'Se fosse branco jamais seria daquele jeito', diz delegado sobre jovem negro agredido por PMs

Empresa de segurança não tem autorização da PF para prestar serviços

Por O Dia

Momento em que jovem é agredido por policiais no Shopping Ilha Plaza
Momento em que jovem é agredido por policiais no Shopping Ilha Plaza -
Rio - O delegado Marcus Henrique Alves, titular da 37ª DP (Ilha do Governador), afirmou nesta terça-feira, que a motivação da agressão de dois policiais militares contra Matheus Fernandes no Shopping Ilha Plaza, na Zona Norte do Rio, foi a cor da pele do jovem. Na última quinta-feira, o entregador esteve na loja Renner para trocar um relógio que daria de presente de Dia dos Pais, mas foi acusado de roubo e chegou a ter uma arma apontada na cabeça.

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Boné foi usado como justificativa por PMs para abordagem contra Matheus Ricardo Cassiano/Agencia O Dia
Matheus Fernandes Ricardo Cassiano/Agencia O Dia
Matheus Fernandes e o advogado Ricardo Cassiano/Agencia O Dia
Garoto vítima de racismo no shpping Ilha Plaza Ricardo Cassiano/Agencia O Dia
O soldado Diego Alves da Silva escondeu o rosto na saída 37ª DP Luciano Belford/Agência O Dia
Rio de Janeiro 10/08/2020 - Os policiais acusado de agredir um jovem no shopping Ilha Plaza Shopping prestaram depoimento na 37 DP na ilha do Governandor. Na foto acima o soldado do Choque Diego Alves da Silva. Foto: Luciano Belford/Agencia O Dia Luciano Belford/Agencia O Dia
O sargento da PM Gabriel Izaú prestou depoimento na 37ª DP Luciano Belford/Agência O Dia
Momento em que jovem é agredido por policiais no Shopping Ilha Plaza Twitter / Reprodução
"Eu não mudo minha convicção. Para a polícia, Matheus foi abordado daquela forma em virtude da cor sua pele. Tenho certeza, se ele fosse um rapaz branco, louro, de olhos azuis e levasse um relógio na mão com uma nota fiscal. Ele jamais seria abordado daquele jeito", disse o delegado.

Segundo Marcus Henrique, os crimes são investigados como racismo e abuso de autoridade. "Agora só falta relatar o inquérito e encaminhar para o Ministério Público para fins de denúncia", afirmou o delegado após colher os depoimentos dos envolvidos e de testemunhas.
Nesta segunda-feira, os policiais militares Gabriel Guimarães Sá Izaú, sargento do corporação, e Diego Alves da Silva, soldado do Batalhão de Choque, prestaram depoimento na distrital. Eles alegaram que suspeitaram de Matheus pelo fato do rapaz usar um boné que fazia alusão ao personagem Hulk, um dos apelidos do traficante Gilberto Coelho de Oliveira, um dos chefes do Morro do Dendê, na Ilha.
Boné foi usado como justificativa por PMs para abordagem contra Matheus - Ricardo Cassiano/Agencia O Dia
"Primeiro que o boné que ele estava usando não fazia alusão ao tráfico. Tinha a foto de um personagem, o Hulk, e um leão. Então, não muda nada minha convicção", destacou o delegado.
Ao O DIA, Jaime Fernandes, advogado de Matheus, rebateu a versão dos policiais militares sobre a causa da abordagem ter sido o boné."Ele achou esse boné, não sabia da história. Não faz sentido até porque na abordagem ninguém pergunta sobre o boné. Ninguém pede o boné do Matheus", afirmou.
Empresa de segurança não tem autorização da PF para prestar serviços
A Polícia Federal informou nesta terça-feira, que a Prisma não possui autorização de funcionamento expedida pelo órgão e atua de forma irregular prestando serviço de segurança armada.
A PF é a responsável por autorizar as empresas a desenvolver suas atividades, seja na prestação de serviços especializados a terceiros (vigilância patrimonial, transporte de valores, escolta armada, segurança pessoal e curso de formação), seja na constituição de segurança orgânica da própria empresa (vigilância patrimonial e transporte de valores).
De acordo com a Polícia Federal, foi instaurado procedimento administrativo nesta segunda-feira para apurar o fato que, provavelmente, culminará no encerramento formal das atividades de segurança ilegal da empresa.

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