Por cadu.bruno

Rio - O menino Breno não foi a única vítima da médica Haydee Marques da Silva, 59 anos. Após ver as notícias sobre o menino de 1 ano e 6 meses morto por omissão de socorro, auxiliar administativa Vanessa Ribeiro Martins, foi à 16ª DP (Barra da Tijuca) nesta sexta-feira denunciar a médica por negligência ao socorrer seu pai, Leonel Martins, morto em agosto do ano passado. 

Em julho do ano passado, a família de Leonel, que tinha 62 anos, solicitou uma ambulância, pois o homem sofria de um desconforto abdominal e precisava ser encaminhado ao hospital para ser submetido a uma lavagem estomacal. Chegando ao local, Haydee teria ficado irritada ao perceber que o senhor usava um tubo de oxigênio para respirar.

"Depois de reclamar e ficar irritada, ela levou meu pai sem o tubo de oxigênio alegando que o trajeto era rápido. Percebemos que meu pai foi ficando roxo e a técnica que cuidava dele pediu para ir junto. A médica não deixou, fez um escandalo e falou que não sairia com a ambulância daqui enquanto a técnica de enfermagem não saísse do carro. Foi preciso minha mãe intervir e dizer que ela ia levar sim", contou Vanessa. 

Ainda segundo a filha de Leonel, o idoso chegou no Hospital São Matheus quase morto. "Foram mais de 10 miutos sem oxigênio. Por causa disso meu pai ficou 30 dias internado, acabou pegando uma bactéria no hospital e faleceu", relata.

Breno%2C de 1 ano e 6 meses%2C morreu após médica da Cuidar Emergências Médicas%2C terceirizada da Unimed%2C negar socorroReprodução Internet

Na época, Vanessa relatou o ocorrido à Unimed, mas não denunciou a médica à polícia. "Quando vi a notícia do menino no jornal e vi a conduta da médica identifiquei que era ela. Entrei em contato com uma rádio, contei a história que ocorreu com a minha família e a polícia me intimou para depor. Desejo que ela pague por tudo que fez", diz. 

Haydee passou a ser investigada após negar socorro a Breno, que sofria de  “epilepsia de difícil controle”. A mãe da criança, Rhuana Lopes Rodrigues, de 28 anos, solicitou uma ambulância à Unimed, que acionou a empresa terceirizada Cuidar Emergências Médicas. Quando chegou ao prédio, a médica se recusou a atender o menino e foi embora. "O porteiro avisou que tinha chegado, mas a médica não subia. Depois, ele ligou e disse que a doutora tinha ido embora. O porteiro disse que ela esbravejava ao telefone e estava nervosa. Aí ela rasgou os papéis que pareciam ser a solicitação do atendimento e disse que tinha acabado o plantão e que não era pediatra”, conta Rhuana.

A narrativa foi confirmada pelas câmeras do prédio. Quando a segunda ambulância chegou, às 11h, o menino já estava morto.

Denunciada por agressão em 2010

A médica Haydee Marques da Silva também já foi denunciada por agressão no ano de 2010. Conforme registro que O DIA teve acesso, na 26ª DP (Todos os Santos), Haydee foi denunciada por suposta agressão a uma paciente, que queria fazer uma tomografia computadorizada na cabeça.

O pedido foi negado pela profissional, dando sequência a discussão e agressões físicas dentro do Hospital Memorial Engenho de Dentro. O caso foi parar na Justiça, mas acabou extinto por ser lesão corporal leve. 

A denúncia, de lesão corporal leve, com pena de seis meses, foi feita apenas em fevereiro de 2013. Em outubro de 2014, a defesa de Haydee propos uma transação penal, que foi o pagamento de uma cesta básica no valor de R$ 500,40. A cesta básica nunca chegou à associação que deveria ser destinada. Com isso, a punibilidade acabou extinta em junho do ano passado.

Procurada pela polícia

A Polícia Civil não encontrou Haydee em nenhum dos locais procurados. De acordo com a delegada responsável pelo caso, Isabele Conti, da 16 ª DP (Barra da Tijuca), na condição de investigada ela não é obrigada a comparecer à delegacia. "Com as provas que temos, a médica responde por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Apesar dela ter já ter sido denunciada, não houve condenação, portanto, o fato anterior não pode ser usado como antecedente criminal", explica a delegada.

A delegada explica que o andamento das investigações pode agravar o caso. "Com a notoriedade do caso, outras pessoas buscaram a polícia para denunciá-la. Isso pode agravar a situação dela. Com relação ao caso do menino, se ficar comprovado que ela sabia que era um caso emergencial, configure-se homicídio doloso (quando há intenção ou se assume o risco de matar)".  

As investigações apontam que a Cuidar Emergências Médicas, terceirizada da Unimed Rio, não repassava a seus profissionais a situação clínica dos pacientes. Quando acionados, os profissionais da Cuidar ficavam responsáveis apenas pelo transporte.






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