Rocinha tem terceira morte suspeita por coronavírus
Novo caso é do aposentado Antônio Edson Mesquita Mariano, de 67 anos, que veio a óbito na CER do Leblon, na segunda
Seu Ed, como era conhecido, tinha 67 anosArquivo Pessoal
Por RAI AQUINO e YURI EIRAS
Rio - A Rocinha tem mais um caso suspeito de morte pelo novo coronavírus (covid-19) na comunidade da Zona Sul do Rio. A nova suspeita é do aposentado Antônio Edson Mesquita Mariano, de 67 anos, que morreu na segunda-feira na Coordenação de Emergência Regional (CER) do Leblon.
De acordo com familiares, Seu Ed, como era conhecido, tinha algumas doenças pré-existentes. Ele começou a passar mal na quinta-feira da semana passada, após tomar a vacina da gripe. No sábado, o idoso procurou a UPA da comunidade com falta de ar.
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"Ele foi diagnosticado com pneumonia e o liberaram para casa para tomar a medicação em casa", conta um sobrinha, que preferiu não se identificar. "No domingo, ele começou a sentir muita falta de ar, até que na manhã de segunda acordou pior e foi levado à CER".
O aposentado faleceu na unidade de saúde do Leblon com falta de ar. A sobrinha disse que os médicos tentaram reanimá-lo, mas ele não resistiu.
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Ainda segundo a parente, o exame para a detecção da covid-19 no tio foi feito após a morte dele e sob exigência da família.
"Isso é um descaso com os seres humanos. Quem tem sintomas tem que ser testado imediatamente. Meu tio só foi testado depois de morto e porque exigimos", criticou.
O aposentado foi cremado na própria segunda no Crematório da Penitência, no Caju. Por causa da suspeita de infecção pelo coronavírus, a família optou por não velar seu corpo.
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A mulher do idoso, Maria Lúcia Moreira Mariano, 63 anos, está internada no Hospital Federal da Lagoa desde terça, também com suspeita de infecção pela doença. De acordo com a unidade, ela passou por exames para comprovar o contágio, está isolada, sendo medicada e tem o quadro de saúde estável.
Seu Ed, como era conhecido, tinha 67 anos - Arquivo Pessoal
POSICIONAMENTO DA PREFEITURA
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Procurada pelo DIA, a Secretaria Municipal de Saúde disse que Seu Ed procurou a UPA da Rocinha se queixando de dor abdominal, sendo "medicado para isso". A pasta alegou que naquele momento, o idoso não apresentava "sintoma que levasse à suspeita de covid-19".
"Já quando procurou o CER Leblon, apresentando outras queixas e sintomas, foi levantada a suspeita de infecção pelo coronavírus e colhida amostra para realização do exame", a secretaria acrescentou, em nota.
A pasta ainda informou que aguarda o resultado do exame feito no aposentado.
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"Lamentamos a morte do paciente e esclarecemos que todo atendimento prestado seguiu os protocolos do Ministério da Saúde para detecção e cuidados dos possíveis casos de infecção pelo coronavírus, como coletar amostras para teste específico", reforçou.
QUASE 50 SUSPEITAS
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Atualmente, o Rio tem 28 mortes confirmadas pela doença e outras 49 suspeitas, de acordo com o último balanço da Secretaria estadual de Saúde, divulgado ontem.
Sobre o caso do morador da Rocinha, a pasta disse que não comenta especificamente resultados de pacientes.
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"Sobre mortes em investigação, a secretaria esclarece que todas as amostras que dão entrada no Lacen são investigadas", acrescentou, em nota.
PRIMEIRAS SUSPEITAS
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Das outras duas suspeitas de morte pelo coronavírus na Rocinha, uma é da professora Maria Luiza Santana do Nascimento, 70. A idosa também morreu na segunda, após passar seis dias internada na UPA da comunidade. O teste para detecção da covid-19 foi feito nela e o resultado ainda é aguardado.
O outro caso é de Magna Soares Almeida, 40. A mulher começou a passar mal na terça-feira da semana passada, quando também procurou a UPA da Rocinha. Entre idas e vindas à Unidade de Pronto Atendimento, ela foi levada ao Hospital Municipal Miguel Couto, no sábado.
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De acordo com familiares, na unidade de saúde da Gávea, Magna foi operada. Os médicos de lá teriam dito que ela estava com bactéria no fígado, pus no abdômen e água no pulmão. Ela morreu na terça e foi enterrada ontem no Cemitério São João Batista, em Botafogo.