Instituições governamentais alertam Ministério da Saúde sobre problemas na transferência de pacientes de Manaus para o Rio. - Divulgação/Força Aérea Brasileira (FAB)
Instituições governamentais alertam Ministério da Saúde sobre problemas na transferência de pacientes de Manaus para o Rio.Divulgação/Força Aérea Brasileira (FAB)
Por O Dia
Rio - O Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), a Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro (DPU) e a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) enviaram um ofício ao Ministério da Saúde (MS) alertando sobre a falta de planejamento na transferência de pacientes de Manaus para o Rio.
No ofício, os órgãos expõem diversos documentos para conhecimento, apuração e adoção das medidas cabíveis por parte da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do MS. As entidades apontam a falta de planejamento prévio das transferências realizadas, sem uma comunicação antecipada para a estruturação das unidades federais receptoras.
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Os hospitais em questão tiveram dificuldades na construção dos processos de trabalho, dos protocolos de regulação e assistenciais e ainda de comunicação com as famílias dos pacientes. Segundo o ofício, esses itens são indispensáveis ao acolhimento seguro e adequado dos cidadãos oriundos de Manaus, assim como para a proteção dos trabalhadores de saúde envolvidos no atendimento.
Além disso, os órgãos relatam indícios da falta de articulação e coordenação das transferências juntos às autoridades sanitárias locais, que são as responsáveis pela regulação do acesso no Estado do Rio de Janeiro. Isto teria inviabilizado a escolha da unidade de saúde com estrutura para o acolhimento e tratamento dos pacientes oriundos de Manaus.
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“Em razão da falta de estruturação oportuna do Hospital Federal do Andaraí, houve necessidade de transferência de quatro pacientes para leitos de terapia intensiva de unidade estadual sem planejamento prévio, o que compromete, por certo, a assistência prestada”, relatam as autoridades.
No documento, os órgãos expõem a identificação do agravamento do quadro de saúde de pacientes no decorrer da transferência, com desestabilização, indiciando falhas na avaliação clínica das condições de transporte dos pacientes. Um dos pacientes veio a óbito nas primeiras 24 horas após sua chegada ao Estado do Rio de Janeiro.
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As entidades ainda relatam a ausência de diálogo claro e formal entre os entes de governo: federal, estadual e municipal. Segundo o ofício entregue ao MS, a falta de comunicação durante o processo gerou os problemas de articulação e organização de rede já citados.
"Não se conseguiu obter documento direcionador formal de comunicação para articulação e organização de rede para o mínimo possível de construção de bases de apoio a rede de regulação de leitos no estado do Rio de Janeiro, assim como para redes de monitoramento das vigilâncias epidemiológicas do Estado e do Município", afirmam os órgãos no documento.