Vanderson Gomes foi morto a tiros na comunidade Beira Rio, na Pavuna, durante ação policialArquivo Pessoal

Rio- O corpo do ambulante Vanderson Gomes, 20 anos, morto em um confronto na comunidade Beira Rio, Pavuna, na Zona Norte, na última segunda-feira (12), será enterrado nesta quinta-feira (14) no Cemitério de Irajá, às 13h. A família culpa a Polícia Militar e desmente as acusações de que o jovem seria envolvido com o tráfico.
A PM informou que abriu um procedimento interno para investigar as circunstâncias da morte. Já os agentes envolvidos na ocorrência disseram que as equipes realizavam policiamento pela localidade quando foram atacadas a tiros por um grupo de criminosos. O jovem foi encontrado ferido próximo ao local do confronto e socorrido e levado ao Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes.
Os policiais afirmam ainda que na região, próximo ao jovem, foram apreendidas uma pistola calibre 40, 10 munições do mesmo calibre, 230 pedras de crack, 11 tabletes e 112 trouxinhas de maconha, 48 papelotes de cocaína e R$ 68,00 em espécie. No entanto, a corporação não confirmou se Vanderson portava a pistola no momento em que foi baleado.
Em nota, a PM acrescentou que o comando do 41° BPM (Irajá) colabora integralmente com as investigações da Polícia Civil. O caso está sendo investigado pela 27ªDP (Vicente de Carvalho). Segundo informações preliminares, o delegado teria solicitado a apreensão da arma utilizada por um dos PMs envolvidos na ação. No entanto, procurada, a Polícia Civil não confirmou.  Investigações, ainda apontam que ele possuía um antecedente criminal.
A tia de Vanderson, Daiana Azzor, de 34 anos, que contestou a versão da PM, contou que o sobrinho estava lanchando na comunidade quando foi atingido. Mas, questionada sobre a passagem pela polícia, ela não respondeu.
"Ele era um garoto maravilhoso, exemplar, tinha uma vida pela frente, ele trabalhava, queria tirar a mãe da comunidade. Ele era ambulante, vendia castanha e doces. Durante a operação na comunidade, os PMs se esconderam dentro de uma igreja e enquanto Vanderson estava sentado comendo dois pães com guaraná, eles dispararam dois tiros na barriga dele. O que nos deixa mais tristes é que ele não era traficante, ele era um homem trabalhador. Queremos respostas”, disse.
A irmã de Vanderson, Beatriz Gomes, que esteve nesta terça (13) no Instituto Médico Legal (IML), reforçou a fala da tia e reclamou do horário que a PM entra nas comunidades.
"Eu quero justiça pelo meu irmão. Ele estava lanchando antes de ser morto, era um horário que eu estava vindo da escola buscar meu filho, poderia ser uma criança, poderia ser meu marido. Todo mundo senta ali para tomar café na rotina da comunidade, podia ser qualquer um. Estão tentando destruir a imagem do meu irmão, mas ele não tinha envolvimento com o tráfico", lamentou.
Por meio de nota oficial, a Polícia Civil se manifestou e confirmou que já colheu o depoimento dos PMs envolvidos e apreendeu as armas.
"O caso é investigado pela 39ª DP (Pavuna). Os policiais militares envolvidos na ação prestaram depoimento e as armas foram apreendidas para confronto balístico. Testemunhas e os familiares da vítima também serão ouvidos. Diligências estão em andamento para esclarecer todos os fatos", informa a corporação.