Defesa descreveu prisão do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, como 'desproporcioonal'Divulgação
Defesa diz que R$ 90 mil encontrados no carro de Bacellar foram declarados à Receita
Presidente da Alerj está preso há dois dias e advogados afirmam ainda estarem sem acesso ao teor das investigações
Rio - A defesa de Rodrigo Bacellar (União Brasil) afirmou, nesta sexta-feira (5), que o dinheiro encontrado no carro dele está "devidamente declarado" à Receita Federal. O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) está preso desde a última quarta-feira (3), suspeito de vazar informações da ação que prendeu TH Joias. O valor em espécie foi apreendido pela Polícia Federal junto com três celulares dentro do veículo.
No cumprimento da prisão na Superintendência da Polícia Federal, Zona Portuária do Rio, agentes encontraram R$ 90,8 mil em espécie no carro de Bacellar. O parlamentar chegou a ser interrogado sobre a quantia, mas preferiu se manter em silêncio. A defesa dele, no entanto, esclareceu que os valores "estão integral e devidamente declarados à Receita Federal, para rechaçar qualquer especulação propagada".
Os advogados também relataram que seguem sem acesso ao teor da investigação que levou à prisão, que descreveram como "desproporcional", e atuam pela revogação. "A defesa reitera que o presidente da Alerj não atuou, de nenhuma forma, para inibir ou dificultar qualquer investigação, direita ou indiretamente", reforçaram os defensores do parlamentar, que disseram ainda que "tudo será esclarecido, afastando as injustas suspeitas que lhe foram direcionadas".
Também nesta sexta, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alerj se reúne para deliberar sobre a manutenção da prisão de deputado e o afastamento da presidência da Casa. O relatório deverá ser levado ao plenário na segunda-feira (8), quando todos os 70 parlamentares poderão votar. O governador Cláudio Castro defendeu que o presidente deve ter garantido o direito aos processo legal e declarou que confia na condução técnica e imparcial das investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) e da PF.
O pedido de prisão foi feito pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, por meio da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635/RJ, a "ADPF das Favelas", que determinou à PF investigar a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividades no Rio e as conexões com agentes públicos. O presidente da Alerj permanece preso em uma cela de 2m² da delegacia de flagrantes, na Superintendência da PF.
"Os fatos narrados pela Polícia Federal são gravíssimos, indicando que Rodrigo Bacellar estaria atuando ativamente pela obstrução de investigações envolvendo facção criminosa e ações contra o crime organizado, inclusive com influência no Poder Executivo estadual, capazes de interferência indevida nas investigações da organização criminosa", justificou Moraes na decisão que determinou a prisão preventiva do presidente da Alerj e o afastamento do cargo.
Rodrigo Bacellar está no segundo mandato de presidente da Alerj, reeleito por unanimidade em fevereiro deste ano. O parlamentar lançou a primeira candidatura pelo Solidariedade (SD) em 2018, tendo sido eleito com 26.135 votos, e reeleito em 2022 pelo Partido Liberal (PL), com 97.822. Em março de 2024, se filiou ao União Brasil. Entre 2007 e 2009, foi assessor da Secretaria-Geral de Planejamento do Tribunal de Contas do Rio (TCE/RJ), e de 2009 a 2011, presidente da Fundação Estadual do Norte Fluminense (FENORTE).
Entenda a prisão
Segundo as investigações, Bacellar é suspeito de ter vazado informações de uma operação contra uma quadrilha especializada em tráfico internacional de armas e drogas, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro. Entre os alvos estavam Thiego Raimundo dos Santos Silva, um delegado da Polícia Federal, policiais militares, um ex-secretário municipal e estadual e uma liderança do Comando Vermelho (CV). À época deputado estadual, TH Joias acabou destituído do cargo.
A Polícia Federal apresentou provas que apontam uma relação estreita entre o parlamentar e Thiego. Em trocas de mensagens, o ex-deputado inicia a conversa chamando o presidente com "Fala, 01" e avisando que passaria a usar um novo número. Ele então responde com uma figurinha, o que, segundo os investigadores, sugere que já sabia da troca. O diálogo aconteceu em 2 de setembro, um dia antes da operação policial. Além disso, TH incluiu o telefone de Bacellar em uma lista de "comunicação urgente".
À época em que a operação foi realizada, a PF já apurava o vazamento de informações, porque Thiego não havia dormido em casa, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste. "O deputado estadual TH não estava em casa, tinha fugido. Vamos instaurar um inquérito para apurar um eventual vazamento de informação. Temos indicativos de que chegou ao conhecimento dele e nós vamos apurar", afirmou o superintendente Fábio Galvão na ocasião.

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