Rio de Paz faz ato para marcar um mês do desaparecimento de três meninos de Belford Roxo
ONG colocou cartazes com foto e nomes dos meninos em sua instalação permanente na Lagoa Rodrigo de Freitas
Ato simbólico na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio, marca um mês do desaparecimento de três crianças de Belford RoxoDivulgação / ONG Rio de Paz
As placas, que têm telefones para quem tiver informações sobre o paradeiro dos meninos fazer contato, tem também como objetivo chamar a atenção das autoridades de segurança do estado para que o caso não caia em esquecimento. Informações sobre a localização dos meninos podem ser enviadas ao Disque-Denúncia (21) 2253-1177. O anonimato é garantido.
"Quem é da minha geração se lembra do caso Menino Carlinhos (Carlos Ramires da Costa), sequestrado em 1973 e que nunca apareceu). Naquela época, o Brasil parou e só se fazia uma pergunta: onde está o menino Carlinhos? Por que hoje a sociedade não está mobilizada para descobrir o paradeiro desses meninos. São pobres, negros e de favela. Para a muitos, essas vidas não existe. É inadmissível que as pessoas não se sensibilizem com o drama dessas famílias", disse Antonio Carlos Costa, presidente do Rio de Paz.
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O desaparecimento das crianças é investigado pelo Núcleo de Descoberta e Paradeiro da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense. A participação do tráfico de drogas no sumiço das crianças não foi descartada pela Polícia Civil.
Desde o início das investigações a polícia esteve em mais de 30 pontos, entre bairros da capital e municípios da Baixada Fluminense, onde, segundo denúncias, as crianças teriam sido vistas. Também foram analisadas mais de 40 câmeras de segurança, mas nenhuma delas registrou a imagem dos garotos.
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A Polícia Civil aguarda o resultado final de exame de DNA feito em um roupas encontradas em uma casa na comunidade perto de onde os meninos moram.
Uma linha de investigação é que os três meninos teriam sido mortos por bandidos, após o roubo de uma gaiola de um morador do Castelar. Segundo testemunhas, o dono da gaiola é tio de um traficante da comunidade.
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Moradores do Castelar acusaram um homem de ter matado os meninos em um ritual de magias. Ele chegou a ser levado para a sede da DHBF e prestou depoimento. Ele negou o crime e alegou ter sido torturado por traficantes. O delegado Uriel Alcântara, titular da especializada, disse que o homem foi preso por armazenar conteúdo erótico com imagens de crianças no celular.
No mesmo dia, parentes e amigos das crianças fizeram um protesto na porta da delegacia. Um ônibus foi incendiado e o clima no bairro ficou tenso.
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Números
A Fundação para a Infância e Adolescência (FIA) registrou, em todo o estado, 148 casos de desaparecimento, entre crianças e adolescentes, em 2020.
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Desses, 119 casos foram solucionados e as crianças entregues às famílias. Esse número representa cerca de 80% dos casos.
Desde 1996, quando o sistema SOS Crianças Desparecidas passou a registrar os desaparecimentos de crianças e adolescentes, foram 3,780 casos registrados. 3220 menores foram encontrados.