Mãe de Moïse relatou desaparecimento do caderno em depoimento do último dia 2Marcos Porto/Agencia O Dia
De acordo com a mãe da vítima, Moïse trabalhava nos quiosques em regime de comissão e o pagamento, normalmente, era realizado no final do dia, mas as vendas feitas por cartão de crédito costumavam ter o pagamento postergado. Na oitiva, ela não soube confirmar se seu filho tinha valores a receber do quiosque Tropicália, nem se estaria indo ao local para cobrar qualquer dívida.
Os relatos constam na decisão da juíza Tula Correa de Melo, da 1ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ) por homicídio triplamente qualificado contra os três homens que agrediram Moïse e decretou a prisão preventiva deles, nesta terça-feira (22). Assim, Aleson, Brendon e Fábio viram réus pela morte do congolês.
No documento, a juíza explicita que há indícios de que o crime foi praticado por "motivo fútil", já que aconteceu após uma discussão e que teve "emprego de meio cruel haja vista as agressões bárbaras" contra Moïse. Os denunciados têm até dez dias para apresentar uma resposta escrita e apresentar documentos que possam embasar a defesa.
Crime que chocou o país
Moïse Kabagambe, 24 anos, trabalhava no quiosque Tropicália na praia da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Ele foi espancado e morto por Fábio Pirineus da Silva, Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca e Brendon Luz da Silva na noite do último dia 24 de janeiro. Os três homens agrediram o jovem com socos e chutes, golpes de taco de beisebol e pauladas.
O motivo, de acordo com relatos colhidos pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCRJ), foi um desentendimento após Moïse cobrar valores de duas diárias de trabalho no quiosque. O crime gerou grande comoção com repercussão nacional e internacional, protestos e até relatos de ameaças de familiares do jovem congolês que chegaram a dizer que teriam sido inibidos ao ir até o local onde fica o quiosque para protestar e mostrar a indignação pelo assassinato brutal de Moïse.
Organizações de Defesa dos Direitos Humanos, Grupos Antirracistas e outras entidades de grande importância, bem como artistas e autoridades foram às redes sociais protestar contra o crime. O caso chamou a atenção das autoridades sobre condições de trabalho insalubre, maus tratos, abusos e não cumprimento de leis trabalhistas para com os imigrantes que residem na capital fluminense, que vieram para cá fugindo de guerras e conflitos políticos na esperança de um recomeço no Brasil.








Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.