Diego Silva, de 30 anos, foi baleado e morto na Comunidade da Caixa D'água, na manhã desta terça-feira (5)Divulgação

Rio - Familiares e amigos de Diego Willian da Silva Dias Lima, de 30 anos, acusam policiais militares de matar o jovem no Morro da Caixa D'água, em Queimados, Baixada Fluminense, na manhã desta terça-feira (5). De acordo com testemunhas, Diego, que trabalha vendendo vassouras em vários bairros do Rio, saia de casa pela manhã quando foi abordado por agentes do 24º BPM (Queimados), e posteriormente baleado e morto, sem motivo aparente. Já a Polícia Militar afirma que houve um confronto em local próximo da comunidade. A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o caso e apreendeu as armas usadas pelos PMs.
Inicialmente, havia sido divulgado por algumas páginas de notícias das redes sociais que Diego era traficante da região. No entanto, a família nega e tenta agora provar que ele era trabalhador e não tinha mais envolvimento com o crime. A mãe de Diego, Ana Cláudia da Silva Dias, de 50 anos, conta que o filho já foi envolvido com o tráfico e ficou preso por um ano. "Logo assim que ele saiu da prisão ele foi direto para a igreja e começou a trabalhar. Para esses policiais que atiraram no meu filho eu queria fazer uma pergunta: vassoura agora é arma? Ele saia todo dia às 5h40 para trabalhar, sempre com muita alegria, era muito querido por todo mundo, não merecia isso", disse ao DIA
Pouco antes de morrer, por volta das 7h, Diego publicou uma foto nas redes sociais ao lado de algumas vassouras. 
Diego Silva, de 30 anos, foi baleado e morto na Comunidade da Caixa D'água, na manhã desta terça-feira (5) - Divulgação
Diego Silva, de 30 anos, foi baleado e morto na Comunidade da Caixa D'água, na manhã desta terça-feira (5)Divulgação
Ana Cláudia denuncia que os policiais sumiram com os documentos, o material de trabalho e a bolsa do filho durante o socorro. Diego chegou a ser levado para uma UPA da região, mas não resistiu e morreu.
O vendedor aproveitava as redes sociais para promover as suas vendas. Em um aplicativo de vídeos, o vassoureiro se intitula "o terror das titias", uma forma descontraída de se relacionar com as clientes que abriam a porta de suas casas para comprar as vassouras. 
Diego era casado e chefe de uma família que ele tinha acabado de construir. Ele morava com a esposa Maria Ysis Vitória e a enteada, de 5 anos, no Morro da Caixa D'agua. Morador bastante conhecido na comunidade, a morte dele deixou muita gente surpresa. "Eu sou amiga dele há mais de 10 anos e há dois anos frequentava a igreja. Todo mundo gostava dele, sempre muito brincalhão, qualquer morador que você for perguntar por ele vai dizer que gostava dele", diz Amanda, uma amiga da vítima. 
Amanda mora no Morro da Caixa D'água desde que nasceu e relata que é rotina presenciar abordagens violentas por parte de policiais na região. A mãe de Diego também contou que a violência na comunidade fez com que o filho fizesse planos de se mudar da comunidade. "A comunidade já está saturada disso tudo, nem todo mundo é criminoso, mora ali quem não tem dignidade de ter uma casa boa. O sonho dele era se batizar e se mudar de lá. O medo dele era descer e ser baleado devido a um passado que ele teve", conta.
Uma outra moradora se mostrou indignada com a versão da PM de que havia confronto. "Que confronto? Foi morto indo trabalhar de manhã cedo, como ele sempre fazia todas as manhãs. Busca o pão de cada dia, menino jovem seguido dos princípios evangélicos. É mais triste ainda vir com uma história mal contada", escreveu. 
"Conheci Diego quando tinha uns 12 anos, isso há 18 anos atrás, mesmo com todos os defeitos e erros (quem nunca errou), sempre foi muito respeitador. Cresceu e se tornou um homem de respeito, buscando sustento pra sua família e querendo se reerguer. Entrou pra igreja e trazia honra por onde passava.
Não sabia que vender vassoura, pra levar sustento pra família é ser criminoso...", escreveu uma outra amiga.
O que dizem as Polícias 
Segundo policiais do 24°BPM (Queimados), criminosos armados atacaram as equipes na comunidade do São Simão, em Queimados, nesta terça. Um homem foi ferido e socorrido à UPA da região. Na ação, foram apreendidos um revólver, duas granadas, três rádios e drogas. A ocorrência foi apresentada na 55ª DP (Queimados). A Corregedoria da Corporação informou também que está acompanhando o caso.
Foi instaurado um inquérito, na Polícia Civil, para apurar a morte de Diego. Os policiais militares que participaram da ação foram ouvidos e as armas utilizadas por eles foram apreendidas e encaminhadas para a perícia.
Protesto de moradores 
Moradores fizeram um protesto logo após a morte de Diego nas proximidades das comunidades da Caixa D'água e São Simão. O clima na região era hostil e manifestantes foram agredidos por policiais militares. 
A família de Diego aguarda a liberação do corpo no IML para marcar o sepultamento.