Simone Biles e Jordan Chiles fazem reverência a Rebeca Andrade no pódio do solo de ginástica na Paris-2024AFP

O ano de 2024 que se encerra também pode ser lembrado pela Olimpíada de Paris que sacramentou a ginasta Rebeca Andrade como maior medalhista olímpica do Brasil, ao chegar a seis medalhas no total. Além dela, as mulheres brilharam ao conquistarem pela primeira vez os únicos ouros do Time Brasil. Ao todo foram três.
Além disso, elas contribuíram com 12 medalhas e mais uma no time misto do judô, do total de 20 pódios (três ouros, sete pratas e 10 bronzes). Os Jogos de Paris tiveram vários momentos marcantes, assim como polêmicas que marcaram a edição. Confira alguns destaques:
- O brilho de Rebeca Andrade e o pódio histórico
A disputa entre Rebeca Andrade e a americana Simone Biles foi histórica, diante do alto nível apresentada pelas duas nas provas da ginástica. A brasileira brilhou no solo e conquistou a medalha de ouro, e perdeu no salto e no individual geral, ficando com a prata Por equipes, ajudou a conquista inédita do bronze.
Foram quatro idas ao pódio (que somaram-se a outras duas na Tóquio-2020), mas a mais marcante - talvez da Olimpíada - foi no ouro. Além da emoção pela conquista, três atletas negras estavam no pódio. E Biles e a compatriota Jordan Chiles reverenciaram a brasileira.
Posteriormente, Chiles perderia o bronze após a Federação Internacional de Ginástica (FIG) acatar um pedido de revisão de nota feito pela atleta romena Ana Maria Barbosu, que herdou o terceiro lugar. Mas o momento histórico já estava gravado.
- Pedido de casamento após prova 
O atleta brasileiro Almir Júnior pediu a namorada, Talita Ramos, em casamento após a final do salto triplo na Olimpíada de Paris, nesta sexta-feira (9). Ela disse "sim", e os dois se beijaram no Stade de France. Os torcedores vibraram nas arquibancadas. O brasileiro ficou em 11º, mas o resultado pouco importou.

Não foi o único pedido de casamento nos Jogos. A chinesa Huang Ya Qiong também recebeu um pedido, pouco depois de subir no pódio para receber a medalha de ouro nas duplas mistas do badminton. Ela 
foi surpreendida pelo namorado e também atleta do esporte, Liu Yuchen.
- A onipresença de Ana Sátila
A brasileira da canoagem slalom chamou atenção de torcedores internautas brasileiros por ser presença constante em provas na primeira semana da Olimpíada. De 27 de julho até 5 de agosto, ela ou Pepê Gonçalves apareciam em disputas de canoa,  caiaque ou caiaque cross.

