Menino Henry
Menino HenryReprodução internet
Por O Dia
Rio - A babá de Henry Borel, Thayná de Oliveira Ferreira, disse que tem "muito medo" dos ataques que vem recebendo após a morte do menino. A declaração foi dada ao programa "Fantástico" da TV Globo. A funcionária de Monique e Jairinho disse que não se pronunciaria até prestar depoimento sobre o caso. Thayná é esperada para depor nesta segunda-feira. Ela disse que pessoas nem sabem o que aconteceu, e que não tem responsabilidade sobre a morte. Thayná disse em nota ainda que não houve fato que pudesse desabonar sua conduta.
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Uma troca de mensagens recuperada do celular de Monique evidenciou que a babá relatou em tempo real que Henry estava sofrendo ataques do vereador Dr. Jairinho (sem partido). Ela contou à Monique que o menino havia relatado agressões por parte do padrasto. Esta prova foi considerada fundamental para a prisão do casal, já que contraria a versão dos dois que a família vivia uma rotina harmoniosa. O delegado Henrique Damasceno afirmou que Henry sofria, na realidade, uma rotina de violência. A babá pode responder por ter mentido em depoimento.

Na quinta-feira (8), Monique Medeiros e Dr. Jairinho foram presos no Rio. Henry, que estava no apartamento da mãe e do padrasto, foi levado por eles ao hospital, onde chegou já sem vida na madrugada de 8 de março. O casal foi preso por suspeita de homicídio duplamento qualificado –com emprego de tortura e sem chance de defesa para a vítima –, por atrapalhar as investigações e por ameaçar testemunhas para combinar versões.
Omissão em hospital
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Durante a investigação da morte de Henry Borel, 4 anos, policiais civis encontraram, através do plano de saúde pago pelo pai do menino, o relatório de atendimento feito por uma médica do Hospital Real D'Or, em Bangu à criança. A data é 13 de fevereiro, um dia após a babá contar à Monique Medeiros, mãe de Henry, em tempo real, que o menino havia tomado uma banda, socos e chutes de Jairo Souza, o Jairnho. A mãe omitiu isso da médica e disse que ele se machucou ao cair da cama.
Conforme O DIA noticiou ontem, transcorreram 46 minutos em que Henry permaneceu em pânico, aninhado no colo da babá, até falar sobre o que havia ocorrido no quarto. A criança se queixava de dor na cabeça e estava mancando. A babá relatou isso à Monique, pelo Whatsapp, mas ela nada fez, permanecendo no shopping.

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Vídeos mostram Henry sendo levado já morto ao hospital

A polícia possui todas as filmagens do suposto socorro a Henry, por Monique Medeiros, sua mãe, e Jairinho. "São vídeos que fazem qualquer pessoa chorar copiosamente", disse um investigador à reportagem. A análise das imagens contradiz, segundo os peritos, a versão do casal de que a criança estava com vida ao ser levada à emergência hospitalar. 
No quarto do casal, onde Monique diz ter encontrado o filho caído no chão, de madrugada, com dificuldade para respirar, a polícia encontrou uma poltrona perto da cama. De acordo com o depoimento da responsável pela faxina no imóvel, a poltrona era colocada virada para a cama, com um travesseiro em sua parte traseira, sempre que Henry pedia para dormir com a mãe. Isso era feito para evitar uma queda acidental da criança. E, ainda no depoimento, essa mesma empregada doméstica disse que, na manhã do dia 8, ao chegar para trabalhar, a poltrona estava encostada na cama.
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A perícia, após medir a altura da cama, e altura da poltrona, disse que, mesmo que ocorresse uma queda da cama, ela não acarretaria as lesões sofridas pelo menino. E concluiu: "(...) peritos Legistas constituíram elementos técnicos de convicção que descarta a possibilidade de um acidente doméstico (queda), visto que todas as lesões citadas anteriormente apresentavam características condizentes com aquelas produzidas mediante ação violenta (homicídio)".