Sequestro com reféns na Rodoviária Novo Rio deixou 16 refénsRenan Areias/Agência O Dia

Rio - Em apenas um dia, a cidade do Rio registrou 14 pessoas baleadas. Entre os casos, estão o passageiro de um ônibus sequestrado na Rodoviária do Rio, e um policial militar atingido durante um assalto na Zona Norte. A informação foi confirmada pelo secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, após as vítimas darem entrada nos hospitais municipais nesta terça-feira (12). No mesmo dia, outros dois agentes morreram, um em Realengo, Zona Oeste, e outro em Itaboraí, na Região Metropolitana.
O petroleiro Bruno Lima da Costa, de 34 anos, baleado durante o sequestro que fez 16 pessoas reféns por três horas, está internado em estado crítico. Ele poderá passar por uma nova cirurgia, nesta quarta-feira (13), no Instituto Nacional de Cardiologia, em Laranjeiras, Zona Sul.
Nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, Bruno foi atingido por três tiros que perfuraram seu coração, pulmão e também o baço. Por conta da gravidade, a equipe médica da unidade avalia a necessidade de uma nova cirurgia para a remoção dos projéteis que seguem alojados no corpo da vítima. Inicialmente, ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, onde foi operado por três equipes médicas e precisou de pelo menos seis bolsas de sangue.
Ainda na unidade municipal, está o policial militar Gustavo Melo de Lima, em estado gravíssimo. Ele também passou por cirurgia. Segundo a corporação, o agente estava em sua motocicleta, junto com a filha na garupa, quando foi abordado por criminosos na Avenida Rei Pelé, no Maracanã.
Em relação as demais vítimas, elas ainda não tiveram a identidade revelada, assim como a dinâmica em que foram baleadas.
PMs mortos
O subtenente, lotado no Grupamento Aeromóvel (GAM), Cristiano Soares da Costa, de 47 anos, que estava de folga, morreu após ser baleado durante uma tentativa de assalto em Realengo, na Zona Oeste, no fim da madrugada desta terça-feira (12). Os suspeitos fugiram. O enterro acontece nesta quarta-feira (13), Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap.
Já o policial militar Gabriel Leite Fernandes, de 33 anos, morreu após ser baleado na cabeça durante uma ação na comunidade Penedo, em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio. Ele era lotado no 35º BPM (Itaboraí), chegou a ser socorrido, mas não resistiu.
Segundo a corporação, só neste ano de 2024, três militares morreram em situações violentas no estado do Rio de Janeiro, sendo um em serviço e dois na folga. Enquanto quatro morreram em serviço no mesmo período de 2023.
Sequestro na Rodoviária do Rio
A cidade do Rio viveu momentos de tensão durante o sequestro que aconteceu ainda no interior da rodoviária com 16 reféns. O suspeito Paulo Sérgio de Lima, de 29 anos, se entregou após três horas de negociação com policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), liberando as vítimas, entre elas uma criança e seis idosos.
Mas antes da chegada da PM, ele atirou contra Bruno. Na ação, uma segunda vítima foi ferida por estilhaços e recebeu atendimento ainda no ambulatório da rodoviária. O ônibus sequestrado era da Viação Sampaio, da linha Rio de Janeiro-Juiz de Fora (MG), operada pela Viação Útil, que partiria às 14h30 da tarde desta terça-feira (12).
O criminoso é morador da Rocinha, na Zona Sul, e estaria em fuga para Juiz de Fora (MG) após desavenças com a facção à qual pertencia. A Polícia Militar suspeita que ele tenha confundido o passageiro Bruno Costa Soares, de 34 anos, com um policial durante o embarque ao coletivo.
Violência no transporte
Um dos casos emblemáticos de sequestro a ônibus aconteceu no dia 12 de junho de 2000, onde um coletivo da linha 174 foi sequestrado na Rua Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, por volta das 14h20. Dez passageiros ficaram sob o domínio do sequestrador Sandro do Nascimento por cerca de quatro horas, período em que policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) negociavam com o criminoso para a soltura dos reféns. O caso ganhou repercussão nacional e o sequestro foi transmitido ao vivo pelas TVs.
O sequestrador saiu do veículo usando a professora Geise Firmo Gonçalves como escudo e ela acabou morta. Um dos policiais do Bope se aproximou do criminoso, mas acertou a refém ao efetuar o disparo.
Nascimento ainda deu outros três tiros contra Geise. Em seguida, ele foi colocado em um camburão e morreu asfixiado dentro do veículo. Os agentes foram acusados de homicídio qualificado, mas foram absolvidos pelo Tribunal do Júri do Rio.
Em caso mais recente, em 20 de agosto de 2019, outro ônibus foi sequestrado no Rio de Janeiro, na Ponte Rio-Niterói. O sequestrador, identificado como Willian Augusto da Silva, manteve 39 passageiros reféns por mais de três horas.
O criminoso acabou sendo alvejado por um atirador de elite do Bope quando saiu do veículo e morreu no local. Descobriu-se depois que ele portava uma arma de brinquedo. Os reféns não ficaram feridos. O caso ficou marcado pela cena do então governador, Wilson Witzel, com os braços erguidos comemorando a morte do sequestrador e a conclusão do caso sem outros feridos.
Já em janeiro deste ano, um ônibus que vinha de Angra dos Reis, na Costa Verde Fluminense, foi sequestrado por criminosos armados na Avenida Francisco Bicalho, próximo à Rodoviária do Rio. Os suspeitos abordaram o veículo em um sinal e anunciaram o sequestro, obrigando o motorista a dirigir até a comunidade Kelson's, na Penha, na Zona Norte, enquanto roubavam as pessoas. Após o assalto, os suspeitos desceram liberaram o motorista a seguir viagem, que levou todos os passageiros até a 22ª DP (Penha) para registrar o caso.
Em dezembro de 2023, três dias antes do Natal, outro ônibus, que vinha de São Paulo em direção à Rodoviária do Rio, foi sequestrado por criminosos na Avenida Francisco Bicalho. Na ocasião, o veículo passava pela avenida quando cerca de cinco criminosos ameaçaram o motorista e anunciaram o assalto. Eles roubaram todos os passageiros, entre as vítimas, três turistas chineses, que perderam celulares, passaportes e R$ 2 mil em dinheiro. Os bandidos ainda obrigaram o motorista a seguir com o ônibus para uma das entradas do Complexo da Maré. O caso foi registrado na 4ª DP (Praça da República).