Cem pessoas já foram vítimas de bala perdida no Grande Rio em 2019

Média está em uma vítima a cada dois dias para este tipo de ocorrência; Dados fazem parte de um levantamento da plataforma Fogo Cruzado obtido com exclusividade pelo DIA

Por Beatriz Perez

Kauã Vítor Rozário, de 11 anos, sofreu morte cerebral em maio, vítima de bala perdida quando andava de bicicleta na Vila Aliança, em Bangu, Zona Oeste do Rio
Kauã Vítor Rozário, de 11 anos, sofreu morte cerebral em maio, vítima de bala perdida quando andava de bicicleta na Vila Aliança, em Bangu, Zona Oeste do Rio -
Rio - A Região Metropolitana do Rio de Janeiro chegou nesta terça-feira à marca de cem pessoas baleadas por bala perdida em 2019. Gessi Gonzalez Camargo, atingido no início desta tarde em Bento Ribeiro, foi a centésima vítima. Ele foi baleado nas costas quando um motorista reagiu a uma tentativa de assalto no bairro da Zona Norte e tem estado de saúde estável. A média está em uma vítima a cada dois dias para este tipo de ocorrência. Os dados fazem parte de um levantamento da plataforma Fogo Cruzado obtido com exclusividade pelo DIA.
No ano passado, a marca veio seis dias mais tarde, no dia 22 de julho de 2018, quando um engenheiro foi atingido também durante uma tentativa de roubo de carro, em Realengo, na Zona Oeste do Rio. Na ocasião, outras duas pessoas foram feridas.
Sheila Machado de Oliveira foi morta, aos 28 anos, após ser atingida por uma bala perdida em junho, durante uma operação da Polícia Militar no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio - Reprodução redes sociais
Dos 100 baleados por bala perdida no Grande Rio este ano, 25 morreram e 75 ficaram feridos. As vítimas deste tipo de ocorrência este ano morreram mais do que as cem primeiras vítimas do ano passado. Em 2018, dentre os cem primeiros vitimados pela ocorrência, 21 morreram e 79 sobreviveram. O aumento em 2019 foi de 19% de vítimas fatais. 
O cinegrafista Rafael Santos morreu, aos 34 anos, vítima de bala perdida em junho no Morro da Coroa, no Catumbi, na Região Central do Rio - Reprodução redes sociais
Entre os bairros, o Complexo da Penha foi o que registrou mais vítimas de bala perdida. Foram oito moradores ou frequentadores atingidos. Em seguida vêm Complexo da Maré (4), no Rio, Jóquei Clube (4), em São Gonçalo, Manguinhos (4), Catumbi (3), Complexo do Alemão (3), Costa Barros (3) e Marechal Hermes (3), na capital fluminense.

Dentre os cem baleados por bala perdida em 2019, sete são crianças, com até 12 anos, onze são adolescentes, até 18 anos, e oito são idosos, com mais de 60 anos. Três agentes de segurança também foram baleados apesar de não participarem de confronto. Neste grupo, morreram em decorrência do ferimento duas crianças, dois adolescentes e três idosos. Seis cachorros também morreram vitimados por bala perdida no Grande Rio e todos morreram. Além deles, outros dois animais foram baleados intencionalmente este ano.
O professor de jiu-jitsu Jean Rodrigo Aldrovande, de 39 anos, foi morto com um tiro na cabeça, no Complexo do Alemão,em maio - Reprodução
As 100 vítimas de bala perdida registradas representaram 6,5% do total de baleados no Grande Rio este ano, que estão em 1655. Este número inclui vítimas que foram atingidas deliberadamente, como em confronto entre grupos criminosos, ações policiais, roubo e homicídio.

Por seis vezes balas perdidas não fizeram vítimas, mas assustaram. Por duas vezes os projéteis caíram em quarto de criança, uma vez atingiu a parede de um hospital, outra o vidro de um carro. Projéteis também atingiram uma cozinha e um refeitório de colégio.
O cachorro Bolt morreu em junho após ser atingido por uma bala perdida durante uma operação da Polícia Militar na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, Zona Norte do Rio - Reprodução redes sociais
Municípios com mais balas perdidas

O município do Rio de Janeiro concentrou o maior número de vítimas de balas perdidas: foram 62. A capital foi seguida por São Gonçalo, com 19 casos, Niterói (7), Belford Roxo (4), Duque de Caxias (2), Itaboraí (2) e Nilópolis (2).
Zona Norte concentra vítimas 

A Zona Norte teve 45 baleados por bala perdida e foi a região mais afetada por esse tipo de ocorrência no Grande Rio. Com 27 casos, o Leste Metropolitano – formado pelos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Cachoeira de Macacu e Tanguá –, aparece em segundo lugar. A  Zona Oeste do Rio teve oito vítimas de bala perdida. Completam este ranking Baixada Fluminense (7), Centro (7) e Zona Sul do Rio (2). 
Aluno da UFRJ, que teve a identidade preservada, foi ferido por bala perdida na entrada do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza, no campus Fundão, na Ilha do Governador - Reprodução
Áreas com UPPs

A Plataforma Fogo Cruzado também mapeou as áreas com Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) que mais sofreram com a ocorrência. São elas: Complexo da Penha (8), Complexo de Manguinhos (4), Complexo do Alemão (3), Providência (2), Barreira do Vasco/Tuiutí (1); Jacarezinho (1); Mangueira (1) e São João (1).  

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Kauã Vítor Rozário, de 11 anos, sofreu morte cerebral em maio, vítima de bala perdida quando andava de bicicleta na Vila Aliança, em Bangu, Zona Oeste do Rio Reprodução
Aluno da UFRJ, que teve a identidade preservada, foi ferido por bala perdida na entrada do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza, no campus Fundão, na Ilha do Governador Reprodução
O professor de jiu-jitsu Jean Rodrigo Aldrovande, de 39 anos, foi morto com um tiro na cabeça, no Complexo do Alemão,em maio Reprodução
O cachorro Bolt morreu em junho após ser atingido por uma bala perdida durante uma operação da Polícia Militar na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, Zona Norte do Rio Reprodução redes sociais
O cinegrafista Rafael Santos morreu, aos 34 anos, vítima de bala perdida em junho no Morro da Coroa, no Catumbi, na Região Central do Rio Reprodução redes sociais
Sheila Machado de Oliveira foi morta, aos 28 anos, após ser atingida por uma bala perdida em junho, durante uma operação da Polícia Militar no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio Reprodução redes sociais

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