Dr. Jairinho
Dr. JairinhoRenan Olaz/CMRJ
Por O Dia
Rio - Uma amiga íntima de uma ex-namorada de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, disse, em entrevista a revista VEJA, que quando o filho da ex do vereador saía com ele, voltava roxo ou com a perna quebrada. Ambas as mulheres preferiram não se identificar.
Após o caso da morte de Henry, a polícia já ouviu depoimentos de 16 pessoas. Entre os relatos, há agressões do vereador contra a filha de uma ex-namorada. Em declarações, uma amiga íntima de uma ex-namorada do vereador, disse que Jairinho arranjava motivos para sair sozinho com o filho da amiga e que em uma das saídas, a criança voltou desfigurada e com os olhos roxos, como se tivesse passado por uma "sessão de tortura". Nessa ocasião, o vereador teria alegado que a criança havia caído de cabeça. 
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Em outra, o menor chegou com a perna fraturada na altura do fêmur. A explicação foi que o menino tinha se prendido no cinto de segurança e tropeçado ao sair do carro".
"Nas duas vezes, Jairinho o levou a uma clínica de conhecidos dele. Minha amiga estava deslumbrada e tinha medo por ele ser poderoso", contou a mulher.
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Além disso, uma ex-mulher do vereador, com quem tem dois filhos, disse que também já apanhou do vereador. Ana Carolina Ferreira Netto registrou duas queixas na polícia: em 2014, afirmou que, depois de uma discussão, ele teve um "ataque de fúria", desferindo socos e pontapés, a ponto de ser hospitalizada; a outra, de 2020, cita apenas "lesões corporais".
Uma outra ex-namorada de Jairinho afirmou que ele dava remédio para ela dormir. Durante o depoimento no inquérito que trata de supostas agressões cometidas por Jairinho, e que corre paralelo à investigação da morte do menino, ela contou que desconfiou da medicação durante uma viagem.
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Ela contou que ele teria feito isso para poder falar com a ex-mulher. A ex-namorada disse, ainda, que não tomou, mas fingiu dormir, e flagrou o vereador segurando sua filha pelos braços.
Ainda durante depoimento à polícia, a ex-namorada do vereador relatou alguns episódios de agressão:
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. "Afirma que chegou a rasgar sua roupa na rua, especificamente quando a viu chegando em casa vindo de uma 'balada'";
. "Uma vez, quando queria conversar com a declarante e esta se recusou, Jairinho a puxou pela grade do portão da casa da mãe da declarante, o que fez com que batesse seus seios contra a grade";
. "Algumas vezes em que (a filha) estava sozinha com Jairinho este a levava até o carro e dizia coisas como 'você atrapalha a vida da sua mãe', 'a vida da sua mãe ia ser mais fácil sem você'";
. "Dava 'mocas' em sua cabeça e torcia suas pernas e braços (em relação à filha)";
. "Em uma das vezes Jairinho a levou (a filha) a uma piscina e que neste lugar afundava sua cabeça embaixo d'água".
Pai de Henry diz que após morte do menino, Jairinho teria dito: 'vida que segue, faz outro filho'
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O engenheiro Leniel Borel, de 37 anos, pai do menino Henry Borel, que morreu na madrugada do dia 8 de março na Barra da Tijuca, Zona Oeste, disse, nesta sexta-feira em entrevista a revista VEJA, que não tem dúvidas de que o namorado da mãe da criança, o vereador Dr. Jairinho, é o culpado pelo morte do filho.
"Não tenho dúvidas de que Dr. Jairinho é culpado. Naquela noite no hospital, ele ficava junto aos médicos que tentaram salvar o Henry o tempo todo. Ele é muito frio. Assim que foi decretado o óbito do meu filho, Dr. Jairinho chegou perto de mim e, na frente de uma pessoa da igreja que frequento e de uma amiga minha, disse: "Vamos virar essa página, vida que segue. Faz outro filho".
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Ainda durante a entrevista, Leniel diz que só quer saber a verdade, pois deixou o filho em perfeito estado com a mãe. "Como uma criança saudável teria tantas lesões graves só de cair da cama?", questiona o pai. 
O engenheiro cita ainda que o filho já chegou a reclamar que Dr.Jairinho o machucava quando ia abraçá-lo.
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"Tudo mudou assim que ela (mãe de Henry) foi para o apartamento do namorado (Jarinho). Logo no primeiro fim de semana comigo, o Henry falou: "Papai, o tio me machuca. O tio me dá um abraço muito forte, mas a mamãe disse que é sonho". Liguei imediatamente para a Monique, que alegou que isso era invenção da cabeça dele", continua.
Ao ser perguntado se ele cogitou tentar pedir a guarda da criança na Justiça depois das reclamações do filho, Leniel disse que se arrepende de não ter tomado medidas drásticas, mas que nunca imaginou que aconteceria essa "monstruosidade."
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"Sei que não havia como prever que iria acontecer uma monstruosidade com meu filho, mas me culpo por não ter tomado uma medida mais drástica. Cheguei a falar algumas vezes com a Monique que se ele continuasse a reclamar que estava sendo machucado por esse tio, eu iria levá-lo para fazer um exame de corpo delito e recorrer à Justiça. A questão é que embora rejeitasse cada vez mais a casa da mãe e do Dr. Jairinho, meu filho não apresentava qualquer marca pelo corpo. Só naquele último fim de semana que ele tinha um machucado no nariz. Perguntei o que era, mas não soube dizer. Eu tinha receio de levantar uma suspeita tão séria, não se confirmar no exame e perder o direito de ver o Henry."
Quanto a possível participação da ex-esposa na morte do filho, Leniel diz que passou a acreditar que Monique Medeiros pudesse estar envolvida no crime pelo fato dela não se mostrar desesperada e por querer que o enterro da criança fosse de forma rápida e com o caixão fechado.
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"Qual mãe não estaria desesperada e lutando para saber o que aconteceu com o filho?. A todo momento, desde aquela madrugada, ela só demonstra querer proteger o Dr. Jairinho. Não sei se está envolvida diretamente na morte ou tem medo do poder que diz ter", afirma.
Ao finalizar, Leniel disse que vive por justiça. Não é porque alguém conhece esse ou aquele sicrano ou tem muito poder que pode ficar impune. Meu filho não morreu em vão. Não vou deixar que seja mais um caso impune. Só quero a verdade."
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