Foto de Christian Kistiann Jacob, de 31 anos.Divulgação

Rio - Um suposto falso empresário, identificado como Christian Kistmann Jacob, de 31 anos, foi indiciado na sexta-feira pelos crimes de estelionato e furto contra duas ex-namoradas e três amigos. No início da semana, as ex-companheiras também tiveram medidas protetivas concedidas contra Christian no Plantão Judiciário, que inicialmente ficou proibido de se aproximar das vítimas por uma distância menor que 500 metros e ainda de ter contato pessoalmente ou por qualquer meio de comunicação. No entanto, conforme a defesa do homem, o Ministério Público deu parecer favorável a Christian, declarando que a medida não foi descumprida.
"Para a concessão das medidas protetivas de urgência não é necessário ouvir a outra parte. Nas decisões judiciais citadas, os juízes se basearam no relato das supostas vítimas e, por isso, concederam as MPU. Isso não configura qualquer tipo de crime por parte de Christian. Para o acusado, as medidas protetivas não se fazem necessárias, uma vez que não tem interesse de ter qualquer tipo de contato com elas.

Inclusive uma das vítimas informou ao judiciário que supostamente Christian teria descumprido a MPU. No entanto, a Promotoria de Justiça deu parecer favorável à defesa pois entendeu que não houve descumprimento da medida protetiva, conforme alegado por uma das supostas vítimas. Tal conduta demonstra existir uma vontade irascível de constrangê-lo", alegou a defesa de Christian.
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De acordo com as investigações, conduzidas pelo delegado Felipe Santoro, da 13ª DP (Ipanema), Jacob se passava por empresário e sommelier que estaria montando uma distribuidora de cervejas artesanais na Flórida, nos Estados Unidos. Ele também afirmava estar investindo em uma revendedora que intermediava operações de vendas em um modelo chamado dropshipping.
As cinco vítimas foram convencidas pelo homem a investir quantias em seus supostos negócios em troca de lucros que obteriam em futuros rendimentos. Após chegarem a conclusão de que haviam, na verdade, caído em um golpe, o grupo procurou a delegacia.
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Como era o suposto esquema
As investigações chegaram à conclusão que Cristian fez as vítimas depositarem valores de R$ 5 a R$ 15 mil para uma conta. Para seus amigos, ele afirmava que a empresa teria lucro e que todos os valores seriam devolvidos até dezembro com rendimentos. Já com as ex-namoradas, ele teria roubado quantias em dinheiro, joias e outros tipos de pertences.
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Em depoimento na 13ª DP, o homem também confirmou estar em um relacionamento com duas das vítimas, simultaneamente, mas negou ter roubado dinheiro, joias ou equipamentos eletrônicos delas. Já sobre os valores depositados pelos amigos, Christian afirma que havia prometido devolve-los até o fim deste ano.
Apesar de levar suas vítimas a fazerem os supostos investimentos na empresa de dropshipping, o acusado revelou durante seu depoimento que o negócio seria propriedade de um amigo que mora nos Estados Unidos e não soube informar o nome da companhia.
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O que diz a defesa
Ao O DIA, a defesa de Christian negou as acusações de que ele teria dado um golpe na ex-namorada e nos três amigos. Ele teria feito um acordo com as partes sobre um investimento em um negócio de e-commerce e, como o dinheiro seria devolvido até dezembro deste ano, o prazo seria vigente. A defesa ainda aponta que Christian retornou 2/3 do valor para um dos investidores e, com a ocorrência, prometeu devolver todo o dinheiro aos quatro. 
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"Christian nunca furtou algo de qualquer pessoa. Não há nenhum precedente criminal em sua trajetória. A defesa informa ainda que irá tomar as medidas judiciais cabíveis, nas áreas criminal e civil. Supostamente, podem ter ocorrido contra Christian os crimes de denunciação caluniosa, falsa comunicação de crise, furto com abuso de confiança e crimes de violência moral", afirmou a defesa. Veja a íntegra:
"O indiciamento não quer dizer que os fatos narrados são verdadeiros porque o inquérito policial serve para investigar os supostos acontecimentos.

As próprias testemunhas que depuseram a favor da acusação disseram que fizeram “um investimento de 10 mil reais com promessa de lucro até o mês de dezembro. Que por este motivo, o declarante não pode afirmar com certeza se de fato terá um prejuízo, mas ainda assim resolveu comparecer a esta delegacia. Que a cerca do fato em apuração o declarante só sabe o que foi relatado por X.., por meio de ligação telefônica.

A sedizente vítima já recebeu parte do investimento realizado 5 meses antes do prazo acordado e, ainda, antes mesmo da ocorrência, *o que comprova não existir crime de estelionato. *

Não há nenhum antecedente criminal na trajetória de vida de Christian.

A defesa informa ainda que irá tomar as medidas judiciais cabíveis, nas áreas criminal e civil. Supostamente, podem ter ocorrido contra Christian os crimes de denunciação caluniosa, falsa comunicação de crise, furto com abuso de confiança e crimes de violência moral.” - defesa de Christian Jacob"
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*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes