'Meu ex-marido é o principal suspeito', diz filha de idosa enterrada no quintal de casa

Graciete Sanches, de 68 anos, desapareceu no dia 1º de outubro quando ia à igreja e corpo foi encontrado neste sábado. Sobrinha diz que o homem apontado pela família como assassino se dizia preocupado com o sumiço

Por Gabriel Sobreira e Gustavo Ribeiro*

Cartaz pedia informações sobre o sumiço de Graciete
Cartaz pedia informações sobre o sumiço de Graciete -
Rio - A filha da pensionista Graciete Maria Sanches da Silva, de 68 anos, acusou neste sábado seu ex-marido de ter matado a mãe dela por vingança devido ao fim do relacionamento. A idosa estava desaparecida desde o dia 1º de outubroo corpo foi encontrado, na tarde desta sexta-feira, enterrado no quintal da casa onde ela morava, no bairro Granjas Cabuçu, distrito de Manilha, em Itaboraí, Região Metropolitana do Rio.
A operadora de supermercado Daisy Sanches, de 38 anos, afirmou que seu ex-marido não aceitava o fim do relacionamento. Eles foram casados por mais de 20 anos. Na semana passada, a filha relatou ao DIA que a mãe tinha desaparecido após sair de casa para ir à Igreja Universal do Reino de Deus, em Del Castilho, na Zona Norte do Rio, como de costume.
"O meu ex-marido é o principal suspeito. É o único que estava no local. Estávamos juntos há 20 anos. Ele não aceitava o fim do relacionamento. Ele chegou a ser detido e levado para à Delegacia de Homicídios (de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí) ontem, mas o soltaram por falta de provas. Falei para o policial: ‘Você vai soltar? Ele não tem residência fixa, nem trabalho!’. Ele fez isso (matar a sogra) para me atingir, para tirar o meu chão", afirmou a filha da vítima.
O corpo foi encontrado em uma cova rasa por um cunhado de Daisy. O assassino ainda jogou folhas de árvore e grama em cima para disfarçar o local. “O meu cunhado foi quem achou. Ela estava enterrada em uma cova rasa. O assassino ainda queimou umas folhas de coqueiro para disfarçar. Ele aproveitou e cortou grama e jogou em cima da cova para que ninguém achasse”.
Geysa Sanches, outra filha da vítima, disse que seu marido ficou desconfiado quando viu o montinho de grama e folhas no quintal e que o homem apontado pela família como autor do crime se dizia preocupado com o sumiço da idosa.
A filha Geysa Sanches contou que ex-cunhado fingiu preocupação com o desaparecimento da idosa - Gilvan de Souza / Agencia O Dia
"O meu marido estava desconfiado desde que viu aquele montinho. O meu cunhado falava que estava preocupado com o sumiço da minha mãe e que estava ‘ajudando’ a procurá-la. Tudo mentira! Em momento algum ele mostrava sentimentos. Ontem mesmo ele falava: ‘Não fiz nada, estou sofrendo, estão me acusando’. Ontem fez 11 dias dela desaparecida. Ficávamos pensando: ‘Será que está viva, sofrendo?’. Ela não tinha inimigos. Muito triste perder minha mãe assim (chorando bastante)”, desabafou Geysa.
O sepultamento será neste domingo, às 13h, no cemitério de Itaboraí.
Dívidas e agressão contra a ex
Daisy disse que o ex-marido lhe devia R$ 850 em dinheiro e prestações de um carro. Ela relatou ainda que discutiu com o homem há 15 dias e que foi agredida na ocasião. "Estou com medo. Há 15 dias tivemos uma briga. Ele pegou uma cadeira e arremessou em mim. Meu braço ficou roxo e meu dedo, inchado. Ameacei que iria denunciá-lo. Ele ficou com medo de que isso poderia atrapalhá-lo de não conseguir receber uma indenização que tem pra receber, aí ele me deixou sair. A minha mãe até interveio", afirmou Daisy.
"No último mês, a minha mãe dava comida, café da manhã pra ele. Como ele pode ser capaz de fazer isso com ela? Quero justiça!”, acrescentou.
Uma sobrinha publicou no Facebook que o homem também tinha interesse na casa da idosa: "Um genro que comia, bebia, vivia nas custas da minha tia teve coragem de tirar a vida dela com tamanha barbaridade friamente, matando ela e a enterrando ela nos fundos da própria casa. Queria ficar com a casa da minha tia e não aceitava o fim do seu relacionamento. Estamos inconformados(a)... Esse é o verme desgraçado que tirou a vida da minha tia", postou.
Polícia faz perícia e colhe depoimentos
A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que a Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo fez o exame pericial e que os familiares já foram ouvidos. "A diligências seguem em andamento para apurar a autoria e materialidade do fato", afirmou em nota. Um investigador disse apenas que "depoimentos importantes" foram obtidos e que o inquérito está em andamento, mas não passou mais detalhes para não prejudicar a investigação. 
A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar ressaltou que, "na tarde desta sexta-feira (11/10), policiais militares do 35ºBPM (Itaboraí) foram acionados para ocorrência na Rua F, no bairro Granjas Cabuçu, em Itaboraí, onde o corpo de uma mulher foi encontrado. A área foi isolada e a perícia acionada. O caso foi registrado na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí".
* Colaborou: Renan Schuindt
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Cartaz pedia informações sobre o sumiço de Graciete Divulgação
Nieroi, 12/10/2019, Senhora que estava sumida foi encontrada no terreno de casa morta, na foto Geysa Sanches filha da dona Graciete Maria Sanches da Silva, foto de Gilvan de Souza / Agencia O Dia Gilvan de Souza / Agencia O Dia
Nieroi, 12/10/2019, Senhora que estava sumida foi encontrada no terreno de casa morta, na foto Geysa Sanches filha da dona Graciete Maria Sanches da Silva, foto de Gilvan de Souza / Agencia O Dia Gilvan de Souza / Agencia O Dia
Nieroi, 12/10/2019, Senhora que estava sumida foi encontrada no terreno de casa morta, na foto Geysa Sanches filha da dona Graciete Maria Sanches da Silva, foto de Gilvan de Souza / Agencia O Dia Gilvan de Souza / Agencia O Dia
Nieroi, 12/10/2019, Senhora que estava sumida foi encontrada no terreno de casa morta, na foto Geysa Sanches filha da dona Graciete Maria Sanches da Silva, foto de Gilvan de Souza / Agencia O Dia Gilvan de Souza / Agencia O Dia
Nieroi, 12/10/2019, Senhora que estava sumida foi encontrada no terreno de casa morta, na foto Geysa Sanches filha da dona Graciete Maria Sanches da Silva, foto de Gilvan de Souza / Agencia O Dia Gilvan de Souza / Agencia O Dia

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