Confira as linhas de investigações da execução de Marielle e Anderson

Os principais focos são o vereador Marcello Siciliano e o miliciano preso Orlando de Curicica; o grupo de pistoleiros Escritório do Crime; e membros do Tribunal de Contas do Estado do Rio

Por O Dia

Marielle Franco
Marielle Franco -

Rio - A vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram executados a caminho de casa, após deixar um evento na Casa das Pretas, na Rua dos Inválidos, na Lapa, no dia 14 de março de 2018. Uma assessora da parlamentar também estava no carro, mas sobreviveu. 

Siciliano e Curicica, maio de 2018 

A primeira linha de investigação divulgada sobre o crime implica o miliciano Orlando de Curicica, que já estava preso na data do crime, e o vereador Marcello Siciliano (PHS). O jornal O Globo publicou em maio de 2018 o teor do depoimento do ex-policial militar Rodrigo Ferreira que implicava o vereador. O delator já teria trabalhado como segurança de Orlando. Ele contou à Polícia Civil que ouviu uma conversa em que Marielle foi xingada entre Orlando e Siciliano em um restaurante no Recreio dos Bandeirantes em junho de 2017. Os dois seriam parceiros em uma atividade criminosa na Zona Oeste e Marielle estaria atrapalhando seus negócios de grilagem de terra na região. Os dois negam as acusações. O assessor do vereador Alexandre Pereira, o Alexandre Cabeça, morto em 8 de abril, teria sido alvo de queima de arquivo, segundo este delator. Este ano, o vereador chegou a pedir a federalização do caso.  

Escritório do Crime, agosto de 2018

Outra linha investiga o envolvimento do Escritório do Crime, grupo de pistoleiros milicianos, que atua no Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio. Em janeiro, o ex-Bope Adriano Magalhães, que está foragido, foi alvo de mandado, além de Ronald Paulo Alves Pereira e o subtentente reformado Maurício Silva da Costa.

Freixo cobra investigação de deputados do MDB, setembro de 2018

Em agosto de 2018, o deputado Marcelo Freixo (Psol) cobrou em entrevista à TV Globo que a Divisão de Homicídios investigasse a possível participação de três deputados do MDB envolvidos na Lava Jato: Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo. Os três negam a participação. O motivo foi a denúncia que o deputado estadual fez em 2017 que impediu a posse do colega Edson Albertassino Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), o que dificultaria a investigação do grupo. Segundo Freixo, sua ação para impedir a posse do deputado poderia ter provocado raiva e ódio contra ele e seu grupo político, inclusive Marielle.

PF entra no caso, outubro de 2018

A Polícia Federal entrou no caso depois que o miliciano Orlando de Curicica denunciou à Procuradoria-Geral da República de que estaria sendo coagido pela Delegacia de Homicídios da Capital a assumir a autoria do crime. Em carta ao jornal O Globo, Curicica disse que a DH recebia R$200 mil por mês para encobertar a contravenção. O delegado titular da época Rivaldo Barbosa repudiou a acusação. 

Membro afastado do TCE, fevereiro de 2019

Uma investigação paralela à da Polícia Civil investiga esquema para forjar provas e levantar suspeitas sobre várias pessoas para atrapalhar a elucidação do caso. No dia 21 de fevereiro, a Polícia Federal realizou uma operação que mirou um delegado da própria PF e o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Domingos Brazão. Esta linha acredita que Siciliano e Curicica foram usados para confundir a investigação.

Além de Brazão, os agentes estiveram na cobertura do delegado federal Helio Khristian Cunha de Almeida, na Zona Sul do Rio, e nas residências do policial militar Rodrigo Ferreira -testemunha que apontou o envolvimento do vereador Marcello Siciliano e do miliciano Orlando Araújo, o Orlando de Curicica como mentores da morte da vereadora, da advogada dele, Camila Moreira Lima Nogueira, do ex-policial civil Jorge Luiz Fernandes e do ex-agente da PF Gilberto Ribeiro da Costa. Os mandados foram uma determinação da Procuradora Geral da União Raquel Dodge.

Racha nas investigações

Como divulgou "O Globo" em dezembro, há alguns meses as duas promotoras decidiram investigar por conta própria a morta da parlamentar e de seu motorista. Isso teria gerado um mal-estar entre a Delegacia de Homicídios e o MP. Já houveram diversas reuniões para que as arestas fossem aparadas. No entanto, as duas promotoras seguem irredutíveis.

Oficialmente, nem a Polícia Civil e nem o Ministério Público confirmam o racha. Extraoficialmente, fontes do MP dizem que a investigação paralela pegou até mesmo a instituição de surpresa e desencadeou uma briga interna. As duas promotoras responsáveis pelo caso mantêm sigilo sobre possíveis descobertas e se recusam a falar com a imprensa.

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