Rodrigo Soares, cunhado do militar, disse que as pessoas só andam armadas 'por não confiarem na segurança pública'Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
'Vivemos numa selva onde nem existe um líder', diz cunhado de suboficial da Marinha morto a tiros
Fábio Rafael Lima da Costa, de 42 anos, foi assassinado após ser abordado por três criminosos que tentaram roubar sua moto, avaliada em cerca de R$ 50 mil, no Elevado Paulo de Frontin. Ele deixa dois filhos, de 14 e 4 anos
Rio - Os familiares estão em choque com a morte do suboficial da Marinha Fábio Rafael Lima da Costa, de 42 anos, que foi executado a tiros após ter reagido a uma tentativa de assalto, na noite desta terça-feira, no Elevado Paulo de Frontin, no Rio Comprido, sentido Túnel Rebouças, na Zona Norte do Rio. O cunhado da vítima, Rodrigo Soares, que esteve no Instituto Médico Legal (IML), do Centro do Rio, na manhã desta quarta-feira, para fazer a liberação do corpo, desabafou sobre o caso.
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"Ele morava no Rio durante a semana porque trabalhava no quartel da Praça Mauá. Nos finais de semana ficava em São Pedro da Aldeia (Região dos Lagos). Ele ia embora às sextas-feiras. A gente ainda não sabe qual o trajeto que ele estava fazendo, para onde ele estava indo. Não temos muitas informações, só sabemos que foi um latrocínio (roubo seguido de morte). Estamos em choque. Eu até falava com ele para tomar cuidado, porque ele tinha uma moto que chamava muita atenção. Eu, particularmente, não sabia que ele andava armado", explicou Rodrigo.
Segundo a Polícia Militar, o suboficial da Marinha, que guiava uma moto avaliada em cerca de R$ 50 mil, teria reagido à abordagem de três criminosos, que estavam divididos em duas motos, o que deu início a uma troca de tiros. Para Rodrigo, as pessoas só andam armadas "por não confiarem na segurança pública".
"A gente sabe que infelizmente ele (Rafael) vai virar uma estatística, a gente vive numa selva onde nem existe um líder. Pelo menos entre os animais a gente sabe que é o leão, que é o rei, mas aqui a gente sabe que é o tráfico, os bandidos. Vão surgir aquelas questões: 'Ah, ele estava armado'. Sim, ele estava armado, era um militar, tinha todas as autorizações. A verdade é que muitas pessoas só andam armadas, certo ou errado, por não confiar na segurança pública. Se a segurança pública fosse eficiente, acredito que 90% das pessoas que andam armadas iriam abrir mão desse benefício, vamos dizer assim", criticou.
Ubiratan Santos Viana, major reformado da PM que passava pelo local, também trocou tiros com os bandidos e foi ferido no braço esquerdo. Ele foi encaminhado para o Hospital Central da corporação, no Estácio, na Zona Norte, onde foi atendido e liberado.
"Quero agradecer ao major que ainda tentou defendê-lo e também foi alvejado. Espero que ele se recupere logo", afirmou Rodrigo.
O cunhado de Fábio Rafael disse que vai carregar consigo a lembrança de uma pessoa do bem e que sempre buscou ajudar todos da família.
"Por ele ser 15 anos mais velho sempre orientou muito a minha esposa com questões de estudo, de buscar e fazer algo diferente. Não é a toa que ela está terminando a terceira faculdade aos 28 anos de idade. Ele era batalhador. A lembrança que sempre vou ter dele é de uma pessoa do bem, que lutou para ter sua realidade mudada", disse Rodrigo, que completou:
"Ele tinha todas as desculpas para ser um 'vagabundo', desculpa o termo, pra não querer trabalhar, pra não querer estudar, mas ele fez tudo isso contra o sistema, contra as facilidades que a vida entrega. Foi nascido e criado em Anchieta, e quem conhece sabe que é uma região hoje muito ruim. Além de nos parecemos fisicamente, a gente tinha o mesmo pensamento. Da mesma forma que foi ele, poderia ter sido eu".
Militar deixa dois filhos
Rodrigo disse que o militar deixa dois filhos. "A gente não sabe o que falar para uma mãe quando perde um filho, eu não sei o que falar para a minha esposa, que perdeu um irmão. Eu não sei o que falar para os filhos dele de 14 anos e 4 anos, que fez aniversário sábado passado".
O policial militar Ângelo Santos Pereira, primo da vitima, também disse que não sabia que ele andava armado e que espera que a justiça seja feita. "Vou confiar no trabalho da polícia, agora é aguardar".
O porta-voz da Polícia Militar, major Ivan Blaz, disse na manhã desta quarta-feira que as buscas estão sendo feitas por agentes das UPPs da região a esses criminosos nas comunidades próximas de onde o crime aconteceu.
"A gente já tem informações sobre a quadrilha que opera nessa região. É um grupo que atua no Jardim Botânico, na Lagoa e que trás veículos roubados para o Centro do Rio. Infelizmente estamos tendo que lidar com esse crime bárbaro, covarde, desnecessário, mas agora nós precisamos dar uma resposta", afirmou Blaz.
Os criminosos não levaram a moto de Fábio Rafael. No local, os agentes encontraram cartuchos e projéteis de munição, calibre .40. A Polícia Civil informou que o caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) como latrocínio (roubo seguido de morte) mesmo sem a moto ter sido levada.
Os agentes realizam diligências para identificar os autores do crime e apuram se outros pertences do militar foram levados.
O corpo de Fábio Rafael Lima da Costa será enterrado às 16h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Edson Passos, Mesquita, na Baixada Fluminense.
Colaborou Reginaldo Pimenta















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