'Estamos nas mãos dos bandidos', diz filha de mulher baleada no Pechincha

Dwala Fontoura Costa, de 38 anos, estava com outra filha menor, de 8 anos, dentro de carro indo distribuir doces de Cosme e Damião quando homem em uma motocicleta atirou. Vítima já recebeu alta, mas bala está alojada no peito

Por RAFAEL NASCIMENTO

Analista de sistemas foi abordada por dois criminosos em uma moto
Analista de sistemas foi abordada por dois criminosos em uma moto -

Rio - A analista de sistema Dwala Fontoura Costa, de 38 anos, baleada em seu carro em uma tentativa de assalto ao lado da filha de 8 anos no Pechincha, na Zona Oeste do Rio, na noite de ontem, recebeu alta na madrugada desta sexta-feira. A bala entrou pelo ombro esquerdo e se alojou no peito, de forma superficial, mas não foi retirada porque uma cirurgia traria riscos. A filha mais velha da vítima falou que a mãe não percebeu a aproximação dos criminosos. 

"Minha mãe me contou que a minha irmã estava no banco de trás e quando ela se virou para falar com ela, dois homens em uma moto falaram alguma coisa. Como o carro, um Honda HRV, tem os vidros bem escuros, ela acha que os bandidos pensaram que ela fosse reagir. Eles atiraram e acertaram no ombro esquerdo dela, fugindo em seguida", narrou a estudante de jornalismo Júlia Fontoura, de 21 anos, reforçando que os bandidos não levaram nada.

Após o disparo, algumas pessoas que estavam na rua correram e retiraram a menina do carro para ela não ver a mãe ferida e ligaram para o Corpo de Bombeiros. Mãe e filha seguiam para dar doces por conta do dia de São Cosme e São Damião, mas a violência interrompeu a tradição da família.

"A violência está piorando a cada dia. A gente pensa que nunca vai acontecer com a gente. Não acredito na intervenção, só está piorando. Estamos nas mãos dos bandidos", criticou Júlia.

A vítima foi socorrida por agentes do Corpo de Bombeiros do quartel de Jacarepaguá e levada ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra. Dwala foi transferida por volta da meia-noite para o Hospital Barra D'Or, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Na unidade particular de saúde, ela foi atendida por um ortopedista e por um cirurgião geral, recebendo alta por volta das 3h desta sexta-feira.

Cozinheiro morto ao proteger o filho pequeno de assalto no Rio Comprido

O caso do Pechincha aconteceu menos de 24 horas depois de uma outra tentativa de assalto que acabou com um morto no Rio Comprido. Na noite desta quarta, o chefe de cozinha Francisco Vilamar Peres, de 48 anos, estava com a esposa e um filho de 10 anos em um bar na Praça Condessa Paulo de Frontin, no bairro da Zona Norte, quando foram abordados por um bandido armado. O assaltante colocou a arma na cabeça do filho de Francisco, que reagiu e foi baleado no rosto.

O chef chegou a ser levado com vida ao Hospital Souza Aguiar, mas não resistiu aos ferimentos. A família reclamou do atendimento prestado a ele na unidade e da demora na liberação de seu corpo. Francisco deixou cinco filhos e a mulher grávida. Um vídeo de câmeras de segurança do local mostrou a ação do bandido na hora do crime.

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