Foi por pouco que o Brasil não conquistou a medalha de bronze com Ana Sátila, na modalidade (K1). Já Pepê também chegou a uma final e bateu na trave, e também chamou a atenção por utilizar um capacete inspirado no de Ayrton Senna.
- A chegada apertada dos 100m raso
Em um dos grandes momentos da Paris-2024, pela primeira vez os oito finalistas dos 100m rasos fizeram tempos abaixo dos 10 segundos. O vencedor foi o americano Noah Lyles, que sagrou-se o homem mais rápido da atualidade com 9s784. A vitória foi conquistada por apenas cinco milésimos de segundo.
O jamaicano Kishane Thompson, que fez 9s789, terminou com a medalha de prata, em uma decisão que fez a organização da modalidade recorrer aos milésimos de segundo para definir o vencedor. O momento da chegada dos oito competidores é impressionante. A disputa foi tão acirrada, que foi necessário checar a foto do momento em que cruzam a faixa para ter certeza da ordem das medalhas.
- O visual da quadra de vôlei de praia
Um dos pontos que chamou mais atenção das arenas em Paris, a quadra de vôlei de praia aos pés da Torre Eiffel foi um dos pontos altos do evento. E, no final, Ana Patrícia e Duda conquistaram o ouro.
Elas venceram a dupla canadense Brandie e Melissa por 2 sets a 1, parciais 26/24, 12/21 e 15/10.
- Medalha de prata mulheres futebol
Se os homens nem sequer se classificaram, as mulheres brilharam no futebol em Paris. Na despedida de Marta em uma Olimpíada, o time comandado por Artur Elias surpreendeu ao chegar à final, eliminando as grandes favoritas França, nas quartas, e Espanha, na semifinal. 
Antes, na fase de grupos, Marta foi expulsa por uma entrada violenta e foi suspensa por dois jogos, só retornando na final. Na disputa pelo ouro, a seleção brasileira feminina perdeu para os Estados Unidos, numa despedida mais condizente para a nossa Rainha.
- Cerimônia de Abertura pela cidade de Paris
A cerimônia de abertura foi realizada às margens do Rio Sena, na capital francesa, ao contrário de outros anos, em que aconteceu em estádio. O enredo explorou a história e arquitetura da cidade, e as delegações desfilaram de barco.
- Foto de Medina viraliza
Gabriel Medina conquistou a tão sonhada medalha olímpica - teve que se contentar com o bronze ao perder a semifinal por falta de ondas - nas águas de Teahupo'o, no Haiti. E seu grande momento foi nas oitavas de final.
Na disputa com o japonês Kanoa Igarashi, o brasileiro deixou um tubo pedindo uma nota dez e, em seguida, voou para fora da onda com o dedo apontado para o alto, enquanto parecia flutuar sobre as águas. A pose virou até capa de caderno escolar.
- A poluição rio Sena 
Um ponto que gerou muita polêmica foi a qualidade da água do Rio Sena nas provas de triathlon. Apesar da promessa das autoridades, o que se viu foi muita poluição e atletas criticando e sofrendo.
Pelo menos seis atletas passaram mal e apresentaram sintomas de infecção gastrointestinal após participarem de provas no local. Uma delas, a belga Claire Michel, ficou internada no hospital, o que fez a equipe do país desistir de uma competição.
- Boxeadoras sofrem preconceito
A argelina Imane Khelif e a a taiwanesa Lin Yu-ting receberam muitos ataques nas redes sociais - inclusive no Brasil - e de adversárias por participarem das competições de boxe entre as mulheres. As duas haviam sido reprovadas em em teste de gênero no Mundial de 2023.
Elas, entretanto, receberam a permissão do Comitê Olímpico Internacional (COI), que baniu a Associação Internacional de Boxe (IBA) responsável pelos testes, de participar da Paris-2024.
As duas conquistaram a medalha de ouro em suas categorias e Imane prometeu processar quem a atacou.
- O ouro de Djokovic
Aos 37 anos e em sua quinta Olimpíada da carreira, o sérvio Novak Djokovic enfim conquistou a sonhada medalha de ouro olímpica. Com a vitória sobre o espanhol Carlos Alcaraz por 2 sets a 0, o tenista completou a coleção de grandes conquistas do tênis.
Djokovic se emocionou ao faturar o ouro em sua primeira final olímpica. Ele tinha apenas um bronze, enquanto já era o recordista de troféus, com 24 grand slams.
- A arrancada de Isaquias Queiroz por mais uma medalha
Isaquias Queiroz não conseguiu o ouro pedido pelo filho Sebastian, mas ainda assim ganhou a medalha de prata e voltou a subir em um pódio olímpico com no C1 1000m da canoagem de velocidade. O brasileiro alcançou a quinta medalha olímpica, igualando o número de pódios de lendas como os velejadores Torben Grael e Robert Scheidt, e ficando atrás apenas de Rebeca Andrade.
Para conseguir a medalha, Isaquias precisou de uma grande arrancada nos 250 metros finais da prova, saindo de sexto para o segundo lugar, No pódio, o atleta do Flamengo repetiu Tóquio-2020 e fez o gesto do Kamehameha, golpe mais famoso da franquia de anime Dragon Ball.
- O primeiro ouro do Brasil foi com Beatriz Souza
Foi com muita emoção o primeiro ouro do Brasil na Paris-2024, com a judoca Beatriz Souza, que derrotou a israelense Raz Hershko com um waza-ari na final da categoria acima de 78 kg do judô.
Com muito carisma, Beatriz tornou-se um dos rostos do Brasil nesta edição. Ela ainda seria crucial em um bronze na categoria equipes mista.
- A primeira medalha da marcha atlética e o preconceito
Pela primeira vez, um atleta brasileiro da marcha atlética foi ao pódio. Caio Bonfim terminou a prova em segundo lugar com a marca de 1h19min09s e fez história. Ele precisou superar uma série de obstáculos comuns ao esporte em geral no país.
Além de falta de apoio ou condições ruins de local de treino ao longo da carreira, ainda revelou ter sofrido preconceito ao começar na modalidade. Ao treinar na rua o passo característico da marcha atlética, recebeu ataques e admitiu que isso dificultou, mas não o fez desistir. Pelo contrário.

- A australiana do breaking
O caso de maior repercussão e que virou meme na internet foi da australiana Rachael Gunn, que se tornou famosa na Olimpíada de Paris-2024 em razão da performance abaixo do esperado na estreia do breaking no programa olímpico.
A b-girl, que usa o nome artístico de Raygun, não obteve um ponto sequer nas três disputas que participou, acumulando uma derrota no total por 54 a 0. Mais do que os placares, o que chamou a atenção foram os movimentos incomuns que ela fez no palco da disputa.
Também no breaking, a afegã Manizha Talash foi desclassificada por usar uma roupa com a inscrição "Libertem as mulheres afegãs" durante a apresentação, em Paris 2024. Mensagens políticas e religiosas são proibidas nas competições ou no pódio dos Jogos Olímpicos.