Douglas de Paula Pampolha dos Santos, 22, continua desaparecidoDivulgação

Rio - Angustiada, a mãe de Douglas de Paula Pampolha dos Santos, 24, um dos jovens que desapareceu no dia 12 de agosto em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, lamenta não ter tido a chance de enterrar o próprio filho. Sem esperanças de boas notícias, Elaine Paulo acredita que a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) parou com as buscas e investigações. Além de Douglas, também não foi encontrado o corpo de Jhonatan Alef Gomes Francisco, 29.
"Infelizmente eu até hoje eu não consegui saber do paradeiro do corpo do meu filho. Não consigo te explicar a dimensão dessa dor. Eu acredito que eles possam sim ter parado com as investigações", desabafou Elaine.
Os rapazes, junto com outros dois amigos que tiveram os respectivos corpos encontrados e identificados como Matheus Costa da Silva, de 21 anos e Adriel Andrade Bastos, de 24 anos, desapareceram há quase quatro meses. Onze dias depois, os corpos deles foram localizados no Rio Capenga, também em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
No dia 25 de agosto, a Polícia Civil recolheu despojos que poderiam ser restos mortais de um dos quatro jovens. No entanto, mesmo após quase quatro meses de perícia realizada, o resultado ainda não foi divulgado para as famílias das vítimas desaparecidas. Procurada, nesta segunda-feira (5), a Polícia Civil ainda não retornou os questionamentos sobre o exame de DNA dos restos mortais e nem sobre o andamento das investigações.
Sonho com filho
Elaine contou ao Dia sobre o dia que sonhou com o filho. "A gente sempre fala que se agarra em um fio de esperança, até porque meu filho não foi encontrado. Já me peguei diversas vezes debruçada sob a minha janela achando que meu filho iria chegar me gritando. Sonhei com ele essa semana, inclusive. Quando acordei, saí de casa do jeito que estava e fui para a rua, corri igual maluca. Cheguei na beira da pista e senti um vazio tão grande... eu morro por dentro todos os dias", desabafa.
Sem data para resultado de exame
Em setembro, a Polícia Civil informou que as investigações prosseguem e estão sob sigilo. Também reforçaram que os despojos encontrados estavam sendo analisados pelo IPPGF, sem data para o resultado. "O tempo para o resultado do exame de DNA está diretamente ligado a variáveis do cruzamento de materiais genéticos e à complexidade do estado dos cadáveres e despojos", disse a polícia na época.
Uma das linhas de investigação é de que os jovens tenham se envolvido com o tráfico de drogas local, o que teria motivado a ação de milicianos que dominam a região. A versão é contestada pelas famílias, que negam o envolvimento dos jovens com o crime organizado.

Os jovens desapareceram a caminho de um shopping, em Nova Iguaçu, quando, segundo testemunhas, criminosos encapuzados e armados, usando dois veículos, interceptaram o carro de aplicativo que eles estavam e os sequestraram.
Nota de esclarecimento
Na segunda-feira (5), foi veiculado no título desta matéria que o corpo do jovem Douglas de Paulo havia sido encontrado. No entanto, houve um erro de digitação, corrigido nesta terça-feira (6). A reportagem ressalta que o corpo de Douglas não foi localizado até o momento.