado sob gritos de 'assassino' e 'fascista'

Governador foi alvo de um grupo de estudantes que criticou a política de segurança de seu mandato

Por O Dia*

Governador deixou a universidade sob protesto de estudantes
Governador deixou a universidade sob protesto de estudantes -
Rio - A ida do governador Wilson Witzel (PSC) à Universidade Federal Fluminense (UFF), na tarde desta quinta-feira, para um exame de qualificação da tese de seu doutorado foi marcada por um protesto de estudantes. Ao deixar o local, Witzel ouviu gritos de cerca de 50 universitários, que o chamaram de "assassino" e "fascista" (assista no vídeo abaixo).
O ato foi marcado após a morte de seis jovens durante diversas operações da Polícia Militar em diferentes regiões do estado nos últimos dias. Um dos casos envolveu o jogador das categorias de base do América Dyogo Costa Xavier de Brito, de 16 anos, que foi alvejado durante uma ação na comunidade da Grota, em São Francisco, Niterói.
"O sangue dele está nas suas mãos", um dos estudante gritou para o governador, sobre a morte de Dyogo. "Seu genocida", outro xingava. O governador deixou o local cercado por PMs; assista!
MUDANÇA DE LOCAL
Witzel iria prestar o exame no Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF) UFF. No entanto, o local foi alterado e a qualificação foi feita na Faculdade de Administração e Ciências Contábeis. O doutorado do governador é em ciência política e sua tese é intitulada "A Dimensão Política da Jurisdição após a Constituição de 1988".
Seguranças à paisana interditaram o andar do prédio e, após pressão de estudantes que queriam assistir à qualificação, a Polícia Militar chegou. A presença dos cerca de 15 PMs causou mais tumulto. Os universitários reclamaram que os agentes prenderam um grupo de estudantes nas escadas de acesso ao andar.
"A polícia trancou os alunos na escada, impedindo os alunos de acompanhar a defesa do Witzel", um aluno reclamou. "A gente não vai aceitar essa política de genocídio sendo normalizada pelo Estado do Rio de Janeiro", avisou outra.
Conselheira universitária, a estudante de Relações Internacionais Diana Vidal, de 20 anos, disse que os manifestantes queriam fazer um protesto pacífico dentro da sala. 

"Queríamos mostrar, durante a qualificação, os rostos dos jovens mortos pelo governo. Sem agredir ninguém", explica Diana. "Nós somos estudantes da universidade e temos o direito de assistir à qualificação. Interditaram todo um setor e a reitoria disse que autorizou a entrada da Polícia Militar".
EMBATE COM PMS
Assim que o governador saiu da universidade, houve um embate entre os universitários e os PMs que o acompanhavam. Muitos gritavam "não acabou, tem que acabar. Eu quero o fim da Polícia Militar".
Procurada pelo DIA, o governo do estado disse que "Wilson Witzel respeita qualquer manifestação, desde que ocorra dentro dos limites legais e da democracia" para os agentes.
Em nota, a PM afirmou que "tem o dever constitucional de garantir a segurança e a integridade física tanto do governador do estado como das demais autoridades constituídas democraticamente". A secretaria disse também que a presença de policiais militares foi solicitada pela UFF.
Já a UFF disse que o esquema de segurança foi organizado pela equipe do governador e que "só eles possuem detalhes sobre o seu planejamento." A universidade afirmou ainda que os policiais acompanhavam a comitiva de Witzel. "Neste evento, a relação da UFF com o governador foi uma relação de uma instituição de ensino com o seu estudante".
* Com informações do Estadão Conteúdo
Wilson faz doutorado de Ciência Política na UFF - Reprodução /

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Wilson faz doutorado de Ciência Política na UFF Reprodução /
Wilson faz doutorado de Ciência Política na UFF Reprodução /

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