Coronavírus muda a cara do Rio, com ruas vazias e pontos turísticos fechados

Governo do estado e prefeitura ampliam medidas para reduzir movimentação de pessoas nas ruas

Por O Dia

Rio de Janeiro - RJ  - 17/03/2020 - Coronavirus na cidade do Rio -  na foto, Tatiane Andrade, utilizando BRT - Foto Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Rio de Janeiro - RJ - 17/03/2020 - Coronavirus na cidade do Rio - na foto, Tatiane Andrade, utilizando BRT - Foto Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia -

Em um dia atípico no Rio, em que moradores e turistas se depararam com ruas mais vazias, as autoridades de estado e município do Rio anunciaram, ontem, medidas para reduzir o número de pessoas no transporte público. O governador Wilson Witzel decretou que ônibus, barcas, trens e metrôs devem transportar só passageiros sentados. Também proibiu, por 15 dias, a circulação de quaisquer ônibus entre a Região Metropolitana e o interior. O decreto interrompe, ainda, a circulação de ônibus interestaduais cujas cidades de origem tenham confirmação da epidemia.

Na capital, o prefeito Marcelo Crivella liberou que empresas de ônibus reduzam suas frotas em até 40% a partir de hoje. A prefeitura justificou que a cidade teve diminuição na demanda de passageiros. Segundo a Rio Ônibus, na manhã de ontem, foi registrada a redução de 50% de passageiros. Foi proibido, também, pelo município, que ônibus e BRTs levem passageiros em pé.

De acordo com Witzel, a determinação é para a redução de 50% da capacidade de lotação dos transportes e, quando possível, que mantenham janelas abertas. O controle será feito pelos motoristas, e a fiscalização pelo Departamento de Transportes Rodoviários. Caso haja pessoas em pé, a empresa será multada e esses passageiros terão que trocar de veículo, sem custo.

O Passe Livre dos estudantes também foi suspenso. Conforme o Detro, o transporte entre os municípios do interior continuará ocorrendo normalmente. A proibição das linhas intermunicipais foi tomada considerando que a maior parte dos casos da Covid-19 no estado está concentrada na Região Metropolitana. Os passageiros com bilhetes emitidos para os municípios com restrição, com validade posterior à data da portaria, serão ressarcidos pelas respectivas empresas.

Para a engenheira de Transportes Eva Vider, as medidas adotadas pela prefeitura e estado são boas e se complementam. "Mas apenas durante a semana, com monitoramentos, poderá ser feito o equilíbrio entre oferta e demanda", explicou.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres orienta que pessoas com sintomas de gripe evitem usar transportes públicos e, caso haja necessidade, que viajem usando máscaras. Em resposta aos decretos, as empresas de transporte disseram que vão cumprir as determinações.

Bares e pontos turísticos vazios

Bares e restaurantes se adequam à recomendação do governador de funcionar com 1/3 das mesas. "Diminuímos o número de mesas, e elas estão vazias”, observa Cesário dos Santos Pinto, sócio do restaurante Garota da Tijuca.

Trem do corcovado vai suspender atividades por uma semana - Fabio Costa/Agencia O Dia

Para Pedro Hermeto, presidente da seccional-RJ da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, já há queda no faturamento. “Nos dois primeiros dias da semana, a queda girou em torno de 50% e 60%. Para os próximos dias, acreditamos que pode chegar aos 80%”.

Pontos turísticos

Bondinho Pão de Açúcar interrompeu funcionamento por conta do coronavírus - Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

O trem do Corcovado fechou os guichês. Os visitantes que já tiverem comprado ingressos do trenzinho para o Cristo Redentor poderão reagendar passeios num prazo de até 180 dias. Outra atração que também teve atividades suspensas, por 15 dias, foi o Bondinho do Pão de Açúcar.

Moradores de rua podem ser recolhidos compulsoriamente

A prefeitura do Rio pode determinar a retirada compulsória de moradores de rua da cidade, caso seja agravada a epidemia do coronavírus. O anúncio foi feito pelo prefeito Marcelo Crivella. De acordo com ele, essa população poderá ser direcionada para abrigos, hotéis populares ou outras instituições.

"Estamos trabalhando na tentativa de convencimento de que existe um risco de adoecerem. Se alguém ficar doente, a retirada é imediata. Podemos ter o recolhimento compulsório, sim", informou.

Segundo Crivella, para a ação, ele pretende adotar como fundamentação jurídica o mesmo dispositivo que permite internação compulsória de dependentes químicos.

De acordo com a Defensoria Pública do Rio, há cerca de 15 mil pessoas nas ruas da cidade. A secretária municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Tia Ju, disse estar em contato com instituições religiosas para tentar aumentar oferta de vagas. "Nossa prioridade agora é comprar kits de higiene para a população de rua. Nas abordagens, vamos explicar o risco que a epidemia representa", disse.

Ex-morador de rua e escritor Léo Motta está preocupado. Segundo ele, instituições sociais suspenderam atividades com moradores de rua. Ele diz que os abrigos não têm estrutura para receber essa população. "Os abrigos não têm ventilação. Algumas unidades têm comida e água escassas", alertou. Procurada, a prefeitura não se manifestou.

 

Rio pode ter hospitais de campanha para infectados pelo coronavírus

O prefeito Marcelo Crivella em coletiva de imprensa com a secretária municipal de Saúde, Beatriz Bush, nesta segunda - Rhavinne Vaz / Prefeitura do Rio
Rio - O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) disse, nesta segunda-feira, que a prefeitura entrou em contato com o governo federal para, se necessário, instalar hospitais de campanha destinados às pessoas infectadas pelo novo coronavírus (Covid-19), a exemplo do que ocorreu em 2008 na epidemia de dengue na cidade, quando as Forças Armadas montaram hospitais para atendimento à população.

A secretária municipal de Saúde, Beatriz Bush, informou que em 30 dias o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, unidade de referência para o coronavírus, terá 370 leitos preparados para receber pacientes com a doença. Atualmente, 30 estão disponíveis, sendo que três já estavam ocupados até a tarde de ontem.

Crivella voltou a pedir que a população siga as recomendações das autoridades para dificultar a transmissão da doença. Ele citou os cuidados a serem tomados por quem convive em casa com idosos e pessoas com doenças que baixam a imunidade do organismo.

"É fundamental que, neste momento, a gente saiba que nosso futuro depende de a gente ter consciência de que não podemos nos cumprimentar como antes, não devemos frequentar ambientes lotados, piscina em condomínios, praias e ônibus superlotados. Se tem idoso em casa, você não pode ser o vetor. Tem de escolher aonde ir, para não se expor", explicou.
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O prefeito confirmou que o gabinete de crise criado semana passada se reunirá novamente às 17h desta terça-feira para discutir, entre outras questões, o funcionamento de bares e restaurantes.
"A recomendação é que sigam funcionando, com medidas de prevenção, como uma distância segura entre os clientes", disse.

O prefeito disse que poderá rever a abertura das escolas da rede municipal de ensino das 11h às 13h, para almoço dos alunos. Isso porque nesta segunda, primeiro dia da medida, apenas mil alunos compareceram para fazer a refeição.

Galeria de Fotos

Rio de Janeiro - RJ - 17/03/2020 - Coronavirus na cidade do Rio - na foto, Tatiane Andrade, utilizando BRT - Foto Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia Reginaldo Pimenta
Trem do corcovado vai suspender atividades por uma semana Fabio Costa/Agencia O Dia
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Diante do Museu do Amanhã de portas fechadas, jovens bateram bola no 'campo' da Praça Mauá Gilvan de Souza

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