Em uma semana, Grande Rio teve 142 tiroteios com 52 baleados e 25 mortos

Os dados foram divulgados em primeira mão ao DIA pelo aplicativo Fogo Cruzado. Segundo o relatório, 43 destes confrontos aconteceram com a presença de agentes de segurança

Por RAFAEL NASCIMENTO

Armas apreendidas com suspeitos  durante confronto em comunidade de Belford Roxo. Cidade é uma das que mais tem tiroteios
Armas apreendidas com suspeitos durante confronto em comunidade de Belford Roxo. Cidade é uma das que mais tem tiroteios -
Rio - De segunda-feira até às 12h deste sábado, 52 pessoas foram baleadas e 25 morreram em 142 tiroteios que aconteceram no Grande Rio — Região Metropolitana e Baixada Fluminense. Os dados foram divulgados em primeira mão ao DIA pelo aplicativo Fogo Cruzado. Segundo o relatório, 43 destes confrontos aconteceram com a presença de agentes de segurança.
Um desses confrontos aconteceram na manhã de hoje — durante uma ação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) — na Comunidade da Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Na ocasião, duas pessoas ficaram feridas e foram levadas para o Hospital Estadual Getúlio Vargas. Desde o começo do ano 1.559 pessoas foram baleadas, com 843 mortes.
Fuzis apreendidos, além de drogas, no Complexo da Penha. Duas pessoas foram baleadas - Divulgação
Segundo os dados, das 52 baleadas nesta semana — 48 pessoas foram atingidas em operações policiais. No município de São Gonçalo, na Região Metropolitana, foram seis baleados (dois mortos e quatro feridos), seguido por Senador Camará, na Zona Oeste do Rio, com cinco vítimas (dois mortos e três feridos). Em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, quatro pessoas foram atingidas por disparos e morreram. No bairro do Catumbi, na Zona Norte do Rio, o aplicativo registrou quatro mortos. Já em Niterói, três pessoas foram atingidas.
Ao DIA, o Fogo Cruzado informou que a cidade do Rio foi a que mais registrou tiroteios. Foram 100 confrontos. Já em Niterói houve 11 trocas de tiros. Seguido por São Gonçalo (10), Duque de Caxias (7) e Belford Roxo (7). 
Em sete meses mais de 1.559 pessoas baleadas

Entre os 1.559 baleados, sete eram crianças com menos de 12 anos, 11 adolescentes e oito idosos com mais de 60 anos. Além de oito cachorros alvejados por balas perdidas. Das crianças atingidas, duas morreram. Assim como dois adolescentes e três idosos.
A cidade do Rio registrou o maior número de vítimas. Seguido por São Gonçalo, Niterói, Belford Roxo, Duque de Caxias, Itaboraí e Nilópolis.
Já os bairros que registraram o maior número de pessoas baleadas e mortas em sete meses, o Complexo da Penha lidera o ranking. Seguido por Complexo da Maré, Jóquei (em São Gonçalo), Manguinhos, Catumbi, Complexo do Alemão, Costas Barros e Marechal Hermes.
Ranking dos hospitais que recebem mais baleados

Ao DIA a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou os hospitais que mais recebem pessoas baleadas na cidade do Rio. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde os hospitais Albert Schweitzer, em Realengo, e Salgado Filho, no Méier, encabeçam a listagem das unidades de saúde que receberam mais vítimas de disparos até agora. No Albert Schweitzer entre janeiro e março, 207 pacientes deram entrada na unidade. Já no Salgado Filho foram 113. Logo em seguida aparecem o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, com 81 pacientes, Lourenço Jorge, na Barra, com 59 vítimas; Hospital Miguel Couto, no Leblon, com 40 baleados e Hospital Pedro II, em Santa Cruz, com 18 vítimas. A Secretaria Municipal de Saúde não informou o total de pessoas que não resistiram e morreram.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) afirmou que, até o dia 31 de maio, as cinco unidades de urgência e emergência da rede estadual atenderam 1050 vítimas de perfuração por arma de fogo. De acordo com a pasta, o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, atendeu 308 pessoas. Já o Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, recebeu 281 vítimas de tiros. Ainda de acordo com a secretaria, o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, atendeu 271 pessoas; o Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, 115 vítimas e Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, outros 75 pacientes.
Nem a Polícia Civil e nem a Polícia Militar quiseram comentar os números do aplicativo Fogo Cruzado.

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Fuzis apreendidos, além de drogas, no Complexo da Penha. Duas pessoas foram baleadas Divulgação

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