Mãe de criança agredida por padrasto em Niterói reencontra agressor em audiência: 'Nervosa'
Síndico que entregou filmagem das agressões de Victor Arthur Possobom contra menino de 4 anos também é ouvido na 1ª Vara Criminal de Niterói, na tarde desta quinta-feira (3)
Victor Possobom é filmado agredindo e sufocando enteado de quatro anos em Niterói - Reprodução
Victor Possobom é filmado agredindo e sufocando enteado de quatro anos em NiteróiReprodução
Rio - O lutador de boxe Victor Arthur Possobom, acusado de agredir com socos e sufocamentos o enteado de 4 anos em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, fica frente a frente com a ex-namorada e mãe da vítima, na tarde desta quinta-feira (3). A primeira audiência de instrução e julgamento de Victor começou às 15h15, na 1ª Vara Criminal de Niterói. O atleta foi indiciado por tortura contra a criança.
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Segundo a defesa de Jéssica, a cliente passou os últimos dias bastante nervosa e com receio de reviver os momentos de terror ao lado de Victor. Ao tentar denunciar o então companheiro, Jéssica foi mantida em cárcere privado e também relatou ter sofrido violência sexual, física e psicológica na casa do agressor.
"Ela está nervosa. Estar com ele é reviver todo o sofrimento que passou enquanto esteve em cárcere do período de fevereiro a julho, mas como mãe, ela não pode deixar o medo ser maior que a coragem e a vontade de buscar por justiça. Esperamos que a justiça seja feita", disse a defesa de Jéssica.
Além da mãe da criança, o síndico do prédio que encaminhou os vídeos que mostram as agressões ao Conselho Tutela e à Polícia Civil também é ouvido nesta tarde (3).
A defesa de Jéssica ressaltou a importância de manter Victor preso devido ao histórico violento do lutador de boxe. "O judiciário não pode fechar os olhos e deixar um homem com histórico de agressões impune e solto". Além do inquérito sobre as agressões à criança, a Polícia Civil já tinha aberto mais cinco outros contra o lutador, nos quais foi denunciado por agredir a própria mãe e namoradas.
Em julho de 2013, contra Victor foi registrado uma denúncia de lesão corporal e injúria contra a própria mãe. Na ocasião ele chegou a ser preso. Em janeiro em 2015, ele foi denunciado novamente por ameaça, lesão corporal e injúria contra duas mulheres. Dois anos depois, em fevereiro de 2017, o lutador voltou a ser denunciado por lesão corporal contra uma namorada. "O próximo passo dele é matar alguém, aí será tarde demais", completou a defesa de Jéssica.
Vídeos registraram as agressões
Imagens de dois vídeos de câmeras de segurança mostram as agressões. Em um deles, há o registro feito no elevador e outro na recepção do condomínio onde moravam no bairro de Icaraí, em Niterói. Além de bater na criança, Victor Possobom sufoca o enteado.
A prisão preventiva foi decretada pela juíza Juliana Bessa Ferraz Krykhtine, em exercício na 1ª Vara Criminal de Niterói, no dia 16 de setembro. Na decisão, a magistrada aceitou a denúncia de tortura oferecida pelo Ministério Público e apontou a existência de indícios suficientes de autoria e materialidade para a deflagração da ação penal para um delito que considerou grave.
Os vídeos das agressões só foram divulgadas em setembro, embora o crime tenha ocorrido em fevereiro, quando o síndico do prédio encaminhou os vídeos ao Conselho Tutelar. A denúncia apontou ainda que, segundo relato do síndico, moradores e vizinhos já comentavam, em tom de reclamação, que o denunciado gritava com o enteado frequentemente, tendo, em diversas ocasiões, escutado a vítima aos berros, pelas violências sofridas.
Os promotores do Ministério Público do Rio (MPRJ), que denunciou Victor, destacaram que a mãe do menino, na ocasião, já ex-companheira de Possobom, foi ouvida na delegacia e descreveu com detalhes a vida de agressão também sofrida por ela durante a relação conjugal. "A ex-namorada de Victor Possobom relatou ainda que sofreu um aborto por conta das agressões praticadas por ele, e que havia engravidado em decorrência de abuso sexual. Por fim, afirmou que desconhecia que seu companheiro, à época, agredia seu filho", informou o órgão na época.
Possobom, que estava sendo considerado fugitivo, se entregou na noite do dia 16 de setembro, na sede da Corregedoria Geral da Polícia Militar de Niterói, após as tentativas de prisão realizadas por agentes da polícia em endereços referentes ao acusado.
Jéssica está sendo assistida pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro. Procurada pela reportagem, a defesa de Victor Possobom ainda não se manifestou sobre a audiência de instrução e julgamento.
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