Demetrio foi preso por chefiar organização criminosa na especializada que comandavaReginaldo Pimenta/Agência O Dia

Rio - Uma nova audiência para colher depoimentos em interrogatórios referentes a acusação contra o ex-delegado da Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon) Maurício Afonso Demétrio, preso desde junho de 2021 acusado de chefiar um esquema de cobrança de propina a comerciantes de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, acontece às 14h desta quarta-feira (23) na 1ª Vara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ).
Esta fase do processo estava marcada para acontecer no dia 18 de outubro, mas foi adiada por um pedido da defesa, que havia acabado de assumir o caso. Demétrio está preso desde o dia 30 de junho, quando foi alvo da Operação Carta de Corso, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ). O delegado cumpre prisão preventiva na Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo de Gericinó, em Bangu.
Segundo o Ministério Público, o esquema ocorreu entre março de 2018 e março de 2021, quando Maurício Demétrio era o titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM). De acordo com o órgão, o delegado e outros policiais civis exigiam dos lojistas da Rua Teresa, em Petrópolis, o pagamento de propina de R$ 250 semanais e outras vantagens indevidas para permitir que continuassem a venda de roupas falsas. A Rua Teresa é conhecida pelo comércio popular na Região Serrana.
Quem também está previsto para ser ouvido nesta quarta-feira (23) é Adriano Santiago da Rosa, que também atuava na DRCPIM sendo braço direito de Demétrio. Questionado, o TJ-RJ não respondeu quem serão as outras pessoas que irão depor.
O grupo criminoso, segundo o MPRJ, era dividido em dois núcleos, sendo o principal responsável pela arrecadação dos recursos. Com esses recursos, o delegado manteria um padrão de vida incompatível com seu cargo e os recursos dessa posição.
Esse não é o único processo envolvendo o delegado, ele também é investigado por supostamente ter fraudado uma operação contra um fabricante de roupas piratas. A operação resultou na prisão do delegado Maurício Machado que, à época, investigava Demétrio.
Na ação que terminou com a prisão de Demétrio, os agentes encontraram cerca de R$ 240 mil em espécie na residência do agente, além de três carros de luxo, que foram a leilão após determinação do TJ-RJ.