Bruno teria sido levado por traficantes ao ser confundido com miliciano
Bruno teria sido levado por traficantes ao ser confundido com miliciano Arquivo Pessoal
Por O Dia
Rio - O corpo de um motorista de transporte por aplicativo foi encontrado carbonizado dentro do próprio carro, na tarde deste domingo (4), no bairro Marambaia, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio (4). Bruno Antunes, de 30 anos, estava desaparecido desde o início da noite deste sábado (3), quando aceitou uma corrida para a mesma região, por volta das 18h.
Corpo da vítima foi encontrado carbonizado dentro do próprio veículo - Arquivo Pessoal
Corpo da vítima foi encontrado carbonizado dentro do próprio veículoArquivo Pessoal
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De acordo com a esposa da vítima, que preferiu não se identificar, familiares ficaram preocupados por não conseguirem fazer contato com ele e decidiram pedir informações sobre seu paradeiro nas redes sociais. Ainda segundo ela, pouco tempo depois, eles receberam uma mensagem dizendo que Bruno teria sido levado por traficantes.
Ela explica que a mensagem dizia que o motorista teria parado para pedir uma informação em um sacolão. Ainda segundo o relato, a região seria dominada pelo tráfico de drogas, que sofreu um ataque de milicianos nesta semana, em um carro com as mesmas características do da vítima. As informações ainda dão conta de que o motorista foi abordado pelos criminosos, mas teria pulado do veículo em movimento.
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Para impedir a fuga, os traficantes teriam atirado contra Bruno e depois colocado ele novamente no carro, o levando para dentro da comunidade. Quando voltaram, diz a mensagem, o homem já não estava no veículo, que pouco depois foi levado para fora do local.
Ao ser informada, também por uma mensagem, que o carro e o corpo do motorista haviam sido encontrados, a família foi até a região. De acordo com a esposa de Bruno, a polícia só esteve no local após horas do acionamento, alegando que se tratava de área de risco. 
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Em nota, a Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG). "A perícia foi realizada no local. Um corpo carbonizado foi encaminhado para identificação no IML da região. Diligências seguem para apurar o fato e identificar a autoria", completa a nota. 
“Ele era uma excelente pessoa, com vários amigos, um coração gigantesco. O que pudesse fazer para ajudar, ele ajudava. Um excelente pai, um ótimo marido, fazia tudo pela família, pelo filho. Trabalhador, fazia de tudo para pagar suas dívidas, rodava no aplicativo noite e dia para conseguir sustentar a casa e pagar a mensalidade do carro. Vivia pela família e pelo trabalho. Estou pedindo forças a Deus, pois ele deixou um filho de três anos e meu bebê daqui a pouco vai perguntar”, declarou a esposa de Bruno.
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"Recebemos a notícia com muita tristeza, de mais um amigo que perdeu sua vida trabalhando. É uma triste realidade que a gente está passando. A gente recebe vários relatos todos os dias de motoristas, entregadores e motoboys, que estão sendo assaltados e, em algumas vezes, perdendo até a sua própria vida", lamentou o presidente do Sindicato dos Motoristas de Aplicativo (Sindmobi), Luiz Corrêa. O corpo jurídico do Sindicato se colocou à disposição da família da vítima. 
Vítimas frequentes
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No dia 4 março, uma motorista de aplicativo foi agredida junto com as passageiras, por criminosos que roubaram seu veículo, no bairro da Covanca, em São Gonçalo. Policiais militares do 12º BPM (Niterói) encontraram as vítimas feridas e sem o carro, que foi levado pelos bandidos. Elas chegaram a precisar de atendimento no Hospital Estadual Antônio Pedro (HEAT), mas ficaram bem.
Em 4 de fevereiro, PMs do 3º BPM (Méier) encontraram um motorista de aplicativo morto dentro de seu carro. Gabriel Augusto Maravilhas, de 32 anos, teria sido vítima de uma tentativa de assalto na Avenida Marechal Rondon, enquanto esperava uma passageira. Imagens de câmeras de segurança mostraram o momento da abordagem e que a vítima tentou fugir, mas foi baleada.
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No mesmo mês, mas no dia 8, o também motorista de aplicativo Alexandre Jorge Monteiro de Souza, de 40 anos, morreu em frente ao Hospital Federal de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio. Ele terminava uma corrida no Complexo da Maré, quando foi atingido com facadas no pescoço, no abdômen e nos ombros. Alexandre ainda dirigiu por cerca de três quilômetros em busca de socorro na unidade, mas não resistiu e morreu dentro do próprio carro.
No dia 29 de janeiro, uma motorista de aplicativo foi sequestrada no bairro do Apollo, em São Gonçalo, e obrigada a dirigir para criminosos que praticaram assaltos em bairros de Niterói. Ela ficou por mais de uma hora sob o poder dos bandidos. A vítima só foi resgatada depois que o veículo foi abordado por policiais militares, que haviam sido informados sobre roubos na região. 
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Sindicato pede segurança
Criado no final de janeiro deste ano, o Sindicato dos Motoristas de Aplicativo (Sindmobi) tem como prioridade nas reivindicações, a segurança. O presidente Luiz Corrêa conta que motoristas chegaram a ter as contas bloqueadas pelos aplicativos de transporte, quando cancelavam corridas em áreas consideras de risco com frequência.
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“O Rio de Janeiro é cercado por comunidades e a região que não é tomada pelo tráfico, é tomada por milícias. O prestador de serviço sofre nas duas áreas, onde o estado não se faz presente”, afirmou o presidente.
Corrêa explica que convocou as empresas e as entregou um mapeamento dos locais de extremo perigo no Rio. A partir de então, as empresas deixaram de punir os condutores quando eles recusavam passageiros dessas regiões. Ainda segundo o presidente, a Uber vai fazer um teste nos locais mais perigosos, colocando câmeras nos carros, para monitorar as corridas.
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O aplicativo, ainda de acordo com Corrêa, vai solicitar que novos cadastrados tirem uma foto da identidade, no momento que forem solicitar um carro, e que tirem a foto também deles mesmos. Se o solicitante não for o mesmo do cadastro, a corrida não será aceita.
“Estamos pressionando as empresas para que adotem essas medidas, que, ao nosso ver, vão inibir essa prática de assalto e diminuir essa violência que os prestadores de serviço têm sofrido”, explicou ele.
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O presidente também informou que o Sindicato tem tentado contato com a Secretaria de Segurança, para a implementação de medidas que outros estados adotaram e tiveram bons resultados. Uma delas, é a parceria entre policiais e motoristas, para que sejam usados sinais em que os agentes consigam identificar se eles estão em perigo. Atualmente, a categoria conta com grupos criados por regiões, em que os motoristas colocam suas localizações em tempo real e os integrantes conseguem monitorá-los.
“Enquanto a gente não tem o Estado ali fazendo o seu papel, a gente está tentando algum meio em que possamos acompanhar essas corridas. No momento em que os prestadores se sentirem ameaçados, eles lançam um código e a gente fica monitorando. Nós temos sofrido muito, são muitos relatos. A gente precisa de uma medida que venha a melhorar a vida do prestador de serviço”, ressaltou Corrêa.